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domingo, 30 de novembro de 2014

Resenha Extraordinário

Título: Extraordinário
Autor: R. J. Palácio
Editora: Intrínseca

Livro indicado para quem:

- Gosta de livros infanto-juvenis;
- Precisa trabalhar as diferenças, bullying;
- Quer se emocionar.

Resumo:

Começar em uma escola nova é difícil para todo mundo. Imagina então se você nunca tivesse estudado em uma escola normal antes? August Pullman está numa fase complicada de sua vida. Ah, vamos ser sinceros, a vida de Auggie é complicada desde que ele nasceu. Portador de uma síndrome rara, cuja sequela é a deformidade facial, Auggie passou por diversas provações desde que nasceu. E só espera que a entrada no Fundamental II não seja a mais difícil delas.

Resenha:

Eu comecei a ler este livro sem muitas pretensões, não esperava que fosse muito bom ou que fosse me tocar, porque, afinal, o que mais tem aparecido nos últimos tempos são histórias sobre adolescentes passando por traumas ou histórias tristes, e tudo demais enjoa, certo? Errado. Neste caso, pelo menos. 
Meu primeiro erro foi achar que esta fosse uma história triste. Concordo, deformidade facial, bullying... parece meio pesado, e é. Mas a autora escreveu personagens incríveis que lidam com tudo isso da melhor maneira possível. O livro não é sobre um garotinho triste por ser deformado e zoado na nova escola, é sobre como a síndrome do Auggie influenciou a vida de todos ao redor dele: família, vizinhos, amigos, colegas de escola, professores... 
Essa influência na vida de todos ao redor já podia ser prevista, mas quando lemos o ponto de vista de tantos outros personagens é que ela de fato pode ser medida. 
Devo dizer que o meu ponto de vista favorito foi mesmo o do August, não só por ele ser o personagem principal e estar por dentro de tudo, mas pela forma como ele enxerga o mundo. Ele sente, sofre, mas não fica se lamuriando. Ele apenas vê as coisas como elas são, sem drama. Até com cerca ironia, e isso deixa as coisas bem interessantes. Essa é uma característica marcante do livro, as pessoas vão descrevendo tudo com muita verdade, sem frescuras politicamente corretas. Demonstra bem como, às vezes, as crianças podem ser bem cruéis. Como pessoas boas podem ser, às vezes, pessoas bem cruéis. E esse caráter realista do livro, que não poupa o leitor, me cativou. As coisas só não são mais duras porque com a mesma frequência com que vemos as cenas cruéis, vemos as cenas de amor, solidariedade, gentileza. 
A família do Auggie é um caso à parte... são os pais que todos queriam ter, como um peso equilibrando a balança do universo. 
A escrita de Palácio é muito poética, memorável, eu diria. Comecei a marcar as passagens que mais me agradaram ou me tocaram e, quando vi, o livro todo estava marcado com post-its. Tentei colocar abaixo só alguns destes trechos.

Pg. 11
Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu. Aliás, o meu nome é August. Não vou descrever minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, porque provavelmente é pior. 

Pg. 72
Seus feitos são seus monumentos.
(...)
Esse preceito significa que deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como os monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as pirâmides que os egípcios construíram para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra, são feitas de lembranças que as pessoas têm de você. Por isso nossos feitos são nossos monumentos. Construídos com memórias em vez de pedra.

Pg. 80
Para mim, o Halloween é a melhor festa do mundo. Melhor até do que o Natal. Posso usar fantasia. Usar máscara. Posso andar por aí como qualquer outra criança fantasiada e ninguém me acha estranho. Ninguém olha para mim duas vezes. Ninguém me nota. Ninguém me reconhece. 
Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem a máscara. 

domingo, 23 de novembro de 2014

Resenha A avó adormecida

Título: A avó adormecida
Autor: Roberto Parmegianni
Editora: DSOP

Este livro é indicado para quem:

- Precisa trabalhar sobre a perda;
- Gosta de histórias melancólicas;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Este livro fala de um menino e de sua avó. Fala de esquecer e de lembrar, de estar e de partir. Fala de pães, pipas, sopa de flores, convite para ir à lua. É também uma história de amor. Um amor tão imenso que é capaz de fazer uma criança desaparecer dentro dele!

