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domingo, 29 de setembro de 2013

Resenha Amante Desperto

Título: Amante Desperto
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos Livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 3

Este livro é indicado para:
Quem gosta de vampiros em cenas picantes;
- Quem tem certa afeição por sociopatas;
- Quem já leu os dois primeiros volumes da série IAN. 


Resumo:

Zsadist é o guerreiro mais atormentado e cruel da IAN. Seus atos macabros e ataques de fúria o fazem temido até mesmo entre seus Irmãos. Quando Bella o conhece, imediatamente sente-se atraída pelo ar selvagem que ele emana, especialmente quando Zsadist torna-se o salvador que a resgata das mãos dos redutores. Tendo em comum a tortura que sofreram, Bella luta para que Zsadist não enlouqueça em sua sede de vingança e para que possam assumir o amor que sentem um pelo outro. 

Resenha:

Maníaco. Selvagem. Sociopata. Violento. Essas são palavras usadas frequentemente quando estamos falando sobre Zsadist, o mais cruel e enlouquecido de todos os Irmãos. Quando Bella é sequestrada pela Sociedade Redutora, vemos suas características malignas serem multiplicadas por dez e é excitante perceber o quanto esta intensidade é aplicada também quando ele lida com o amor e a paixão que sente por Bella.
É claro que no início ele nega o fato e, como todos os outros guerreiros da Irmandade, não se acha merecedor e/ou digno de tal benção. O que é muito fofo, aliás. Embora depois de um tempo seja um saco ver uma pessoa inteligente usando a sua força para lutar contra algo que é absolutamente inevitável. Aliás, esta é a única coisa no mundo que este poderoso guerreiro não está apto a enfrentar: seus verdadeiros sentimentos. 
Bella, por sua vez, nunca negou seus sentimentos e, embora assustada com a intensidade deles, está disposta a enfrentar a insegurança, o medo da rejeição, a Glymera e até a sua própria família, para desfrutar daquilo que ela sabe que lhe trará a verdadeira felicidade: conquistar o coração deste guerreiro e lhe aplacar todos os traumas. 
O amadurecimento da personagem é palpável e os jogos psicológicos aos quais é submetida em cativeiro, apesar de quase a enlouquecerem, só a deixam mais forte e mais interessante. 
A dor e o trauma os une de certa forma, embora Bella consiga lidar e superar as coisas com mais facilidade do que Zsadist, que ainda se consome pelo rancor e pela vingança. Conforme vamos tendo vislumbres de seu passado como escravo de sangue, entendemos o porquê de cada característica que o assola, como: sentir-se sujo, não querer que ninguém o toque, não gostar de se alimentar, não permitir-se dormir na cama, guardar um crânio em seu quarto, etc, etc, etc. Tudo tem de fato uma justificativa. 
A pena que passamos a sentir do personagem consegue fazer com que ele seja ainda mais digno de respeito e afeição, o que nos leva a querer fazê-lo acordar e viver a vida plenamente. 
Afora o relacionamento de Bella e Zsadist, que domina toda a trama do livro, ainda lidamos com John Matthew e suas descobertas no mundo dos vampiros. Vivendo com Tohr e Wellsie, John passa a descobrir sua própria natureza, embora hajam muitos segredos a serem revelados sobre a sua verdadeira origem. 
A guerra contra os redutores continua de forma implacável, levando a duas perdas terríveis para a Irmandade. Simplesmente não dá para acreditar no que aconteceu. Sofri. 
O livro termina com um ar de desolação e insegurança em relação ao futuro. O que obviamente dá vontade de continuar lendo a série e correr para o 4º volume.



domingo, 22 de setembro de 2013

Resenha Amante Eterno

Título: Amante Eterno
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos Livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 2

Este livro é indicado para:
Quem gosta de domar feras na base do carinho;
- Quem gosta de cenas picantes com vampiros;
- Quem já leu o primeiro volume da série IAN. 


Resumo:

Rhage é o guerreiro mais voraz da Irmandade da Adaga Negra, tanto como lutador quanto como amante. A fera que vive em seu interior foi aprisionada pela Virgem Escriba para puni-lo, e embora ajude durante as batalhas, o debilita. Mary também é uma lutadora, e também se sente aprisionada em uma maldição que parece nunca ter fim. Quando conhece Rhage, a atração é mútua, e embora ela não entenda e resista, sabe que não tem mais volta. Mas como conseguirão ficar juntos, com duas maldições agindo contra eles?

