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domingo, 29 de dezembro de 2013

Resenha Os meninos da rua Paulo

Título: Os meninos da rua Paulo
Autor: Ferenc Molnár
Editora: Cosac Naify


Este livro é indicado para quem:
-Gosta de histórias singelas
-Ri lendo e não se envergonha disso
-Chora lendo e não se envergonha disso
Resumo:

A clássica novela do autor húngaro Ferenc Molnár relata a disputa de dois grupos rivais de adolescentes (ou pré-adolescentes, não dá para saber ao certo). Eles lutam pelo direito de utilizar para suas brincadeiras um terreno em uma rua de Budapeste e, neste ambiente conflituoso, cheio de regras por vezes descabidas, mas levadas ferreamente a sério, vamos conhecendo o perfil psicológico destes meninos que, como tantos outros, buscam apenas seu espaço no mundo.

Resenha:

Nunca pensei que um livro que me fez sorrir o tempo todo pudesse me fazer chorar no final, sem nenhum aviso prévio. Ok, pode ter sido ingenuidade minha, mas não vi sinais de drama ao longo do livro, embora a singeleza da narrativa tenha me emocionado. 
A história destes garotos pelejando por um terreno para brincar, pode parecer boba no início, mas é nessa simplicidade que a qualidade do texto se mostra. 
Os meninos da rua Paulo é uma história sobre crianças brincando. Brincando de guerra. Brincando de crescer. Brincando de levar as coisas à sério. A maioria dos meus sorrisos foram arrancados assim, enquanto percebia naqueles trejeitos de adulto, uma inocência tipicamente infantil. Uma seriedade exacerbada sobre coisas triviais. 
Os meninos da rua Paulo viviam sob rígidas regras, impostas pela sociedade da época, principalmente exemplificada na instituição educacional, mas as regras talvez mais importantes eram as indicadas nos autos da própria "Sociedade do Betume", grupo do qual a maioria dos meninos da rua Paulo faziam parte.
Não gosto de ficar fazendo interpretações profundas demais sobre o significado da história, pois acredito que cada um lerá nas entrelinhas a partir da sua própria visão de mundo, o que gerará variadas interpretações - nenhuma delas sendo mais verdadeira que a outra. Mas é impossível não comentar como ficou nítido para mim, lendo sobre essa "guerra infantil", o quanto nossas guerras reais são ridículas. E injustas, claro. Tudo está lá: os fortes oprimindo os fracos, não porque são mais fortes, mas porque emanam uma autoridade inata; as injustiças cometidas quando damos mais valor a burocracia do que às pessoas e as suas urgências; os atos de coragem solitários, que definem guerras e independem de patentes; e como sempre, absolutamente sempre, os mais inocentes e os mais corajosos são os primeiros a caírem. 

Pg. 76

- Pois é - acudiu um dos Pásztor. - Fazemo-lo para termos um lugar onde jogar péla. Aqui não é possível, e na rua Eszterházy é preciso sempre brigar pelo espaço... Precisamos de um terreno para jogar péla, e acabou-se. 
Assim, decidiram a luta por motivo semelhante ao que desencadeia as guerras de verdade. Os russos precisavam de mar, por isso atacaram os japoneses. Os camisas-vermelhas precisavam de um terreno para jogar péla, e, como não havia outro jeito, iam recorrer à guerra. 

domingo, 22 de dezembro de 2013

Você sabe o que é biblioterapia?


"Aquelas palavras que você precisa ouvir, aquelas palavras que vão mudar a sua vida, que vão responder às suas perguntas, elas estão em algum livro por aí. É só procurar." Ziraldo 


Você sabe o que é Biblioterapia?

     A biblioterapia consiste em escolher tipos de livros observando seu conteúdo, ritmo e tamanho para, com isso, obter resultados específicos para a saúde.  Por exemplo, os livros mais adequados para quem tem insônia são aqueles que permitem uma leitura mais lenta e repetitiva.

     O termo biblioterapia passou a ser empregado por médicos americanos durante a Segunda Guerra Mundial, ao notarem que os soldados feridos obtinham uma melhora significativa se lessem durante o período de recuperação. Desde então, a biblioterapia tem sido sugerida para diversos tratamentos de saúde, como: depressão, ansiedade, distúrbio bipolar, transtorno obsessivo compulsivo, distúrbios do sono, esquizofrenia, distúrbios sexuais e estresse pós-traumático, entre outros.

     No Brasil já há algumas pesquisas nesse sentido, no entanto, a prática ainda não ocorre com frequência devido à falta de terapeutas especializados. Enquanto aguardamos a formação desses profissionais, no entanto, não precisamos perder tempo, vamos começar logo a ler um bom livro!

"A constatação que a leitura melhora alguns problemas é clinica. Ou seja, foi percebida nos pacientes, sem que houvesse uma ideia exata de como isso ocorria. O hábito de ler ajuda na atividade cerebral: lentifica as ondas cerebrais induzindo a um estado de mais relaxamento e estimula a memória; além da influência do conteúdo da leitura." (Alex Botsaris)





sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Responda a enquete e ganhe um presente!



Daí você entra no ônibus pela manhã e avista um lugar para sentar, mesmo tendo algumas pessoas em pé. É, nessa hora o pobre - que se contenta com pouco - pensa: "É meu dia de sorte". Então começa a ir sorrateiramente até o local para não dar bandeira. Um cara olha para você, olha para o lugar vago e com um sorrisinho irônico no rosto, senta. Mesmo estando lá em pé há um bom tempo. E ainda te encarando. Detalhe: dois pontos depois o cara desce. Por que ele fez isso?
A) É um discípulo de Gandhi especialmente enviado para testar a sua resiliência.
B) Ele queria apenas garantir que ninguém sentaria antes de você. 
C) Tem gente que tem o costume de agir filhadaputamente no ônibus, especialmente pela manhã. 


Resposta correta: C.