Resenha:

Como explicar o quanto este livro é tocante? Tudo nele é adorável: a avó com cabelos de bola de algodão, a explicação da mãe do garoto em relação à doença da avó, o amor dos dois, o final... É um livro melancólico, como só os livros verdadeiros podem ser. Nos traz aquele sentimento de finitude, mas ao mesmo tempo nos faz querer aproveitar cada vez mais a vida e o amor daqueles que nos cercam. 
As ilustrações de João Vaz de Carvalho são simples e muito doces, combinando muito bem com o texto. 
O autor - Roberto Parmegianni - é o mesmo do livro A lição das árvores, ganhador do prêmio "Os 30 melhores livros infantis da Crescer 2014". E se a referência não for boa o suficiente, basta saber que ele escreveu este livro para a sua avó e baseado na infância dele, o que explica a carga de sensibilidade que o texto carrega: "Este texto fala dela e fala de mim, de quem eu era, de quem eu sou e de quem eu quero ser."

Pg. 21

Minha avó dorme o dia todo, e eu sinto muita falta dela. Para que não se sinta sozinha, todas as tardes, eu vou me sentar em seu quarto . Leio para ela o seu livro preferido. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Resenha A lição das árvores


Título: A lição das árvores
Autor: Roberto Parmegianni
Editora: DSOP

Este livro é indicado para quem:

- É educador;
- Quer ou precisa conversar sobre as diferenças;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Enrico tem sempre alguma pergunta pra fazer e fala mais do que a boca. Paola, sua colega de classe, não fala nada. Buscando entender a amiga, Enrico questiona seu professor Dino que, para responder ao garoto, nos mostra uma importante lição vinda das árvores.   

Resenha:

Este livro é mais do que uma história sobre inclusão. É um livro sobre o respeito às diferenças - toda e qualquer diferença - não só as físicas. Como fazer uma criança entender que cada um é único? Como fazê-la entender que cada pessoa tem suas particularidades, mas, que ainda assim, todos devem ser tratados com igualdade? 
O professor Dino possui o desafio de responder essas questões quando o seu aluno Enrico quer uma explicação sobre as diferenças entre as crianças - especialmente entre Paola e ele - e busca a ajuda das árvores para dar as respostas. 
Quando o professor começa sua explicação, parece que está recitando uma poesia, de tão sensível que é o texto. São comparações simples, sucintas e muito belas, amparadas sempre por ilustrações um pouco abstratas do lado oposto da página. 
De uma forma elegante e clara, Roberto Parmegianni nos faz entender porque recebeu o prêmio "30 melhores livros infantis do ano pela Crescer 2014". Tocante. 

Pg. 22
As crianças são como as árvores.
Algumas são distraídas, esquecidas e sonhadoras como os álamos: com seus pólen, que percorre o ar, soprado pelo vento, até que encontra um lugar para se fixar. 
Outras são como os carvalhos: fortes, corajosas, mas com um coração tenro dentro de si. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Resenha Dividida

Título: Dividida
Autor: Amanda Hocking
Editora: Rocco
Série Trylle, Livro 2

Este livro é indicado para quem:

- Gosta de fantasia
- Se sente um desajustado no mundo
- Gosta de amores impossíveis

Resumo:


Wendy achava que finalmente havia encontrado o seu lugar no mundo. Um lugar aonde poderia ser ela mesma e, quem sabe, ter uma mãe amorosa e amigos fiéis. Só que tudo parece diferente do esperado e a política e os costumes dos Trylle parecem interferir para sempre naquilo que ela acredita ser a sua verdadeira felicidade. Como escolher entre seu amor e seu povo?

Resenha:

Ah, agora as coisas ficaram mais interessantes! No caldeirão aonde já havia magia e romance, há agora muitas intrigas políticas e traições e Wendy terá que escolher em quem confiar, principalmente depois que algo grandioso lhe é revelado. Na verdade, vários segredos são revelados e todos parecem interferir nos sentimentos de Wendy, que está mais confusa do que nunca. 
Eu não curti muito a protagonista no primeiro livro, mas agora ela se mostrou muito mais madura e consciente dos seus deveres, o que me fez pensar que talvez Amanda Hocking tenha escrito uma protagonista bem imatura no primeiro livro para que a transformação ficasse mais evidente neste livro. Boa jogada...
Wendy nem está usando a coroa de rainha do povo Trylle e já parece que o cargo está pesando. Este livro está muito mais recheado de surpresas e reviravoltas do que o anterior, com direito à batalha de poderes psíquicos e sequestro. 
E não posso deixar de falar do Loki que, como esperado desde o primeiro livro, desperta a atenção da Wendy com todo o seu charme vilanesco. Acontece que ele não é um vilão dos melhores, pois vive contrariando as ordens dos seus superiores para ajudar a Wendy...rs.
Finn continua deixando claro os seus sentimentos em relação à Wendy... e se negando a aceitá-los! Enfim, amores impossíveis, famílias rivais, mocinha em perigo, dramas familiares e tudo o mais que uma novela mexicana poderia oferecer, mas com um toque sobrenatural e fantasioso (no melhor sentido da palavra). 
Os personagens secundários continuam dando um tempero bacana à narrativa, com destaque para Willa e Matt. 