Resenha:

Acho que essa foi a primeira vez que li uma série na qual a continuação (volume 2) dava enfoque em outros personagens e, devo dizer, no começo foi estranho. É mais ou menos como quando fazemos novas amizades: todas agregam, mas uma pessoa não substitui a outra e no começo é inevitável comparações. 
Fiquei com uma saudade do Wrath e da Beth (Amante Sombrio) nas primeiras páginas... mas logo me deixei envolver, afinal, não é qualquer um que resiste a um Rhage. Além disso, a Beth e o Wrath até fazem umas participações especiais, com suas novas ocupações como Rei e Rainhas dos vampiros. 
Gostei muito da Mary: guerreira, humanitária, corajosa... além do que, ela não é nenhuma beldade, é uma mulher "comum" que, portanto, demonstrou um grande feito conquistando aquele que é considerado o mais belo e galinha sedutor entre os Irmãos. 
O Rhage que Ward nos mostra neste volume é profundamente diferente do volume 1, onde ele é apresentado como um ser fútil, que só se importa com sua aparência e em "pegar mulher". Descobrimos porque ele tem determinados tipos de comportamento e porque é o único dos Irmãos a poder se transformar na "besta" quando fica irritado. 
A primeira vez que ele e a Mary se veem é de tirar o fôlego e logo daí já começamos a ter uma ideia do quanto a coisa vai ferver.
No primeiro encontro dos dois, num restaurante, fiquei deliciada com a química entre os personagens. Ela lá, toda modesta (com baixa auto-estima), querendo se livrar dele logo e o Rhage fazendo mil planos, interessado nela. 
As cenas hot entre os dois são mais apimentadas do que as do casal do primeiro volume, pois Rhage é um amante diferente, que gosta muito de falar tudo o que vai aprontar com a "pobre" Mary e a "coitadinha" fica desnorteada...rs.
O que mais me deixou tensa na relação dos dois foi o fato da Mary ser humana, pois quem leu o primeiro livro sabe que na série de Ward, os humanos não podem ser convertidos em vampiros e que sangue de humano não sustenta os vampiros, logo, como é que eles iam fazer a respeito disso? Pois é, mas gostei da solução apresentada pela autora e isso é absolutamente tudo o que posso revelar. 
Além da história entre Mary e Rhage, somos apresentados a outros personagens, que desempenharão importantes papéis nos próximos livros da IAN, como John e Bella, e também nos aprofundamos um pouco mais no personagem Zsadist, cuja história será retratada no próximo volume (Amante Desperto).
O final rende boas surpresas, e desperta muito a nossa curiosidade sobre o que acontecerá no próximo livro. 

Pg. 178 e 179

Ali estava aquela fêmea humana, que não tinha nem a metade de seu peso, que estava doente, que acabava de saber que havia um vampiro em sua casa...e estava preocupada em protegê-lo. 
(...)
- Não precisa se preocupar - disse ela ternamente -, não deixarei que ninguém se aproxime de você hoje. Está seguro. 
Ah, inferno. Ela o deixava todo derretido. De verdade. 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Resenha Venha ver o pôr do sol


Título: Venha ver o pôr do sol e outros contos
Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora: Ática

Livro indicado para quem:
- Gosta de ler contos
- Curte histórias sombrias
- Sabe ler nas entrelinhas

Resumo:

Nos oito contos reunidos neste livro, o leitor se depara com situações insólitas: um noivo que esquece que é o dia de seu casamento e com quem vai se casar; um estranho convite para ver o pôr do sol em um cemitério; uma tarde no cinema com a mãe, que leva um menino a se deparar com a realidade; a amizade entre um cachorro e um menino órfão.
Situações comuns, com pessoas insólitas ou, situações insólitas, com pessoas comuns, que são um verdadeiro raio-x da alma humana, nas mãos de Lygia Fagundes Telles.
 