Se você respondeu a enquete corretamente, parabéns! Você acaba de ganhar um passe livre para também agir filhadaputamente no transporte público - particular também vai - e especialmente pela manhã!


domingo, 15 de dezembro de 2013

Resenha Desastre Iminente

Título: Desastre Iminente
Autor: Jamie McGuire
Editora: Verus

Este livro é indicado para quem:
- Gosta do gênero Young Adults
- Gosta de romances
- Suporta relações de dependência

Resumo:

Travis perdeu muito cedo a única mulher que amou: sua mãe. Cresceu em uma família de homens e aprendeu a vestir uma máscara de bad boy, tirando das mulheres a única coisa que elas podiam lhe dar: prazer. Até conhecer Abby Abernathy. Ela não era como as outras e isso o arrebata. Completamente envolvido, Travis tem certeza que essa relação não pode trazer nada de bom para ambos, mas não consegue pensar em deixá-la se afastar. Como ele poderia deixar ir embora aquela que tem tudo aquilo que ele sempre desejou?

Resenha:

Em Belo Desastre, livro que já alertei o quanto é viciante, conhecemos a versão de Abby para os fatos. Agora é a vez de Travis falar. 
Como descrever a felicidade que uma pessoa sente ao descobrir que o livro que tanto amou ler, tem o volume II? Pois é, a alegria intensa de um pinto no lixo. Foi o que eu senti. Muito mais porque a mesma história seria contada, só que pelos olhos do  meu personagem preferido: Travis Maddox, isso mesmo, em tinta e celulose!
Quando eu comecei a ler Desastre Iminente, eu havia acabado de ler Belo Desastre pela 2ª vez seguida em menos de 10 dias (Eu disse que era viciante!), então não façam o mesmo que eu, porque a história pode ficar muitíssimo um pouco repetitiva...
Não que a história seja exatamente igual, não é. Há várias informações novas, como o relato da morte da mãe do Travis e os lugares em que ele esteve quando sumia das páginas de Belo Desastre, mas uma coisa que me deixou meio enjoada é que algumas cenas foram descritas exatamente iguais, mesmo sendo pela perspectiva do Travis. Vamos supor, se em Belo Desastre a Abby pensou "O Travis me olhou preocupado" em Desastre Iminente aparece o Travis pensando "Eu olhei para a Abby preocupado". Isso me incomodou um pouco porque raramente alguém tem exatamente a mesma percepção de uma situação que a outra. Isso pode acontecer, mas não sempre. Mas entendo a dificuldade da autora em reescrever a mesma história, sem poder fugir dos acontecimentos, mas sem ser repetitiva. Está perdoada. 
Uma coisa mais que maravilhosa foi que a Jamie deu uma espécie de bônus para os leitores no final do livro, contando o que aconteceu com os personagens 11 anos após o término de Belo Desastre. E o que acontece fechou com chave de ouro tudo o que foi escrito até então. Eu nunca achei que o Travis Maddox pudesse ficar ainda melhor, mas ficou!
Este livro é indispensável para fãs incondicionais de Belo Desastre, e serve como tira-teima para aqueles que ficaram meio na dúvida se o casal convenceu ou não. 
Estar por dentro da mente do Travis foi emocionante e assustador ao mesmo tempo. Como observar uma tempestade se aproximando: Você sabe que o Desastre é Iminente, mas é Belo demais para não olhar! 


Pg. 66


Abby era como uma droga que nunca me satisfazia e que eu não queria largar. Mesmo eu não podendo chamar isso de nada além de vício, eu não me atrevia a experimentar nem uma lasquinha. Só a mantinha por perto, me sentindo melhor apenas por saber que ela estava ali. Não havia esperança para mim.


domingo, 8 de dezembro de 2013

Resenha Belo Desastre


                        ALERTA DE LIVRO VICIANTE!!!

Título: Belo Desastre
Autor: Jamie McGuire
Editora: Verus

Este livro é indicado para quem:
- Gosta do gênero Young Adults
- Gosta de romances
- Suporta relações de dependência

Resumo:

Abby Abernathy foi para a Universidade de Eastern com a intenção de fugir de seu passado e recomeçar em uma nova cidade com sua melhor amiga, America. Quando Abby conhece Travis Maddox, o primo do namorado de America, sente que seus planos estão ameaçados. Travis "Cachorro Louco" Maddox é um bad boy que ganha a vida participando de um clube da luta clandestino nos porões da Universidade. Além disso, é um sedutor que não vacila ao dispensar as garotas no dia seguinte. Fascinado com as negativas de Abby, Travis a vê como um desafio e propõe uma aposta para a garota. Será que Abby vai resistir a esse charmoso bad boy?

Resenha:

Confesso que quando li o resumo de Belo Desastre não me senti muito atraída. Parecia apenas mais uma boba história da frágil donzela seduzida pelo bad boy. E o lance da aposta então? Muito forçado. Como sou assídua leitora de vários blogs literários, voltei a ler várias menções sobre o livro e parei para ler as resenhas, todas positivas. Quando comecei a ler o livro, antes de chegar a página 10, eu já estava capturada. Fiquei obsessiva com a história e por isso decidi fazer a resenha cerca de um mês depois, para que meu julgamento fosse mais imparcial. Ainda estou com dificuldade. 
Primeira surpresa: Travis Maddox não é mesmo um bad boy, apenas parece um, por conta das suas tatuagens, abdômen definido, corte de cabelo e vestimentas. Ok, ele é um lutador clandestino e ganha dinheiro surrando os outros, mas ele é um cara extremamente leal aos amigos e super família. Além disso é inteligente e estudioso e sabe ser gentil com as pessoas que importam. 
Segunda surpresa: Abby não é a típica garota certinha e inocente que não quer ser desvirtuada pelo pseudo bad boy. Ela apenas não quer se envolver porque quando mudou de cidade jurou começar de novo, e isso envolvia ter uma vida pacata e regrada, e Travis não se encaixa nesses planos. 
A atração que eles sentem um pelo outro é muito forte, mas cada um tem seu motivo para não querer levar as coisas a diante: Abby pelo motivo que já citei antes, e Travis porque não se acha bom o bastante para ela. 
Quando Travis faz a aposta com a Abby, eles já estão amigos e extremamente ligados, e a motivação dele não foi conseguir transar com ela, mas sim mantê-la perto dele, que é uma obsessão visível no personagem ao longo de todo o livro. Isso tem raiz na história de vida dele e faz com que ele tenha sentimentos contraditórios: ao mesmo tempo que ele acha que ela merece estar com alguém melhor, não consegue imaginá-la com outro sem surtar. E ele surta muito... São muitas cenas em que você pensa "Meu Deus, que violência é essa...", mas com a Abby o Travis é sempre muito gentil e carinhoso. 
Uma coisa que pode causar irritação em alguns é essa extrema dependência que ele tem pela Abby. A felicidade e a tranquilidade dele dependem exclusivamente dela, e ela não desestimula isso, parece achar normal. 
Uma coisa que não me incomodou, mas que foi apontada como negativa por algumas pessoas que conversei sobre o livro é a desestabilização que o casal traz aos amigos e a todos a sua volta. Parece que a vida de todos é abalada pelos sentimentos da Abby e do Travis. Isso é até comentado por um dos personagens. 
O livro é do gênero Young Adults, o que significa que há cenas de sexo, embora não chegue a ser um livro Hot, porque este não é o foco principal. E as cenas são leves. 
Espere ver cenas normais de uma vida universitária nos Estados Unidos, como: Festas de fraternidade, baladas, aulas, refeitórios lotados de jogadores de futebol americano, etc. Pode parecer meio fútil, mas não é. É apenas o cotidiano, sem coisas muito fantásticas acontecendo a todo momento. O que há de mais fantástico é a relação dos protagonistas, que estão sempre brigando ou tentando lutar contra os seus sentimentos. Tem hora que é até chato: "Pô, como assim amigos?!?! Até um cego veria que é amor!". Pensei isso várias vezes. 
Essa relação conturbada e esse jeito meio insano do Travis me conquistaram. Sofri junto nas brigas, me desesperei com os mal entendidos, suspirei com as declarações de amor, torci durante as lutas do Travis, repreendi os personagens quando eles tomava alguma atitude errada... Tudo isso porque esse livro envolve... e vicia. Chega, já falei demais. 

Pg. 241 - Declaração de amor, por Travis Maddox

Sabe por que eu te quero? Eu não sabia que estava perdido até que você me encontrou. Não sabia que estava sozinho até a primeira noite em que passei na minha cama sem você. Você é a única coisa certa na minha vida. Você é o que eu sempre esperei, Beija-Flor.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Livros de Biblio



Oi, pessoas!

A dica de hoje é para aqueles que estão sempre procurando se aprimorar na profissão, especialmente aqueles ligados a área de Biblioteconomia, Ciência da Informação, Arquivologia e Formação de leitores. 
A livraria virtual "Livros de Biblio" é uma iniciativa do meu amigo e ex-colega de faculdade Paulo Leite Paulino ou, simplesmente Paulino, como a maioria o conhece hoje. 
Notando a dificuldade que tínhamos em conseguir livros para complementar os estudos na Faculdade de Biblioteconomia (UNIFAI - SP) o Paulo, que sempre atuou no ramo livreiro, começou a garimpar livros que os professores indicavam em sala de aula e, posteriormente, livros da profissão em geral. Após isso, sempre que precisávamos de algo, tínhamos a quem recorrer. 

Além de nos trazer livros que estavam praticamente esgotados ou impossíveis de conseguir convencionalmente, sua marca registrada sempre foi a rapidez e a facilidade nas formas de pagamento. Hoje, ele levou essas características para a sua loja virtual, atendendo a todos os bibliotecários e profissionais da área com bastante profissionalismo. Além disso, quem mora em São Paulo com certeza já se deparou com algum stand de livros montado durante os vários eventos de biblioteconomia da cidade. 

A "Livros de Biblio" é considerada a primeira livraria especializada em livros de biblioteconomia no país e, por conta disso, tem sido destaque na mídia especializada, conforme podem verificar no Blog do CRB6 e na Revista Biblioo.







A influência dos sonhos da literatura


Antônio Cândido disse certa vez que "a literatura é o sonho acordado das civilizações", isto porque ambos tem o poder de manter o nosso equilíbrio psíquico. Os sonhos restabelecem esse equilíbrio enquanto dormimos e a literatura o faz enquanto estamos acordados. 
Pensando nessa conexão - sonhos e literatura - é possível observarmos que em diversos momentos da história, a literatura e os sonhos estiveram fortemente atrelados, seja porque os sonhos eram peça central de determinada narrativa ou mesmo porque agiram como mola propulsora para a criatividade do autor. 
De fato, diversos autores já afirmaram que a inspiração para suas obras veio por meios oníricos, mas, de acordo com Belanger e Dalley (2007, p. 56), "O ato de sonhar e o ato de ler e escrever usam áreas diferentes do cérebro; mas, mesmo assim, não é inconcebível que muitas obras literárias tenham sido inspiradas por sonhos ou pesadelos. Isso destaca a importância do conceito freudiano dos sonhos como mensageiros do inconsciente, tornando-nos cientes de pensamentos ou ideias que o consciente se recusa a reconhecer, mas que são essenciais na expressão criativa." 
Abaixo dois exemplos de obras famosas inspiradas por sonhos/pesadelos: 

Frankenstein, Mary Shelley (1816)

A clássica história de Mary Shelley foi escrita devido a uma aposta realizada com seu futuro marido, Percy Shelley e Lord Byron, irmão de Percy e dono casa de campo onde estavam hospedados. Após uma reunião onde os três citados e outros convidados ficaram contando histórias de terror, Lord Byron propôs que todos escrevessem histórias de terror. Impressionada, Mary teve um pesadelo naquela noite, e baseou-se nele para escrever sua história. "Imediata como a luz foi a história que me ocorreu: 'Eu encontrei! Aquilo que me aterroriza vai aterrorizar os outros; só preciso descrever o espectro que assombrou meu travesseiro durante a madrugada'. No dia seguinte, anunciei que havia pensado a história."