Pg.  223

Eu me sentia um pouco aérea, e o meu pulso estava disparado. Os olhos caramelo dele estavam quase me hipnotizando, e o meu estômago estava revirando. A única vez em que tinha sentido algo do tipo foi perto de Finn, e eu não queria acreditar que eu talvez sentisse algo assim por Loki, que talvez estivesse atraída por ele.  

domingo, 2 de novembro de 2014

Resenha Trocada

Título: Trocada
Autor: Amanda Hocking
Editora: Rocco
Série Trylle, Livro 1

Este livro é indicado para quem:

- Gosta de fantasia
- Se sente um desajustado no mundo
- Gosta de amores impossíveis

Resumo:


Wendy se encanta pelo charme de Finn Holmes, que parece sempre observá-la. O que ela não imagina é que Finn irá mudar para sempre o rumo de sua vida e fazê-la entender que o motivo dela se sentir uma pessoa desajustada não tem nada a ver com rebeldia adolescente. Finn irá lhe mostrar um mundo totalmente mágico e assustador, aonde Wendy desempenha um papel fundamental. 

Resenha:

Sabe aquele sentimento de que não fazemos parte de determinado lugar? Podemos sentir isso em relação à escola, à nossa família, aos nossos amigos ou até mesmo em relação ao próprio mundo. Wendy sente-se assim o tempo todo. Sua infância foi traumática, pois seu pai faleceu prematuramente e sua mãe tentou matá-la quando ela tinha seis anos. 
Embora Wendy tenha sido criada com amor por seu irmão mais velho e sua tia, ainda assim ela se sente uma estranha no ninho e tem dificuldade para fazer amizades ou namorar. Quando ela percebe que um garoto - Finn Holmes -  está sempre a observá-la, parece que finalmente isso vai mudar. Às vezes ele é meigo e atencioso, outras vezes frio e até mesmo grosseiro, o que a deixa confusa. Até que ele faz revelações surpreendentes, mas que estranhamente a fazem se sentir aliviada. Diversas de suas características mais esquisitas parecem ter finalmente uma explicação, ufa, que alívio! Quem não gostaria de viver uma experiência assim? Parece um conto de fadas e, ao mesmo tempo, O Diário da Princesa ou Harry Potter. O fato é que Amanda Hocking já te conquista nos primeiros capítulos, pois mexe justamente com este sentimento de "não pertencimento" que a maioria das pessoas parecem sentir e, como sabemos, empatia é fundamental para adentrarmos numa história. 
Depois, a história segue por rumos próprios, com a descoberta dos costumes do povo Trylle e suas características, e ganha contornos mais misteriosos e surpreendentes. 
A protagonista não me cativou 100%, porque às vezes ela insiste em batalhas perdidas e isso não me parece determinação, mas sim teimosia, o que me irritou um pouco.
Finn Holmes despertou minha simpatia no começo, mas depois perdi o respeito por tê-lo achado muito fraco. Sabe aquele tipo de pessoa conformada, que sempre segue o que está predeterminado? Esse é Finn Holmes. Se Wendy me irritou por insistir demais em batalhas perdidas, Finn me irritou por desistir muito fácil de batalhas imprevisíveis. 
Maaassss... Os personagens secundários salvaram a história: 
Tove é muito bacana, não só pelos poderes dele serem os mais fortes, mas pela forma como ele tem que lidar com seu "dom". Fiquei tentando entender o sofrimento pelo qual ele tem que passar para viver uma vida normal e os reflexos disso em sua personalidade, como o fato de ser tão distraído. Complexo e cativante. 
Loki... Ah, Loki... Este sim me parece um personagem digno de ser protagonista e até par romântico da Wendy (que é o que eu acho que irá acontecer). Ele é forte, irreverente, misterioso... Acho que um possível triângulo amoroso irá dar pano pra manga no próximo volume da trilogia e estou ansiosas por isso. 

