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domingo, 26 de janeiro de 2014

Resenha Refém da obsessão

Título: Refém da obsessão
Autora: Alma Katsu
Editora: Novo Conceito
Trilogia Ladrão de Almas - Vol. 2

Este livro é indicado para quem:
- Gosta de romances históricos
- Gosta de nuances sobrenaturais
- Tem estômago para a perversão, o sadismo e a maldade


Resumo:

Depois de perder Jonathan definitivamente, Lanore tenta reconstruir sua vida ao lado do acolhedor Luke. É neste momento que Adair se liberta de sua clausura, desestabilizando completamente a vida de Lanny e de Luke, a quem ela quer desesperadamente proteger. Adair está com sede de vingança e durante os duzentos anos que passou aprisionado, planejou de mil formas diferentes como infligir o máximo de dor à Lanny, a responsável pelo seu cárcere. Só que agora que se libertou, Adair percebe que, mais do que se vingar, ele precisa desesperadamente ter Lanore ao seu lado. Para sempre. 

Resenha: 

É muito difícil o livro subsequente de uma série ser tão bom quanto o primeiro, mas ser melhor, eu diria que é praticamente impossível. E Refém da Obsessão conseguiu esse feito! Alma Katsu se superou. Seu modo de escrever continuou com o mesmo padrão de qualidade do outro livro, a diferença é que os acontecimentos com os quais Alma recheou esse livro conseguiram ser ainda mais fascinantes. 
Novamente voltamos no tempo, tanto para saber mais sobre a trajetória de Adair, quanto para saber o que aconteceu com Lanore e Jonathan durante os duzentos anos que sucederam o enclausuramento de Adair. 
Acho que o que eu mais gostei nesse livro foi que ficamos muito mais próximos de Adair, de como ele pensa, age, sente... É fantástico perceber o quanto os sentimentos dele por Lanny se transformam e o transformam. Não que ele fique bonzinho, pois ele ainda comete atrocidades, mas como ele, pelo menos, percebe que precisa mudar se quiser conquistar o amor de Lanore. Isso não impede que ele ainda faça maldades com ela, mas pelo menos ele luta contra estes instintos. 
Lanny parte em fuga quando percebe que Adair acordou, e seu pavor do que pode acontecer nos deixa com o coração na mão. Além disso, ela tenta descobrir um modo de matá-lo e/ou detê-lo e para isso tem que tentar confiar em pessoas nas quais ela jamais imaginou. Como vemos as coisas pela perspectiva dela, a insegurança é total, chega a ser aflitivo. 
Outro ponto interessante é a confusão de sentimentos de Lanny por Adair, que pode ser visto nitidamente no trecho que eu separei da página 142. 
É como se fosse "A Bela e a Fera" - meu conto infantil favorito - só que a Bela também é um monstro cheio de pecados buscando redenção. 
O final é de tirar o fôlego e a espera pelo terceiro livro será simplesmente cruel!

Pg. 142
Sempre me orgulhei de seguir meu coração, mas eu não iria, não podia aceitar isso. Era um desejo desvairado ou algum tipo de atração doentia fantasiada de amor. Era algum truque, um dos feitiços dele para me fazer pensar que o amo. (...) Não podia estar apaixonada por um monstro. Não me permitiria estar apaixonada pelo demônio. 

Pg. 154

Adair amava Lanore e também a odiava, mas era incapaz de se vingar dela, estava cada vez mais determinado a encontrá-la. Seu amor por ela era sublime e também uma maldição cruel, corria em suas veias como uma infecção. Não precisava de mais provas para saber que estava condenado, incapaz de ser redimido e amaldiçoado, e que não havia nada que pudesse fazer sobre isso. 