O médico e o monstro, Robert Louis Stevenson (1866)

Stevenson também afirmava que O médico e o Monstro surgiu de alguns inúmeros pesadelos que o assombraram ao longo da vida. "Após a ideia inicial de criar um romance cujo protagonista fosse um ser duplo, tive um sonho onde o Dr. Jekyll ingeria um pó branco e se transformava em Mr. Hyde. Logo após esse primeiro sonho, tive uma série de outros onde os detalhes da história foram surgindo."
Sua literatura foi tão influenciada por seus sonhos que Stevenson chegou a escrever um livro sobre o assunto (Across the plains, 1950).  

A descrição de sonhos na literatura é muito antiga, podemos citar desde Ilíada, História de Gilgamesh e até mesmo a Bíblia. Abaixo, dois exemplos de obras famosas cujos sonhos são a peça central da narrativa:

Um conto de natal, Charles Dickens (1843)

Este clássico conto de Dickens relata o pesadelo do rico e avarento Ebenezer Scrooge, na véspera de natal. Em seu sonho, após ser visitado por 4 fantasmas (um ex-parceiro de negócios, o fantasma dos natais passados, o fantasma dos natal presente e o fantasma dos natais futuros),  Scrooge percebe todos os erros que vem cometendo ao longo de sua vida e o que resultará disso se ele continuar agindo de forma avarenta e egoísta. 

Alice no país das maravilhas,  Lewis Carroll (1865)

O livro conta a história de Alice que, após adormecer sob uma árvore, tem um sonho muito vívido, onde cai na toca de um coelho e adentra num mundo fantástico, cheio de absurdos típicos de um sonho: com animais e objetos dotados de características humanas e até mesmo metamorfoses em si mesma, quando muda alternadamente de tamanho. Este é o melhor exemplo de narrativas influenciadas estética e tematicamente pelos sonhos. 

Fonte: BELANGER, Jeff; DALLEY, Kirsten. A enciclopédia dos pesadelos: a interpretação dos seus sonhos mais sombrios. Rio de Janeiro: Prestígio, 2007. 383 p.

domingo, 24 de novembro de 2013

Resenha Amante Meu

Título: Amante Meu
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 8

Livro indicado para quem:
- Gosta de vampiros em cenas picantes 
- Gosta de mulheres de fibra
- Já leu os 7 primeiros volumes da saga

Resumo:

John Matthew apaixonou-se por Xhex no primeiro momento em que a viu. Na ocasião, ainda não havia passado por sua transição para vampiro e tinha pouca esperança que a bela e feroz segurança da boate ZeroSum reparasse num garoto franzino e desajeitado como ele. Xhex, no entanto, não só reparou como lutou contra o desejo que sentiu, uma vez que sua natureza dupla tinha o costume de levar a ruína àqueles que se aproximavam dela. O que ambos não sabem é que John também guarda um segredo obscuro, e que o destino unirá os dois de forma inevitável. 


Resenha: 

Bem, confesso que eu não esperava nada deste livro, ou melhor, esperava que fosse péssimo, chato. E não foi. Na verdade acho que o que "salvou a pátria" é que o livro tem muitas histórias paralelas e que o par romântico (nem sei se dá para falar assim...rs) do John é a Xhex, que - com o perdão da palavra - é muito fodástica. A história dos dois começou há muitos livros atrás, quando John começou a frequentar o ZeroSum apenas para afogar suas muitas mágoas e para vê-la (ela é chefe da segurança de lá). A admiração adolescente que ele tinha por Xhex cresceu e chegou ao ápice neste volume, que já começa interessante, porque (lá vem SPOILER), no livro anterior ela foi raptada. Claro que a IAN fica empenhada em resgatá-la, mas John dá um jeitinho de fazer suas próprias investigações. 

Fora o drama do resgate, temos a velha história do "Não-fico-com-você-porque...". No caso de Xhex, ela já passou por uma situação parecida no passado com outro guerreiro da Irmandade, Murhder, que arriscou a vida para salvá-la sem saber de sua natureza sympatho, e ela não quer passar por isso novamente, é uma cabeça dura, andarilha solitária, mega independente, etc. 
O relacionamento dos dois não me convenceu muito não, sei lá, é meio estranho, parece que ela que é o homem da relação. E não consigo admirar homens muito frágeis feito o John. Ele está sempre ameaçando, xingando, querendo dar uma de machão, mas no fim é sempre ela que salva ele e a si mesma. Típico de Xhex, como diria Rehvenge. 
Entre as histórias paralelas temos o reaparecimento de Murhder; o passado de Darius e Tohrment; o relacionamento de Blay e Saxton e os sentimentos ambíguos de Qhuinn em relação a isso, que ainda arruma tempinho para dar umas aulinhas práticas sexuais para Layla. Outro tema importante exposto no livro é o renascimento de Tohrment, por assim dizer, e é lindo. Ele ainda está quebrado, mas agora pelo menos está tentando enfrentar sua dor e isto é comovente. O treinamento de Wrath e Payne continua e o resultado destes treinos parece ser o assunto do próximo livro: Amante Libertada. 

Pg. 221 
Enquanto seus ouvidos zumbiam e seu coração se partia por ela, permaneceu firme contra a força do vendaval que ela emanava. Afinal, sabia que as palavras "estar aqui" e "ouvir" tinham significados muito próximos. Sendo sua testemunha naquele local, ele a ouvia e estava ali por ela, porque isso é tudo o que se pode fazer quando alguém desmorona. 

Pg. 462
Ele sabia tudo sobre aquela coisa de não se sentir parte de um grupo. Mais uma coisa em que eram compatíveis. Fechando os olhos, enviou para o alto uma oração para qualquer um que estivesse ouvindo, pedindo que, por favor, pelo amor de Deus, parasse de lhe enviar sinais de eles eram perfeitos um para o outro. 