Resenha:

Este volume reúne oito contos retirados dos livros “Meus contos preferidos” (Rocco, 2004) e “Meus contos esquecidos” (Rocco, 2005) da imortal da Academia Brasileira de Letras, Lygia Fagundes Telles.

Tendo bebido confessadamente de autores sombrios como Lovecraft, Edgar Allan Poe e Álvares de Azevedo, é possível ver essa influência em contos como “Venha ver o pôr do sol”, “As formigas” e “O jardim selvagem”, por exemplo. Embora fique muito claro que a autora tem uma linguagem própria, sempre perseguida por ela.

Sua narrativa já começa no meio da ação, mas o leitor situa-se facilmente, dada a sua clareza e precisão de escrita. Faz parte do seu estilo também, encerrar a narrativa sem muitos preâmbulos, sem explicitar julgamentos sobre as ações dos personagens, deixando o leitor em sua busca de significados próprios.

Os contos de Lygia nunca oferecem respostas, pelo contrário, ao chegar ao ponto final, estamos tomados de muitas perguntas e esta inquietude provocada oferece muito mais da alma humana do que tratados inteiros.

O comportamento humano é desnudado de forma poética, e ficamos nos perguntando se queremos cobri-lo novamente. Mais que isso, se conseguiríamos cobri-lo novamente.
 

Pg. 37 – Em “Venha ver o pôr do sol”

-Uma réstia de sol vai entrar pela frincha da porta, tem uma frincha na porta. Depois vai se afastando devagarinho, bem devagarinho. Você terá o pôr do sol mais belo do mundo.

 

domingo, 15 de setembro de 2013

Resenha Amante Sombrio

Título: Amante Sombrio
Autora: J.R. Ward
Editora: Universo dos Livros
Série Irmandade da Adaga Negra, Vol. 1

Este livro é indicado para:
- Quem gosta de séries longas (aproximadamente 10 volumes);
- Quem gosta de cenas picantes;
- Quem gosta de vampiros.

Resumo: 

Beth Randall sempre sentiu-se deslocada, sem saber exatamente o porquê. Quando um desconhecido entra em sua pacata vida de jornalista em Caldwell, prometendo contar-lhe a verdade sobre si mesma e seus pais, Beth tenta resistir, mas é impossível. Wrath, o líder da Irmandade da Adaga Negra, é um guerreiro vampiro, e sua tentativa de ajudar Beth a passar pela "transição" (de mestiça a vampira) parece conduzir ambos a uma paixão incontrolável. 


Resenha:

O primeiro volume da série Irmandade da Adaga Negra nos apresenta a um submundo, em Caldwell, onde se desenrola uma guerra. De um lado a Irmandade da Adaga Negra: um grupo de seis vampiros guerreiros (Wrath, Rhage, Zsadist, Phury, Tohrment e Vishous); do outro lado os redutores: seres que já foram humanos, mas venderam suas almas para praticarem o mal livremente e lutam pela extinção dos vampiros. 
O foco maior, no entanto, é na relação entre Beth Randall e Wrath, o líder da IAN. Wrath é autoritário, arrogante e orgulhoso, mas a melhor definição para sua personalidade foi dada por Tohr, "Ele é uma força da natureza" (Pg. 189). 
Beth, por sua vez, é uma mulher orgulhosa e independente, e esse choque de personalidades faz o relacionamento dos dois pegar fogo. As cenas picantes são exatamente isso: bem picantes!
As mulheres mais feministas podem sentir-se incomodadas com algumas características do universo IAN, como por exemplo:
Os vampiros possuem características mais animalescas: se tratam por macho/fêmea; vampiros machos podem ter mais de uma companheira (o contrário não ocorre); quando um vampiro macho e uma vampira fêmea se "vinculam", o macho solta um odor para "marcar" sua companheira. 
Essas peculiaridades dos vampiros criados por Ward dão um tom machista a trama que, se não for encarado sem pudores, não funciona. Tem que entrar na brincadeira!
Todos os personagens criados por Ward são bem marcantes e possuem características muito específicas, que deixam o livro verossímil. E isso levando em consideração que estamos lidando com uma ficção aonde os personagens principais são vampiros e seus inimigos cheiram a talco de bebê! (Achei bizarro esse fato...)
Este livro é de vampiros, mas  não é voltado para o público adolescente. O conteúdo é bem adulto, e não só pelas cenas de sexo, mas pelos próprios personagens, que são maduros e enfrentam situações mais complexas, o que carrega a atmosfera da trama com um ar sombrio e sensual, e nada, nada adolescente!
Eu diria que é um livro (aliás, uma série) do tipo "Ame ou odeie". Aqueles que conseguem deixar seus preconceitos e pudores de lado, conseguem viajar no universo paralelo criado por J.R. Ward e se divertir. Quem não conseguir fazer isso, vai odiar. Eu me diverti muito!