Pg. 262

Eu poderia ter ido atrás dele , mas não tinha mais argumentos. O beijo dele tinha me deixado confusa e desarmada, e fiquei imaginando vagamente se esse não teria sido o plano dele desde o princípio. Ele sabia que o beijo me deixaria fraca demais para segui-lo e confusa demais para discutir. 
Depois que ele partiu, sentei-me na cama, que ainda tinha o cheiro dele, e cai em prantos.



domingo, 26 de outubro de 2014

Resenha Pretty girl-13

Título: Pretty girl-13
Autora: Liz Coley
Editora: Benvirá

Livro indicado para quem:

- Gosta de suspense
- Gosta de mistério psicológico
- Gostou do livro "Os 13 porquês"



Resumo:

Angie Chapman tinha treze anos quando sumiu misteriosamente de um acampamento Bandeirante sem deixar qualquer pista. Três anos depois ela reaparece na porta de casa, sem memória e ainda acreditando ter treze anos. Ela não sabe explicar o que lhe aconteceu durante aquele período ou o que são aquelas marcas e cicatrizes espalhadas pelo corpo. Neste intrigante mistério, Angie percebe que as respostas estão dentro dela mesma. 
Resenha:

Foi uma experiência intrigante ler este livro. Surpreendente, até. A sinopse me capturou de primeira. O que teria acontecido: Experiências científicas em bizarros laboratórios? Rapto por ETs? Se fosse um sequestro comum, como aconteceu a perda de memória? Enfim, eram muitas dúvidas. Felizmente, ao longo do livro todas elas vão sendo respondidas. Bem, algumas você tem que inferir, na verdade. Não por displicência da autora, mas sim porque isso faz parte da carga psicológica que a história carrega. 
É uma história muito boa, sem dúvidas! Mas não recomendo para corações mais moles... No início da resenha eu indiquei para os leitores que gostaram de "Os 13 porquês", mas não porque tenha alguma semelhança com a história em si, apenas algumas características. Ambos os livros possuem temas pesados, protagonistas extremamente verdadeiros e que passaram por poucas e boas na vida. Ambos são até mesmo difíceis de classificar: É juvenil ou não é juvenil? Na biblioteca em que trabalho classifiquei ambos como "Literatura Americana", simplesmente, para que os livros não ficassem tão disponíveis para as mãos dos pequenos. Apesar de não conter nada explícito, seria bacana que os leitores tivessem maturidade suficiente para lê-los. 
Passei por quase todas as páginas entre a surpresa e a indignação. E daquele tipo de surpresa que você se vê obrigada a comentar com quem está do seu lado ou cobrir a boca com as mãos ou exclamar consigo mesma... Ou fazer as três coisas ao mesmo tempo, que foi o que eu fiz na maioria das vezes. 
Eu simplesmente amo quando os autores fogem do que é tradicional ou esperado. E foi o que Liz Coley fez a todo o momento. O difícil de escrever essa resenha é que eu não posso falar quase nada sobre o livro, porque a mínima informação tiraria todo o efeito da história e quero que vocês sejam tão impactados quanto eu fui. 
Mas, saiba, não leia este livro se você quer uma história apenas para passar o tempo ou relaxar. Este livro te faz pensar em suas próprias escolhas, no que você faria se fosse como você. Este livro te faz engasgar, rever seus conceitos, chorar, torcer, rezar... Se você acha que está pronto, vá em frente. 

Pg. 29

Angie não percebeu que chorava até uma lágrima rolar do seu queixo e cair no frio piso de cerâmica. O que ela estava fazendo ali? O que havia acontecido? Segundo sua mãe e seu pai, mais de mil dias haviam sido roubados da sua vida. E, não importava o que dissesse o calendário em sua mente, o fluxo do tempo e alguma experiência cruel haviam marcado o seu corpo. Bem ali. Em seus braços, em suas pernas, em seu rosto.
Lágrimas salgadas formavam trilhas ao descerem por seu rosto. Ela as limpava com as palmas das mãos.
Angie foi até a pia para jogar água fria no rosto, e ali estava ela de novo. Aquela estranha no espelho. Com olhos que pareciam velhos e cansados, repletos de um conhecimento que se recusavam a compartilhar. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Resenha Prince of thorns

Título: Prince of thorns
Autor: Mark Lawrence
Editora: Darkside
Série Trilogia dos Espinhos, Livro 1

Este livro é indicado para quem:
- Gosta de histórias medievais 
- Gosta de distopias
- Suporta cenas de violência

Resumo:


Um império consumido pelo jogo dos tronos e um príncipe que sacrificaria tudo pelo seu desejo de vingança. Este é o cenário com que o leitor se depara ao longo das páginas, aonde não há heróis e nem vilões, pois tudo se mistura na luta pelo poder. 
Após presenciar o assassinato de sua mãe e irmão sem poder fazer nada, o príncipe Honório Jorg Ancrath jura vingá-los, custe o que custar. Em nome desse ideal, Jorg comete os mais terríveis atos, ao abandonar sua boa vida de príncipe no palácio e liderar uma irmandade de assassinos. 

