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domingo, 29 de dezembro de 2013

Resenha Os meninos da rua Paulo

Título: Os meninos da rua Paulo
Autor: Ferenc Molnár
Editora: Cosac Naify


Este livro é indicado para quem:
-Gosta de histórias singelas
-Ri lendo e não se envergonha disso
-Chora lendo e não se envergonha disso
Resumo:

A clássica novela do autor húngaro Ferenc Molnár relata a disputa de dois grupos rivais de adolescentes (ou pré-adolescentes, não dá para saber ao certo). Eles lutam pelo direito de utilizar para suas brincadeiras um terreno em uma rua de Budapeste e, neste ambiente conflituoso, cheio de regras por vezes descabidas, mas levadas ferreamente a sério, vamos conhecendo o perfil psicológico destes meninos que, como tantos outros, buscam apenas seu espaço no mundo.

Resenha:

Nunca pensei que um livro que me fez sorrir o tempo todo pudesse me fazer chorar no final, sem nenhum aviso prévio. Ok, pode ter sido ingenuidade minha, mas não vi sinais de drama ao longo do livro, embora a singeleza da narrativa tenha me emocionado. 
A história destes garotos pelejando por um terreno para brincar, pode parecer boba no início, mas é nessa simplicidade que a qualidade do texto se mostra. 
Os meninos da rua Paulo é uma história sobre crianças brincando. Brincando de guerra. Brincando de crescer. Brincando de levar as coisas à sério. A maioria dos meus sorrisos foram arrancados assim, enquanto percebia naqueles trejeitos de adulto, uma inocência tipicamente infantil. Uma seriedade exacerbada sobre coisas triviais. 
Os meninos da rua Paulo viviam sob rígidas regras, impostas pela sociedade da época, principalmente exemplificada na instituição educacional, mas as regras talvez mais importantes eram as indicadas nos autos da própria "Sociedade do Betume", grupo do qual a maioria dos meninos da rua Paulo faziam parte.
Não gosto de ficar fazendo interpretações profundas demais sobre o significado da história, pois acredito que cada um lerá nas entrelinhas a partir da sua própria visão de mundo, o que gerará variadas interpretações - nenhuma delas sendo mais verdadeira que a outra. Mas é impossível não comentar como ficou nítido para mim, lendo sobre essa "guerra infantil", o quanto nossas guerras reais são ridículas. E injustas, claro. Tudo está lá: os fortes oprimindo os fracos, não porque são mais fortes, mas porque emanam uma autoridade inata; as injustiças cometidas quando damos mais valor a burocracia do que às pessoas e as suas urgências; os atos de coragem solitários, que definem guerras e independem de patentes; e como sempre, absolutamente sempre, os mais inocentes e os mais corajosos são os primeiros a caírem. 

Pg. 76

- Pois é - acudiu um dos Pásztor. - Fazemo-lo para termos um lugar onde jogar péla. Aqui não é possível, e na rua Eszterházy é preciso sempre brigar pelo espaço... Precisamos de um terreno para jogar péla, e acabou-se. 
Assim, decidiram a luta por motivo semelhante ao que desencadeia as guerras de verdade. Os russos precisavam de mar, por isso atacaram os japoneses. Os camisas-vermelhas precisavam de um terreno para jogar péla, e, como não havia outro jeito, iam recorrer à guerra. 

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