Pg. 580
Nunca se sabe a última vez que se vê alguém. Quando aconteceria a última discussão, a última vez que faria sexo com essa pessoa ou a última vez que olharia nos olhos dela e agradeceria a Deus por estar em sua vida. Depois que partiam? Só se consegue pensar nisso. Dia e noite. 

domingo, 17 de novembro de 2013

Resenha Vidinha boa

Título: Vidinha boa
Autora: Véronique Caplain
Editora: FTD
Tradutora: Ruth Rocha


Este livro é indicado para quem:
-Gosta de corujas
-Gosta de livros bem ilustrados
-Gosta de livros infantis

Resenha:

De acordo com minha sobrinha Samara, as ilustrações "parecem que vão sair da página". Realmente, as ilustrações são bem vívidas, cheias de detalhes como bichinhos minúsculos na campina que você só vê se prestar bem atenção. E são encantadoras!
Duas coisas me atraíram para a leitura deste livro: A capa, com mamãe coruja e o bebê coruja em um galho, abraçados (Eu amo corujas!), e o título "Vidinha boa". Fiquei curiosa para ver como era essa vidinha boa das corujas da capa. Acontece, que a vida dessas corujas pode até ser boa, mas não é nada fácil! Mamãe Coruja, Papai Coruja e Bebê Coruja vivem no oco de um salgueiro. Enquanto Papai caça à noite, Mamãe cuida do bebê, que tem muitos desafios a enfrentar: precisa encarar a claridade da manhã, fora do oco do salgueiro, e se aventurar pulando nos galhos maiores. 
Sua coragem em enfrentar estes desafios é recompensada com a descoberta de um novo amigo: um pardal muito esperto, que o inspira a tentar voar. Claramente uma forma de mostrar às crianças que o desafio do crescimento é grande, mas necessário, e vale a pena ser enfrentado, pois conhecer melhor o mundo e fazer novos amigos é uma recompensa e tanto. Além disso, Mamãe Coruja e Papai Coruja estão sempre perto do Bebê, ajudando-o a enfrentar o medo e os perigos, então não há nada a temer!
Uma ótima história para ser lida com a criança que está começando a frequentar a escola e teme a separação com a família. 
Não costumo dar nota aos livros que leio, mas como fiz essa resenha com a consultoria especializada da minha sobrinha de 7 anos, Samara, devo informar para os interessados que ela deu nota 10 ao livro, depois de lê-lo com a atenção genuína típica das crianças. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Resenha Febre de Sangue

Título: Febre de Sangue (Bloodfever)
Autora: Karen Marie Moning
Editora: Novo Século
Febre (Fever) - Livro Dois das crônicas de Mac O’Connor

Este livro é indicado para quem:
 
-Gosta de personagens masculinos marcantes (e viciantes)
-Gosta de histórias com Fadas e outros monstros bizarros (Gênero: Fantasia Urbana)
-Gosta de personagens mais maduros
 
Resumo:

MacKayla Lane teve sua vida totalmente transformada após o assassinato de sua irmã e sua ida para a Irlanda em busca de pistas. Não sobrou quase nada da “garota arco-íris” desde então. Cada vez mais consciente de seus poderes de vidente Sidhe e tendo sua ajuda disputada por pessoas nas quais ela sabe que não pode confiar, Mac continua sua busca pelo Sinsar Dubh e pelo assassino de sua irmã, enquanto tenta resistir à sedução de dois seres poderosos e letais.
 
Resenha:

O segundo volume de Fever retoma a caçada de Mac por vingança e pelo Sinsar Dubh. Mac continua morando na Barrons livros e miudezas e seu anfitrião e parceiro de caçada continua mais misterioso do que nunca.
As alterações de humor de Jericho Barrons continuam frequentes, mas é perceptível que ele começa a olhar Mac de um modo diferente: com mais respeito e como mulher. Embora o tratamento dispensado a ela seja o mesmo, devido à natureza teimosa de ambos.
No livro Um eu já havia gostado demais dos embates entre os dois, com seus diálogos ácidos (mesmo os mentais). É extremamente prazeroso ver a forma como ela o enfrenta, e como Jericho Barrons sempre tem razão! Para suas respostas lógicas não há réplica!
Não há juras de amor entre os personagens (talvez se houvesse perderia a graça!), mas o relacionamento entre os dois se aprofunda a níveis interessantes (sexualmente falando). Não, não há cenas de sexo explícito, embora eu não recomende este livro para menores de idade devido à quantidade de palavrões e cenas sensuais.
Não sei se ficou claro na resenha do livro Um (Febre Negra), mas esta série aborda especificamente o universo Fae. Bem, mas o que são os Fae? Fae são fadas! Mas esqueça dos estereótipos de fadas fofinhas e sempre mulheres. Os Fae são divididos em duas cortes: Luz (Seelie) e Sombras (Unseelie). Ambas as cortes possuem diversos tipos de Fae, mas nenhum deles é benevolente, são todos essencialmente cruéis, embora os Seelie tenham – pelo menos  - características mais humanas e sejam mais belos. V’lane, por exemplo, é terrivelmente belo. É um príncipe Seelie e, embora não tenha feito nada extremamente cruel, tem o poder de amplificar a vontade sexual das pessoas até levá-las ao extremo: deixá-las obcecadas, despudoradas (tirar a roupa em público, por exemplo) e matá-las. Embora ele tenha ajudado MacKayla em um episódio, não foi a troco de nada, por isso, ele também entra para a lista de pessoas não confiáveis. Além disso, parece haver uma rixa antiga entre ele e Barrons.
Neste volume, conhecemos melhor Rowena e o Conselho Supremo de Videntes Sidhe, definição a qual MacKayla encaixa.
Este livro termina muito, muito bom. Minha curiosidade sobre o Sinsar Dubh, Jericho Barrons e as novas informações que estão por vir está no limite. Mal posso esperar pela continuação, mas a Novo Século mantém os leitores em cruel expectativa, sem previsão de lançamento para o livro 3 (Faefever) no Brasil. Estou sofrendo! L

Pg. 105 – Barrons sendo filósofo.