Resenha:

Este livro, a princípio, pode lembrar vários outros livros medievais sobre guerra e vingança. Lembra até mesmo Guerra dos Tronos, quando lemos a sinopse. Mas, uma coisa eu garanto a vocês leitores: você nunca leu nada parecido. Bem, eu pelo menos nunca li nada parecido. 
Todos os personagens tem seus níveis de crueldade, principalmente os que estão em primeiro plano, que, vejam só, são uma irmandade de assassinos. E não pensem vocês que são aqueles assassinos romantizados, com códigos de honra, que roubam apenas dos ricos e matam apenas seres mais cruéis que eles. Não, não, não. Eles matam e roubam camponeses, estupram suas filhas, cortam suas cabeças e levam como troféus, entre outras barbaridades. Por isso, um alerta: se você não tem estômago para isso, nem chegue perto do livro, por mais lindo que ele pareça ser. Sim, meus caros: O diabo vem vestido em lindos trajes. A edição da Darkside é um luxo! Um dos livros com o projeto gráfico mais lindo que eu já vi nos últimos anos. A edição não estava custando muito barato, e com razão. Após a "insistência" de alguns fãs, a editora fez uma nova versão do livro, sem a capa dura e o marca páginas, e adicionou uma prévia do volume 2 e, para delírio dos fãs, o preço ficou mais acessível. Eu, como sou uma apaixonada por edições de luxo, comprei a primeira versão e fiquei sem o gostinho do próximo livro que, por sinal, comprarei em breve!
Bem, voltando à história, há muitas cenas cruéis, mas confesso que eu fui me acostumando à elas ao longo das páginas. Atribuo isso ao fato de Mark Lawrence ser um ótimo escritor. Ele colocou um narrador - o príncipe dos espinhos, Jorg - tão a vontade com a descrição de seus feitos cruéis, que acabamos vendo tudo com os olhos dele e, portanto, com a sua naturalidade. 
O fato da história se passar num tempo não especificado, deixa tudo ainda mais intrigante. O clima é todo medieval: as roupas, a política, o cenário... Mas em vários momentos o leitor mais atento pode atestar que, na verdade, a história se passa no futuro. Por isso, considero a narrativa uma distopia, ainda que não tão convencional como as que vemos por aí. 
O livro nos deixa sempre com aquela impressão "Meu Deus, e agora? É o fim da linha!", mas daí surge Jorg com sua mente brilhante e suas loucas ideias, que nos fazem tê-lo como um "herói" que tudo pode e tudo alcança. E, mesmo assim, Lawrence sempre deixa sobressair os defeitos do personagem e o quanto ele ainda é, no fundo, apenas um garoto. 
Mal posso esperar pela continuação: King of thorns. 

Pg. 35

Deitado sobre lençóis de sangue na Sala de Cura, descobri portas dentro da minha cabeça que eu não havia encontrado antes, portas que até uma criança de nove anos sabe que não devem ser abertas. Portas que nunca se fecharam novamente. 

Pg. 104

Eu cortei fora toda a fraqueza do querer-bem que havia em mim. O amor pelos meus mortos eu deixei de lado, guardado numa urna, um objeto de estudo, uma evidência seca, que já não sangrava mais, livre, sem restrições. A capacidade de um novo amor eu incinerei. Eu a lavei com ácido até que o solo se tornasse improdutivo e que dele nada brotasse, nenhuma flor criasse raízes.  

domingo, 12 de outubro de 2014

Bibliotecas temáticas


Bibliotecas temáticas

Entre os anos de 2006 e 2012 a cidade de São Paulo inaugurou diversas bibliotecas temáticas, de acordo com a tradição e vocação de cada biblioteca pública ou região escolhida.
As bibliotecas temáticas são bibliotecas públicas que, além do acervo comum a todas as unidades da rede, possuem um acervo especializado de acordo com sua atribuição e, além disso, oferecem uma ampla programação cultural condizente com sua temática.