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Inquietudes: Verdades sobre o transporte público em São Paulo


Eu peguei essa linha aqui por muitos anos...Sem comentários!


A) O transporte público em São Paulo é a 1ª etapa de um exercício de paciência.
B) Todos que possuem condições financeiras desistem desta parte do exercício rapidinho e partem para a 2 ª etapa, que é andar de carro num trânsito como o de São Paulo.
C) As pessoas da primeira etapa do exercício de paciência tentam consolar-se na sua desgraça de não ter condições financeiras, dizendo que o trânsito é o mesmo para o transporte público e para o transporte particular.
D) Essas pessoas, no íntimo sabem que, trânsito é trânsito, mas faz uma diferença enorme estar sentado, com o ar condicionado ligado, ouvindo uma boa música e sem ninguém suado e/ou fedido se encostando em você, falando com você ou pisando no seu pé e, na pior das hipóteses, as três últimas opções ao mesmo tempo.
E) As autoridades afirmam que o cidadão que pensa no coletivo utiliza transporte público.
F) Quem utiliza transporte público sabe que é muito difícil pensar no coletivo, muito mais quando o coletivo está lotado, as janelas estão fechadas e tem uma senhora no banco da frente relatando para a amiga (em alto e bom som, para quem quiser e para quem não quiser ouvir), todo o processo de cura da sua frieira.
G) As autoridades que costumam afirmar o que foi citado no item E possuem no mínimo 02 carros na garagem.
H) Há uma evolução na criação dos novos modelos de ônibus, onde a cada dia eles conseguem armazenar mais pessoas em seu interior, contribuindo assim com o deslocamento dos paulistanos.
I) Nestes modelos citados, notamos uma abreviação no número de assentos. A previsão é de que até 2016, até mesmo o motorista e o cobrador devam ir em pé, gerando com isso espaço para mais 06 passageiros por ônibus e por viagem.
J) Se você não conseguiu imaginar o ônibus descrito acima, vai uma dica: ele se assemelha e muito àqueles caminhões que transportam gado. A diferença em questão é que o novo gado costuma conversar enquanto são transportados relatando processos de cura de frieiras, etc.
K) As autoridades veem os passageiros de transporte público como animais.
L) A grande maioria acaba aceitando a idéia e se comportando de acordo.
M) Pessoas preocupadas com o meio ambiente e autoridades estatais tem uma única coisa em comum: concordam que boas soluções para o trânsito das grandes cidades partem de políticas para o transporte alternativo como, por exemplo, as bicicletas.
N) Os primeiros citados no item acima tentam fazer sua parte arriscando suas vidas ao ir para o trabalho de bicicleta. Os segundos citados no item acima fazem sua parte cuidando para que as verbas destinadas às ciclovias sejam desviadas para suas contas particulares, onde serão utilizadas para comprar mais carros para si e seus familiares.

O) Estou farta. Muito farta. 


*Texto publicado originalmente no Blog Largue o Verbo! Prestigiem, pois vale a pena largar o verbo sempre! 


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Resenha Ganância

Título: Ganância
Autora: Martina Cole
Editora: Record

Este livro é indicado para:
- Quem não se importa em ler coisas violentas;
- Quem gosta de ler coisas violentas;
- Quem não vomita ao ler coisas violentas. 


Resumo:

Depois de passar seis anos na prisão, Freddie Jackson acredita que conseguiu reunir qualidades suficientes para ser o novo dono das ruas da cidade de Essex. Seu primo Jimmy tem sido um ótimo discípulo e, junto com outros aliados, darão a Freddie o poder que ele tanto deseja. Jackie, esposa de Freddie, preferia ver o marido atrás das grades do que envolvido em confusões com  outras mulheres. Já sua irmã, Maggie, é seu oposto: apesar de amar Jimmy, jamais aceitaria suas traições e lutará com determinação para que sua vida não seja uma réplica da vida da irmã.