- Ele beijava bem, Srta. Lane? – Barrons perguntou, me observando cuidadosamente.
Limpei minha boca com as costas da mão por causa da memória. – Era como ser possuída.
- Algumas mulheres gostam disso.
- Eu não.
- Talvez dependa do homem que a esteja possuindo.
- Duvido. Não conseguia respirar enquanto ele me beijava.
- Um dia você pode beijar um homem que a faça não conseguir respirar sem ele, e descobrir que respirar tem pouca importância.

domingo, 3 de novembro de 2013

Resenha Febre Negra

Título: Febre Negra (Darkfever)
Autora: Karen Marie Moning
Editora: Novo Século
Série Febre (Fever) - Livro Um das crônicas de Mac O’Connor

Livro indicado para quem:
-Gosta de personagens masculinos marcantes (e viciantes)
-Gosta de histórias com Fadas e outros monstros bizarros (Gênero: Fantasia Urbana)
-Gosta de personagens mais maduros

Resumo:
MacKayla Lane vem vivendo uma vida maravilhosamente comum, como tantas outras garotas de 22 anos de Ashford, na Geórgia. Até que sua irmã é assassinada durante um intercâmbio na Irlanda e deixa uma misteriosa mensagem na caixa postal do celular de MacKayla. 
A busca pelo assassino da irmã leva Mac a se deparar com fatos que não consegue explicar e poderes que nunca achou ter. Quando Jericho Barrons propõe um acordo de ajuda mútua, Mac vê nele a chance de continuar viva para sua vingança, embora seu misterioso parceiro não se mostre nem um pouco confiável.

Resenha:

Topei com este livro totalmente por acaso e – pasmem! – nunca tinha ouvido falar dele até então! A narrativa é em primeira pessoa, o que nos deixa bem próximos da personagem principal (MacKayla Lane). Conseguimos perceber todas as nuances de seus sentimentos: cada palheta de dor, desejo, curiosidade, medo. E ao mesmo tempo em que a narrativa é fluida e leve, é profundamente sensível e realista.
A heroína não é uma heroína. É apenas uma garota comum que foi atraída para uma cruel realidade pelo turbilhão em que se transformou sua vida após a morte da irmã. Não é tipicamente corajosa, apenas continua seguindo em frente movida pelo amor pela irmã e pelo desejo de vingá-la. O vilão, o mocinho... Quem são? Não dá para saber, pois vemos o mundo através dos olhos de Mac, e ela não confia – e nem mesmo poderia confiar – em ninguém.
A verdade é que tanto Jericho Barrons, o colecionador de objetos e livros raros, quanto V’lane, o príncipe Fae, são sedutores, poderosos e enigmáticos. Ambos oferecem ajuda a Mac, coisa que ela não pode recusar, principalmente tendo uma legião de Unseelie em seu encalço. No entanto, não dá para saber qual opção é a mais perigosa.
A narrativa de Moning utiliza elementos da sociedade celta, claro, com adaptações. V’lane, por exemplo, é um Fae (fada), mas esqueça as asinhas coloridas e a fofura. Fae são lindos e sedutores (pelo menos os Seelie), mas muito cruéis. Isso porque para eles os seres humanos são totalmente descartáveis e eles não sentem mais culpa de matá-los do que os seres humanos de esmagar uma barata com Havaianas.
Jericho Barrons é igualmente cruel. E para começo de conversa nem ao menos sabemos o que ele é. Basta dizer que ele é muito forte e que pode repelir as Sombras (uma casta de Unseelie). Disfarçado em uma fachada de ternos de 10 mil dólares e postura refinada há um ser selvagem e frio à espreita, que não mede esforços para conseguir o que quer.
Os embates entre a astuta Mac e ele são demais, para não falar de tirar o fôlego. Diálogos engraçados e por vezes sedutores deixam antever que o relacionamento dos dois tende a ficar cada vez mais profundo e sensual. De todos os personagens masculinos de livros com temática sobrenatural, Jericho Barrons é de longe o mais marcante com o qual já tive a oportunidade de flertar. E pelo visto não sou só eu que penso assim, o personagem Jericho Barrons ganhou um concurso virtual de romances sobrenaturais de melhor “Macho Alfa”. Não riam. É sério. Não dá para explicar, talvez seja sua frieza e segurança, ou todo o mistério que o envolve, o fato é que aqueles – e principalmente aquelas – que não o conhecem estão perdendo muito tempo.
Vejo nesta narrativa os elementos perfeitos para um filme, que com certeza faria sucesso! Soube que a Dreamworks havia comprado os direitos para o cinema, mas como não adaptaram no prazo máximo estipulado, os direitos voltaram para a autora, Moning.

Pg. 40 – Quando MacKayla entra na Barrons Livros e Miudezas pela primeira vez.

De fora eu esperava encontrar uma loja de livros e raridades charmosa e pequena com as dimensões de uma Starbucks em alguma universidade. O que eu vi foi um interior imenso, que abrigava uma coleção de livros que fazia a biblioteca que a Fera da Disney deu para a Bela no dia do seu casamento parecer incompleta.
A propósito, eu amo livros, muito mais do que filmes. Filmes lhe dizem o que você deve pensar. Um bom livro deixa você mesmo escolher alguns de seus pensamentos.

P.S. Sim, eu me identifiquei com MacKayla Lane. E amei isso.

E o livro Febre de Sangue (Livro Dois) é igualmente maravilhoso. 


domingo, 27 de outubro de 2013

Resenha Amante Vingado

Título: Amante Vingado
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 7

Livro indicado para quem:
- Gosta de vampiros e de sympathos
- Gosta de cenas picantes 
- Já leu os 6 primeiros volumes da saga

Resumo:

Rehvenge é o senhor das drogas de Caldwell, além de cafetão e, pior de tudo, sympatho. Por décadas, vem cedendo a chantagem de sua meia-irmã, o que vem o destruindo aos poucos. Esses pequenos detalhes sobre sua vida não são coisas que ele queira ver revelado à sua família, à glymera ou, à sua doce Ehlena, a única luz em sua vida nos últimos tempos. Para guardar este segredo e proteger àqueles que ama, ele irá até as últimas consequências. 