Atualmente, a cidade de São Paulo conta com 11 bibliotecas temáticas e vale a pena conferir o acervo e a programação da biblioteca cujo tema mais lhe atrair: 

Tema
Biblioteca
Biblioteca Alceu Amoroso Lima                                            


domingo, 5 de outubro de 2014

Bookcrossing


Bookcrossing

BookCrossing é um conceito que surgiu nos Estados Unidos e pode ser entendido como o ato de deixar um livro em local público, para que outros encontrem, leiam e voltem a deixá-lo em “liberdade”.  
Para participar, basta entrar no site oficial (http://www.bookcrossing.com.br/), cadastrar o livro que pretende libertar e colar uma etiqueta com o código de identificação gerado (BCID), que permitirá aos usuários verem as viagens do livro pelo mundo. Também é acrescentada uma etiqueta explicando para o próximo leitor como proceder com o livro “capturado”. Depois, basta colocar em qualquer local público.
Qualquer pessoa pode participar do movimento, nada é cobrado, embora seja esperado que todos acessem o site e digam onde encontraram o livro e onde o libertarão, para garantir o rastreamento e deixar tudo mais divertido.
Atualmente, o Bookcrossing acontece em 130 países, com mais de 6,1 milhões de livros registrados. São cerca de 850 mil membros ao redor do globo e, destes, cerca de 7 mil são brasileiros, sendo 2 mil deles residentes em São Paulo.
             Os participantes possuem diferentes perfis, em comum entre eles, apenas a vontade de difundir a cultura.
Venham libertar livros, garantindo o acesso à leitura e transformando o mundo inteiro numa imensa biblioteca!

domingo, 28 de setembro de 2014

Inquietudes: Cama de algas




Cama de algas

Se o amor, entre mil metais se esconde
Confusa, o procurarei por toda eternidade
Meu coração é uma fibra que, frágil, se rompe
Numa carência que me leva à insanidade

Nessa cama de algas, desolada, me deito
Meu feiticeiro onírico, assim me disperso
Querendo apenas adormecer em teu peito
Viajando pra ti, porém, sem rumo certo

Você será a calmaria que minhas tempestades afasta
Será o vento forte dos mares que me faz sentir viva
E eu serei teu anjo, te seduzindo, nefasta
Despertando teu desejo e tua vontade lasciva

Nessa cama de algas, desolada, espero
Teu corpo em mim: enigma, dilema
Objeto dos meus anseios, te quero!
Meu amor, enfim, virou um poema...

                                                                                                                                   C.M.



Campanha: Eu quero minha biblioteca



Campanha: Eu quero minha biblioteca

A campanha “Eu quero minha biblioteca”, uma iniciativa do Instituto Ecofuturo, defende a importância de termos bibliotecas dentro das escolas e propõe um mapeamento desta demanda por todo o Brasil. Os internautas podem indicar em qual escola de sua região não há biblioteca e a cada dez cadastros em uma mesma localidade, o site enviará automaticamente um e-mail para a Prefeitura e/ou Secretaria de Educação do Município. 
A campanha tenta fazer valer a Lei 12.244/10, que determina que todas as escolas públicas e privadas tenham uma biblioteca com, no mínimo, um livro por aluno matriculado.  As escolas têm até o ano de 2020 para atingir a meta. 
A campanha “Eu quero minha Biblioteca” já conta com o apoio de várias entidades, como: Academia Brasileira de Letras, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), Movimento Brasil Literário, Movimento Todos Pela Educação, Instituto Ayrton Senna, Instituto C&A, ICE Brasil, Conselho Federal de Biblioteconomia, Rede Marista de Solidariedade, entre outros.
Segundo resultado da pesquisa realizada pelo Instituto Brasil Leitor (IBL), a presença de uma biblioteca aumenta em 62% o índice de leitura dos usuários. Dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) informam que a proficiência em leitura dos alunos aumenta exponencialmente quando há utilização da biblioteca regularmente. E os percentuais só crescem quando a Biblioteca Escolar tem um responsável e quando os professores fazem uso deste ambiente com seus alunos. Um levantamento realizado pelo Instituto Ecofuturo demonstrou um aumento de 156% no progresso natural de aprovação escolar e redução de 46% na taxa de evasão escolar em comparação com regiões que não possuem bibliotecas.
Enfim, os benefícios da implantação de bibliotecas são inúmeros, comprovadamente impactando no nível educacional da comunidade na qual ela está inserida.
E você, conhece alguma escola que não possui biblioteca? Já reivindicou a sua?