Resenha: 

O livro de Martina Cole também poderia se chamar "Violência" ou "Inveja" que, junto com a "Ganância", são os catalizadores de todas as ações dos personagens. 
Este livro é totalmente ácido, algumas páginas são realmente de virar o estômago, principalmente porque, assustadoramente, essa é a mais pura realidade. 
Freddie, Jackie, Jimmie, Maggie e todas as outras pessoas de seu convívio, vivem num mundo à parte: o submundo do crime. Prostituição, drogas, corrupção, queima de arquivo, assassinatos brutais, infidelidade... tudo é tratado exatamente como são: corriqueiros. 
É uma história sem heróis, com personagens humanamente possíveis - embora visivelmente psicóticos e doentios - e tudo o que podemos fazer é lutar para que eles tomem as melhores decisões possíveis dentro das circunstâncias. 
Os vícios externos (alcoolismo e drogas) e os internos (obsessão, violência) se repetem, num ciclo, onde tudo é justificável para manter a lealdade e a honra da família. As drogas que levam à psicopatia, que leva ao assassinato, que induz a omissão, que gera mais violência. 
Todos os personagens foram muito bem construídos, tão profundos quanto possível, e passamos a entendê-los perigosamente bem, numa compreensão que beira à doença. Nos pegamos encontrando justificativas para seus atos de brutalidade, torcendo pela sua rendição. 
Tudo o que posso dizer é que me senti aliviada quando cheguei a última página, pois eu já estava me ajustando bem demais à história. 

Pg. 429

Naquela tarde, Lena dissera-lhe uma coisa muito verdadeira. Dissera-lhe que aquele era o tipo de sofrimento que fazia alguém compreender o que realmente era importante na vida. Quando se pensava nas coisas que tinham parecido importantes antes da tragédia, subitamente se percebia que elas não eram nada no grande esquema das coisas. As tragédias serviam para mostrar que a vida é apenas uma série de eventos, nada mais que isso, e que você não tem nenhum poder real sobre ela. Você apenas pensa que tem. 

domingo, 8 de setembro de 2013

Resenha A caminho da sepultura



Título: A caminho da sepultura
Autora: Jeaniene Frost
Editora: Novo Século

Este livro é indicado para quem:
-Gosta tanto de vampiros quanto de seus caçadores; 
-Gosta de ação (com direito a cenas de lutas); 
-Gosta de cenas picantes.

Resumo:

A vida da meia vampira Catherine Crawfield consiste em, basicamente, caçar e matar vampiros, sonhando com o dia em que uma dessas caçadas a levará ao seu odioso pai, quando então concluirá sua vingança. Em vez disso, no entanto, acaba sendo sequestrada por Bones, um sedutor e perigoso vampiro, que ganha a “vida” como caçador de recompensas. Num pacto de ajuda mútua, Cat e Bones começam a ficar cada vez mais próximos, para deleite de Bones e preocupação de Cat. Perseguidos por assassinos, Cat tem que tomar uma decisão enquanto tenta resistir ao charme do companheiro de treinamento e aventuras.

Resenha:

Não sinto muita vontade de resenhar livros dos quais eu não gostei, pelo mesmo motivo que não consigo ter uma conversa longa sobre um filme que acho muito chato: não rola. Minha exasperação acaba sendo tão grande que tenho medo do meu senso crítico ser abalado. Neste caso, resolvi que valia a pena tentar por considerar uma prestação de serviço para a sociedade. 
Achei esse livro um insulto à inteligência dos leitores, não pela história (que eu vou comentar a seguir), mas pela qualidade da revisão/tradução: péssima. São encontrados erros de digitação e até de português (Ex: Sinto de segurança) salpicados por todo o texto. E isso me incomodou tanto que eu até perdi o tesão na história. Quando compramos o livro de determinada editora, é porque confiamos na sua credibilidade, mas a editora Novo Século me fez ter dúvidas em relação a isso, e olha que eu já havia comprado outros livros dessa editora (Marcada, Os sete, Sétimo, Bento, Febre Negra, Febre de Sangue...) e não havia tido problema algum. Bem, algo aconteceu dessa vez, e fiquei tão chateada que assim que terminei o livro me desfiz dele e agora estou tendo que resenhá-lo apenas com o que me lembro!
A capa, bem como o título deste livro, me chamou a atenção, mas foi por ter lido as orelhas que eu o comprei. Descrevia uma pegada caça-vampiros acrescido de pitadas sensuais, o que lembrou um pouco a série Anita Blake.
Realmente o Bones é um personagem bacana, mas não o mais excepcional com o qual já flertei, prefiro o próprio Jean-Claude, de Prazeres Malditos.
Além disso, achei a “pegada sensual” do livro apelativa demais, até mesmo grosseira. Veja bem, não sou literariamente puritana, até sou fã de séries mais calientes (como a Irmandade da Adaga Negra, para citar só um exemplo), mas acho que tudo tem limite, e prefiro cenas hot com um teor menor de baixaria. Me senti meio “Ei, isso aí já é demais”, durante quase toda a leitura. O final do livro me deixou com um sentimento ambíguo: revoltada pela decisão da Cat e curiosa para saber a continuação, mas muito chateada com todos os erros que descrevi inicialmente.
Acho que dessa vez minha curiosidade não será maior do que o meu orgulho e não pretendo gastar meu suado dinheirinho com a continuação da série, mas para aqueles que curtem a pegada desse tipo de livro, tentem comprar uma edição mais atualizada, quem sabe se pelo menos já corrigiram os erros de português. 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Resenha O Amigo do Rei


 
Título: O amigo do rei
Autora: Ruth Rocha
Ilustradora: Cris Eich
Editora: Salamandra

O livro conta sobre a amizade de dois meninos da mesma idade: Matias e Ioiô. Apesar de amigos, Matias era escravo de Ioiô, então, nas brigas dos meninos, Ioiô tinha sempre razão. Mesmo assim Matias não ficava triste, pois sabia que um dia ia chegar sua hora: a hora de ser rei, conforme contavam os velhos sábios. 


Essa história se passa no Brasil, no triste tempo da escravidão e, mesmo assim, o livro consegue ser leve e muito bonito. Com uma mensagem sobre respeito e esperança.

domingo, 1 de setembro de 2013

Resenha Prazeres Malditos


Título: Prazeres Malditos
Autora: Laurell K. Hamilton
Editora: Rocco
Série Anita Blake, Vol. 1

Este livro é indicado para quem:
-Gosta de vampiros;
-Gosta de caçadores de vampiros;
-Não curte donzelas em perigo.

 Resumo:

Anita Blake é uma caçadora de vampiros tão boa que é conhecida em seu meio como “A Executora”. Além disso, ela é uma ressuscitadora, ou seja, tem a habilidade de reviver os mortos. Em Saint Louis, onde vive Anita, diversos seres sobrenaturais convivem com humanos e desde que a Suprema Corte concedeu aos vampiros direitos iguais, o séquito de seus adoradores tem aumentado cada vez mais. Quando assassinatos misteriosos de vampiros começam a ocorrer, apenas Anita Blake pode ajudar os vampiros a solucioná-los e, embora contra a sua vontade, ela acaba ajudando a vampira-mestra da cidade, Nikolaos, e o perturbante vampiro Jean-Claude.

Resenha:

Este é o primeiro livro da série Anita Blake e somos apresentados a uma nova realidade, onde vampiros, zumbis, demônios e outros seres sobrenaturais convivem com os seres humanos. Em alguns momentos a história me lembrou da série “Sookie Stackhouse” – que amo muito - pois possui elementos como ligas pró e contra vampiros, igrejas e boates de vampiros, além, é claro, do fato das pessoas conviverem com os seres da noite abertamente. Nesta série – bem, pelo menos neste livro, que foi o único que li até agora – não fica tão claro como se deu a revelação dos vampiros e outros seres, se é algo que sempre ocorreu, etc. O vácuo já começa com a história da protagonista, que é embutida de sombras. Nem mesmo sabemos como ela se tornou uma ressuscitadora – ela comenta algo sobre ter sido treinada, mas não sabemos como, nem quando, nem por quem. Creio que estes mistérios serão revelados ao longo da série, porque o que pude perceber é que a personagem é extremamente desconfiada e ela narra sua história em primeira pessoa, então acho que ela não sai entregando tudo de mão beijada assim...rsrs...nem mesmo para os leitores!
A personalidade da Anita é um show à parte: determinada, forte, fria, sarcástica, cheia de atitude, sabe usar armas brancas e de fogo como ninguém e é absolutamente muito precavida.
O livro tem um clima de histórias de detetives/policiais - o que não é tão comum nesse universo “seres sobrenaturais” - pois, além de trabalhar numa agência de caçadores de vampiros e ressuscitadores, Anita ajuda a polícia a desvendar crimes nos quais os seres da noite estejam envolvidos, pois é obviamente uma especialista no assunto. Aliás, “ressuscitador” é o termo utilizado para distinguir as pessoas que nascem com a habilidade de reviver os mortos por alguns dias, para que pendências do morto ou crime sejam solucionadas. É uma profissão. Achei o ritual de ressuscitação um pouco bizarro, pois envolve um lance de sacrificar animais e tal, mas tenho que reconhecer que é inovador.
Como não podia deixar de ser, a história tem um galã vampiro, se é que se pode chamar assim. Jean-Claude é o típico vampiro francês: Charmoso e extremamente másculo, mesmo trajando camisa de renda e babados (e isso não é para qualquer um!). Seus métodos de sedução não extrapolam os limites da elegância – apesar de ultrapassar os limites da ética – e tenho que reconhecer que o “ma petite” empregado por ele sempre que vê a Anita é algo bem fofo. A relação entre os dois, no entanto, mais parece uma queda de braço e, para ser sincera, não é muito o foco do livro, e sim apenas mais um de seus elementos. Então não espere ver muitas cenas românticas envolvendo o casal (aliás, quase nada envolvendo o universo Blake é lá muito romântico). A história é recheada de ação (Anita luta bastante), suspense (Como ela vai sair dessa viva?) e mistério (O que vem matando os vampiros?), entremeada de algumas cenas sensuais e alguns dramas, mas o que mais me chamou a atenção na narrativa foi o jeito como a Anita conta tudo: com muito sarcasmo! O humor negro da personagem me matou de rir. E eu amo rir.

Pg. 29

As luzes se apagaram. Gritos ecoaram por todo o lugar, altos e estridentes. Um medo verdadeiro por um instante. A voz de Jean-Claude surgiu em meio à escuridão.
- Sejam bem-vindos à Prazeres Malditos. Nossa obrigação é servi-los. É tornar realidade suas fantasias mais diabólicas.
A voz dele parecia um sussurro sedoso naquele início de madrugada. Caramba, ele era bom!
- Já imaginaram como seria sentir minha respiração sobre a pele? Meus lábios na nuca. O forte roçar de dentes. A dor aguda e doce das minhas presas. Seu coração batendo freneticamente contra meu peito. Seu sangue fluindo para as minhas veias. Você se dividindo. Dando-me vida. Sabendo que eu, de verdade, não conseguiria viver sem você. Sem cada centímetro de você.
Talvez tenha sido a intimidade da escuridão. O que quer que tenha sido, senti como se a voz dele estivesse falando exclusivamente para mim. Comigo. Eu era a sua escolhida. Sua especial.

Pg. 107

 “Não vou machucá-lo...” Ele tinha se suicidado para escapar! Contudo, nem sequer o túmulo foi abrigo o suficiente. Antes de passar o que passei esta noite, eu teria dito que nenhum ressuscitador reviveria um morto para tal propósito. Às vezes, gostaria de fingir que não sei o quanto este mundo é um lugar ruim.

Pg. 151

Lembrei-me da época em que a pessoa que tinha dezoito anos era adulta. Eu achava que sabia de tudo. Já tinha cerca de vinte e um quando percebi que não sabia nada sobre nada. Continuava sem saber de nada, mas me esforçava bastante. Às vezes, isso é o melhor que se pode fazer. Talvez o melhor que qualquer um possa fazer. Nossa, como fico descrente da humanidade pela manhã!