Resenha: 

Esperei muito, muito tempo, para que finalmente a história completa deste ser de moicano fosse contada. E valeu cada página virada. 
Rehvenge ou Reverendo, também possui complexo de salvador - não como o enfadonho Phury - pois sacrifica-se pelos que ama sem exitar e sem ficar choramingando pelos cantos. Ao longo do livro vamos percebendo a extensão desse sacrifício: sua mãe, sua irmã Bella, Xhex, a Irmandade, Ehlena... E ainda assim ele se acha uma pessoa indigna de amor e respeito, pelo simples fato de ser um devorador de pecados (sympatho). 
Por enquanto, este é o maior livro que li da Irmandade: são 719 páginas. Mas também, pudera, muita coisa acontece. Só para ter uma ideia:
Acompanhamos a lenta recuperação física e mental de um dos guerreiros, bem como passamos a conhecer um pouco melhor o personagem Lassiter, apresentado no final do Volume 6; "Presenciamos" a primeira noite de amor de um certo alguém, que é linda... e frustrante; Beth e Wrath sofrem uma grave crise no relacionamento; uma conspiração para matar o rei é arquitetada e uma tragédia se abate sobre a Irmandade; além de tudo isso, acontecem dois "sequestros", mas apenas um resgate.
Lash continua se fortalecendo mais do que nunca e finalmente a Irmandade percebe com o que está lidando. 
Finalmente entramos na Colônia, o local onde os sympathos se refugiam... e é bem angustiante!
Conhecemos também um novo personagem: Saxon. Ele só fez duas aparições, mas já gostei do personagem e sei que irá aparecer bastante na trama. 
Fora todo este pano de fundo, com o qual não tem como ficar entediado, o casal principal é bem bacana. Não o melhor de todos, mas na minha opinião ganham o 4º lugar. (Só para constar: 1º Wrath e Beth, 2º Zsadist e Bella, 3º Rhage e Mary). 
Ehlena é altruísta, amorosa, inteligente e boa, mas nem um pouco boba. Não demora muito para que ela perceba o homem vampiro que tem do seu lado, nem do que Rehv é capaz de fazer para protegê-la. 
A forma como é mostrada a esquizofrenia do pai de Ehlena é bem interessante, totalmente verossímil. Os detalhes, principalmente quando temos um vislumbre de como é a mente dele e a forma como Ehlena o trata, é bem tocante.
O final é totalmente alucinante e nos deixa prontos para correr e ler o volume 8. 

Pg. 429

Rehvenge fez uma pausa. E, em seguida, deixou-a extremamente chocada ao ajoelhar-se na frente dela. Quando ergueu os olhos, tinha um leve sorriso nos lábios. 
- Não entende, Ehlena. - Com suas mãos suaves, acariciou suas pernas e levantou seu pé, apoiando-o na coxa. Enquanto desamarrava os cordões de sua sapatilha, sussurrou: - Não importa o que vista... para mim, sempre terá diamantes na sola de seus sapatos. 

domingo, 20 de outubro de 2013

Resenha Amante Consagrado

Título: Amante Consagrado
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 6

Livro indicado para quem:
- Gosta de vampiros
- Gosta de cenas picantes não muito picantes
- Já leu os 5 primeiros volumes da saga

Resumo:

Phury, o Irmão celibatário da Irmandade da Adaga Negra, candidatou-se ao posto de Primaz das Escolhidas. Porém, esta aparente fuga disfarçada de ajuda ao Irmão Vishous, não aplacou sua deterioração emocional, pelo contrário, só serviu para acelerar sua autodestruição e apego ao vício. Ao mesmo tempo, a Escolhida Cormia, sua primeira companheira, luta para ajudá-lo a se reerguer e entregar seu coração, e isso não tem só a ver com honrar seu papel como Primaz da Raça. 



Resenha: 

Phury nunca me chamou a atenção. Talvez porque todas as vezes que eu ouço a descrição do personagem com seus "cabelos multicoloridos", eu imagino a Cindy Lauper. É, isso é bem bizarro. Mas é verdade. 
Pode ser também pelo fato dele sempre ter vivido em prol do irmão Zsadist, sem outro propósito na vida. Ou pelo fato dele precisar tirar força das drogas para continuar vivendo. O fato é que, apesar de ser um personagem bem construído, como todos os outros guerreiros, nunca me senti atraída pelas qualidades que ele reúne ou curiosidade pela sua história. 
No livro anterior, ele se ofereceu para ser o Primaz, para que Vishous não tivesse que se separar de sua shellan, Jane. Muito bonito, só que não. Foi mais uma fuga, na minha opinião, do que um gesto de solidariedade. 
Depois, o livro se arrasta desconcertadamente sobre a relação de Phury e Cormia que, pasmem, até que combina bastante com ele. Não sei, a relação deles foi bem sem emoção o tempo todo. 
O que salva é o pano de fundo, porque acontecem algumas coisas... 
A gravidez de Bella se mostra cada vez mais delicada, ameaçando a estabilidade psíquica de Zsadist. 
A paixão entre John Matthew e Xhex continua aumentando, mas seu segredo ainda o incomoda muito, paralisando-o. Quando este segredo ameaça ser revelado, uma sucessão de eventos parece mudar para sempre a vida de John, Qhuinn, Blay, Lash e - por que não dizer - de toda a raça vampira. 
A guerra contra a Sociedade Redutora faz muitas vítimas, obrigando que os "garotos" - John, Blay e Qhuinn - entrem no combate mais cedo que o esperado. Não preciso dizer que eles adoram essa parte. A amizade entre os três, apesar dos traumas e desentendimentos, é algo bonito de se ver. 
O desfecho fica por conta do novo rumo das Escolhidas e uma linda surpresa que eu aguardava há muito tempo. 