Fonte:
http://www.euquerominhabiblioteca.org.br/


domingo, 21 de setembro de 2014

Livros gratuitos na internet


Livros gratuitos na internet

Quando falamos no prazer da leitura, logo nos vem à mente a imagem de uma pessoa sentada confortavelmente com um exemplar nas mãos, mas isso está mudando. É cada vez mais comum encontrar pessoas lendo em tablets ou até mesmo em seus celulares!
Seja pela portabilidade, praticidade ou pela falta de tempo, os livros digitais tem galgado o seu espaço no mundo literário e difundido ainda mais os benefícios da leitura.
Você sabia, por exemplo, que existem vários sites em que é possível baixar milhares de livros legal e gratuitamente? Isso mesmo, por meio de um ou dois cliques pode-se ter acesso aos clássicos da literatura mundial e até mesmo a vários lançamentos!
Selecionamos alguns sites em que isso é possível, confiram:

Universia  Reúne mais de 1.000 arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.
Open Library  Este projeto possui o intuito de reunir todos os livros publicados no mundo e já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download.
Brasiliana  No site da USP estão disponibilizados cerca de 3000 mil livros, dentre eles livros raros. Há também documentos históricos, manuscritos e imagens.
Portal Domínio Público - Disponibiliza amplo acesso a obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos).
Saraiva  A rede de livrarias disponibiliza 148 livros para download. É necessário apenas fazer um cadastro e baixar o aplicativo de leitura para ter acesso às obras.
Biblioteca Mundial Digital  Oferece milhares de documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilíngue, o material está disponível para leitura online.
Projeto Gutenberg  Têm mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.
Virtual Books Online - Basta baixar, descompactar e ler, na tela ou imprimindo.
eBooks Brasil – Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.

Projeto Releituras - Divulgação dos melhores textos de escritores nacionais e internacionais. Resumos biográficos e bibliográficos de escritores brasileiros.

domingo, 14 de setembro de 2014

Resenha Aprendendo com os bichos: yoga para crianças

Título: Aprendendo com os bichos: yoga para crianças
Autora: Joãocaré
Editora: WMF Martins Fontes


Este livro é indicado para quem:
- Gosta de yoga;
- Gosta de bichos;
- Gosta de livros infantis.


Resumo:

Este livro mostra algumas posições e movimentos da yoga, associando-os aos bichos. Desta forma, além da criança aprender mais sobre alguns bichos diferentes, aprende com eles a se sentir mais a vontade com o próprio corpo e mais feliz.

Resenha:

Na yoga, muitas das posições têm nomes de animais, partiu daí a ideia do autor de retratar essas posições por meio da imagem desses bichos, deixando-os em posições irreverentes e inusitadas.
Em cada uma das páginas há a menção ao nome original da posição/movimento e seu “nome traduzido”, o que deixou o livro simples, mas ao mesmo tempo não infantilizado ao ponto de um adulto se cansar de ler.
Há também uma explicação detalhada de como fazer a posição, mas escrita de uma forma simples, leve. Além disso, claro, há uma ilustração de um animal fazendo a posição e uma explicação resumida sobre o animal em questão.
Como iniciante das práticas da yoga, este livro me chamou a atenção logo de cara, pois me mostrou claramente todos aqueles movimentos que eu sempre fiz, mas que nunca conseguia me lembrar dos nomes. Com o livro foi possível recordar cada um deles e até entender um pouco mais sobre como eles agem no nosso corpo, nos beneficiando.
Imagino que este livro não tenha sido escrito para as crianças lerem e fazerem as posições sozinhas, embora elas possam encontrar um grande divertimento nisso, tanto tentando fazer os movimentos quanto aprendendo sobre os animais e rindo das ilustrações. Mas interessante mesmo seria um professor de yoga ter este livro em mãos como apoio para suas aulas com crianças ou mesmo com iniciantes.
As ilustrações são muito bem feitas e demonstram claramente as posições, mesmo que de uma forma irreverente.

Pg. 07

Certa vez, eu estava fazendo yoga na Índia com um professor muito especial, Yogi Ram, e, quando lhe mostrei meus desenhos de animais, ele me disse que um dia todos nós já havíamos sido algum bicho.
Este livro permite, de certa forma, uma aproximação com aquela vivência antiga a que o mestre se referiu.


domingo, 7 de setembro de 2014

Resenha 100 Escovadas antes de ir para a cama


Título: 100 Escovadas antes de ir para a cama
Autora: Melissa Panarello
Editora: Objetiva 

Livro indicado para quem:

- Gosta de histórias picantes
- Gosta de livros em formato diário
- Gostou do livro "Lolita"

Resumo:

Por meio do diário da adolescente siciliana Melissa, o leitor vai descortinando junto à protagonista um mundo novo, onde nada pode deter a curiosidade sexual da jovem. Completamente direta, ela nos conta as diversificadas experiências sexuais vividas entre os 15 e os 16 anos, que iam desde o sadomasoquismo a orgias com desconhecidos. 