Pg. 141

Phury não queria detalhes, mas eles vieram mesmo assim, e as palavras que o Irmão (Vishous) proferiu estavam estranhamente claras para ele agora, como um disco que toca de novo: Eu vi você parado diante de uma encruzilhada em um campo branco. Era um dia de tempestade...sim, uma grande tempestade. Mas quando você pegou uma nuvem do céu e a enrolou em volta da fonte, a chuva parou. 
(...) 
Naquele dia, ele arrancou o lençol e usou-o para cobrir Cormia. E ela parou de chorar. Ela era a fonte... a fonte que ele deveria preencher. Ela era o futuro da Raça, a origem dos novos Irmãos e das Escolhidas. A nascente da fonte. Assim como todas as suas irmãs. 


domingo, 13 de outubro de 2013

Resenha Amante Liberto

Título: Amante Liberto
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 5

Livro indicado para quem:
- Gosta de vampiros
- Gosta de cenas picantes (incluindo sadomasoquismo)
- Já leu os 4 primeiros volumes da saga

Resumo:

Considerado o mais inteligente dos irmãos, Vishous, filho de Bloodletter, possui a maldição de prever o futuro e ler pensamentos, além de uma mão totalmente mortal. Isso, aliado ao fato de ter sido exposto por seu próprio pai a condições brutais na infância, o deixou totalmente insensível às emoções.
Quando um ataque de redutores o leva a ala de traumas coordenada pela cirurgiã Jane Whitcomb, seu coração parece bater pela primeira vez, desejando que ele possa ver um futuro bom para os dois.

Resenha:

O quinto volume da saga é dedicado a Vishous e a descoberta do amor e do verdadeiro prazer, com Jane.
Ao longo do livro, vamos vislumbrando o que foi a vida de Vishous, tendo sido criado por um pai brutal num acampamento de guerra. A descoberta de seus poderes (ou maldições), sua transição, os castigos impostos pelo pai e sua vida solitária, onde tudo que amava era irremediavelmente destruído, me fizeram ter a certeza de que ele é o guerreiro que mais sofreu. Até mesmo mais do que Zsadist. Isso explica sua personalidade fria e seus fetiches sexuais ousados, aliás, achei que essa parte seria bem pesada, mas até que a autora pegou leve nas descrições (ainda bem!).
Em comparação às outras shellans, Jane Whitcomb só tem mais carisma do que a Marissa, no entanto, achei que a personalidade dela combinou com o V: Ela é direta, inteligente e ama seu trabalho. Na verdade é a única que tem uma profissão que sentiria pesar em abandonar para viver com a Irmandade. O que cria um impasse entre os dois.
São 525 páginas de muitas revelações, algumas de deixar os cabelos em pé!
Ficamos por dentro de como funciona o Outro Lado (não é o Fade), onde “moram” as Escolhidas e a Virgem Escriba. Aliás, a Virgem Escriba ganha certa personalidade na narrativa, fica mais “real”.
Adentramos mais na personalidade do Phury, história que será abordada no próximo volume, mas já começa a se desenrolar neste.
Continuamos acompanhando o desenvolvimento e treinamento do John, e pela primeira vez em sua chata longa história, algo realmente acontece. Confesso que apesar de não curtir muito o personagem, estou curiosa. Afinal, quem é o John?
O Dr. Manuel Manello (que nominho...), amigo de Jane, promete fazer mais aparições em outros volumes. Não sei se isso é bom ou não, mas fiquei curiosa.
Confesso que quase chorei no final... Raiva, tristeza, indignação... Detestei a solução encontrada por Ward. Vishous merecia mais, por tudo o que ele passou. Foi sem graça. Morri com esse final.

Pg. 173

Ele apoiou os braços na cama e abaixou a cabeça. Ficou surpreso ao ouvir os sons de suas lágrimas. Teria sido melhor levar uma martelada.
Ele havia feito aquilo com ela.
De repente, ela se virou para ele e respirou profundamente. Exceto pelas marcas vermelhas a redor de seus olhos, ele não teria desconfiado de que ela estava chateada.
-Certo. Você consegue comer sozinho ou realmente precisa de ajuda para lidar com o garfo e a faca?
V. piscou.
Estou apaixonado, ele pensou ao olhar para ela. Eu me apaixonei.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Inquietudes: Palavra de amiga



Em homenagem aos meus amigos, mesmo aqueles que nem ao menos sabem que assim os considero. Clique neste link para ouvir uma linda música enquanto lê o post.  



Para mim cada amigo conquistado é como um fôlego a mais, uma vida a mais que preenche e ensina a minha. Como um rosto conhecido que aparece numa multidão esmagadora, numa rotina que nos reduz. Nessas horas infelizmente freqüentes, quando encontro um amigo não estou mais perdida. 

Reconheço ali um pedaço de mim, uma carne da minha carne que não possui meu DNA, porém, entende meus sentimentos ou, ainda, discorda de mim, fazendo com que eu enxergue verdadeiramente quem eu sou.

Se tem algo que aprendi nestes tempos difíceis, é que nunca devemos perder a oportunidade de dizer o quanto amamos alguém. Nunca. Dizer, dizer, redizer! Assim sendo, eu amo vocês! E quero dizê-lo porque a perda não é imposta unicamente pela morte. Muitas vezes, é a vida que separa de forma irrevogável. Mesmo que haja promessas enfáticas, mesmo que não se queira e se diga “Eu vou ligar!”, “Eu vou escrever!”, “Precisamos nos encontrar!”, “Vamos nos ver!”.


Às vezes a vida é preenchida tão completamente de coisas inutilmente mais importantes, estupidamente mais urgentes, tão previsivelmente imprevisíveis... Que quando nos deparamos com o concreto das horas e dos dias, passaram-se anos. Ah, maldosos relógios e calendários que espelham nosso descaso com as coisas realmente importantes!

E para dizer-lhes o quanto vocês foram e são importantes, que lhes escrevo essa mensagem. Porque vocês me sustentaram quando eu estive caída. E tentaram me alegrar diante da minha dor, e quando a dor era insuportável e não havia mais nada que pudessem fazer, choraram junto comigo. E mesmo quando nada mais podia ser dito, souberam respeitar o silêncio, e preencheram como puderam o vazio.

Porque um amigo não é aquele que sempre tem algo bom para dizer, mas aquele que faz tudo o que está ao alcance. E às vezes tudo o que está ao alcance é te pagar um sorvete ou te abraçar olhando o infinito... Ambos admitindo a impotência diante da vida e das circunstâncias das quais ela é feita.

E quando encontrarem essa mensagem perdida nas teias do tempo, e talvez a convivência já não estiver mais tão compartilhada como antes, saibam que tudo o que disse continua fazendo sentido, porque a amizade não é feita de frequência, mas de intensidade.

Vocês são anjos para mim.

Palavra de amiga,
Cíntia Mendes.