Resenha:

Este é um livro recheado de cenas picantes, mas que ninguém o pegue para ler com a mesma expectativa que pega qualquer outro livro "Hot". Não é este o caso e vou explicar o porquê. 
Tive sentimentos muito intensos por este livro: ódio, pena, tristeza, vergonha...
O formato do livro - diário - faz com que a aproximação com a protagonista seja enorme, nos sentimos cúmplices de seus sentimentos e sensações, desta forma, tudo o que acontece com ela, por mais degradante que seja (e isso acontece bastante), parece que é com alguém que você conhece.  
Eu não consegui me colocar diretamente no lugar dela, não simpatizei muito com a personalidade da garota. Era mais como se eu tivesse uma amiga que tomasse várias decisões erradas e eu não pudesse fazer nada para impedir, além de esbravejar "Não faz isso!". O pior é saber que muitas das situações narradas aconteceram mesmo. A autora - Melissa Panarello - jura que vivenciou todas as experiências sexuais que descreveu no livro e além disso compartilha do mesmo nome da protagonista, só para confundir ainda mais, mas não é um livro totalmente biográfico. Ok, mas isso não alivia em nada os sentimentos que você provavelmente irá sentir ao lê-lo. Quando parece que finalmente as coisas vão entrar nos eixos, o trem descarrilha de novo e é muito frustante. Eu absolutamente xingava a Melissa abertamente nesses momentos. Claro, ela nunca fez nada sozinha, sempre tinha alguém para "ajudá-la" a se sabotar, mas as pessoas só fazem com a gente aquilo que permitimos, então... Ela teve tantas chances de dar meia volta e recomeçar!
Para ser um livro que realmente me cativasse, eu acho que os outros personagens teriam que ser um pouco melhor explorados. Claro, a intenção da autora não era mesmo contar uma história com vários personagens interessantes, mas sim, falar sobre sua busca por "amor" e as diversificadas experiências sexuais vividas ao longo do processo, mas isso somente não me prendeu. 

Pg. 9

São falsas as minhas amizades, nascidas do acaso e crescidas na mediocridade, tão pouco intensas... São falsos os beijos que timidamente dei em alguns meninos da minha escola (...). É falsa essa casa, tão pouco parecida com o estado de espírito que tenho agora. Queria que de repente todos os quadros saltassem das paredes, que pelas janelas entrasse um frio gélido e congelante, que ganidos de cães tomassem o lugar do canto dos grilos. 
Quero amor, diário. Quero sentir meu coração se derreter e quero ver as estalactites do meu gelo se quebrando e afundando no rio da paixão, da beleza. 

domingo, 31 de agosto de 2014

Resenha Quando o lobo tem fome


Título: Quando o lobo tem fome
Autora: Christine Naumann-Villemin
Editora: Berlendis & Vertecchia Editores

Resumo:

Edmundo Bigfuça é um lobo que vive solitário em sua cabana na floresta, até que um dia acorda com vontade de comer um coelho urbano. Então ele pega sua bicicleta e vai até a cidade tentar saborear um. Chegando lá, Edmundo Bigfuça percebe que se um coelho é urbano, ele possui vizinhos, e que matar sua fome vai ser muito mais difícil do que ele imagina.  

Resenha:

Ao mesmo tempo em que este livro remete às histórias clássicas de animais mais fortes tentando saborear animais mais fracos (Lobo x coelho / Lobo x porquinhos / Etc. ), traz elementos mais inovadores, como o fato dos animais serem urbanizados. Urbanizados até demais, eu diria, pois moram em prédios, pegam elevador e andam de bicicleta. Acho que isso tirou um pouco da magia que a história poderia ter e, por outro lado, trouxe um caráter mais irreverente. Deste modo, consigo imaginar que o livro agradaria crianças entre o 3º e 4º ano, que se familiarizariam melhor com uma história que traz personagens comuns a contos de fadas, mas em situações mais inusitadas.

Pg. 03

No domingo de manhã, Edmundo Bigfuça, estado civil: solitário, deixa sua cabana no meio do bosque de faca na mão: ele está com uma vontade louca de comer coelho. Oh, mas não pensem que ele quer um coelho caipira qualquer, não, não, não, ele quer um coelhinho tratado com cereais, de pelo macio e com aroma de ervilhas, ele quer comer um coelhinho urbano!