domingo, 19 de janeiro de 2014

Inquietudes: A coruja solitária



Há pouco tempo conversava eu com uma amiga que descrevia sua última desilusão amorosa. Acontece que essa amiga já teve mais desilusões amorosas do que merece, mas não era uma conversa triste, apenas uma análise fria que fazíamos dos porquês das coisas acontecerem para ela dessa forma. Daí que ela estava na dúvida entre tentar uma nova relação ou entrar num período sabático e casto. 
- Organiza seu interior antes de entrar em uma nova relação. Dá um tempo, mas a única coisa que não pode é virar coruja. - disse eu. 
Ela não entendeu a parte da coruja (vocês também não devem ter entendido). Segue explicação. 
Há muitos anos atrás, na minha cidade, conhecei um rapaz que tinha por hobby caçar (coisa feia, né? Mas ele se divertia com isso). Ele me contou uma de suas "aventuras" e não sei se é história de pescador caçador, mas me emocionou e eu nunca esqueci. 
Um dia, no meio da mata, o caçador avistou um casal de corujas. Na maldade, digo, sem raciocinar sobre o que estava fazendo, atirou e matou uma delas, assim, só para testar a pontaria. O arrependimento foi imediato, mas não havia como voltar no tempo, então ele foi embora. Muito tempo depois (Meses, anos...não sei, mas não importa), ele voltou a andar pela região, ainda nas suas caçadas e, qual foi a sua surpresa, quando viu a parceira solitária da coruja que ele havia matado. Ainda no mesmo local. Ainda sozinha. O pior castigo do caçador foi a culpa que ele carregou pra sempre desde então. 
A imagem da solidão dessa coruja me calou fundo, de um jeito que eu não sei explicar. 
Pode até ser sublime e a típica representação do amor romântico, a imagem do parceiro fiel, que nunca substitui o companheiro morto, mas a única coisa na qual eu consegui pensar foi nessas pessoas que sofrem desilusões amorosas e passam a ficar tão desconfiadas com a própria vida que se fecham em si mesmas, numa promessa de proteção particular que repele tanto o sofrimento quanto a felicidade de amar.
Claro que não é fácil se jogar numa relação de cabeça com a mesma inocência de antes, as vezes não é fácil nem mesmo se jogar de cabeça numa mesma relação após algumas desilusões mas é, no mínimo, burrice querer se abster de envolvimento para prevenir um sofrimento que você nem sabe se virá. Essas pessoas são corujas presas no mesmo local, paradas no tempo, ao lado de um corpo em putrefação. 
Amar é, antes de tudo, um ato de coragem.  


"Qual o segredo da felicidade? 
Será preciso ficar só pra se viver? 
Qual o sentido da realidade? 
Será preciso ficar só pra se viver?"

(Grand Hotel - Kid Abelha. Compositores: Paula Toller / George Israel)


Indicação de filme sobre o tema: Qualquer gato vira-lata


Leia para uma criança - Itaú




Você conhece o projeto “Leia para uma criança”?

O projeto da Fundação Itaú Social defende que, por meio da leitura, a criança desenvolve sua percepção do mundo, constrói seu vocabulário, desenvolve sua capacidade de se expressar e se comunicar, estreitando os laços entre ela e o adulto e lhe transmitindo segurança e acolhimento.

Ler para uma criança é um gesto simples, mas muito importante, pois com ele contribuímos para a educação e cultura de nosso país. Aventure-se, leia para uma criança e vamos juntos mudar o mundo! Peça gratuitamente sua Coleção Itaú de Livros Infantis pelo link: https://www.itau.com.br/itaucrianca/

domingo, 12 de janeiro de 2014

Resenha Ladrão de Almas


Título: Ladrão de Almas
Autora: Alma Katsu

Editora: Novo Conceito
Trilogia Ladrão de Almas - Vol. 1

Este livro é indicado para quem:

- Gosta de romances históricos
- Gosta de nuances sobrenaturais
- Tem estômago para a perversão, o sadismo e a maldade


Resumo:

Quando o Dr. Luke inicia o turno no pronto socorro da pequena cidade de St. Andrew não imagina que sua vida mudaria bruscamente com a chegada da bela Lanore. Ré confessa de assassinato e visivelmente em estado de choque, a jovem é entregue aos cuidados do médico. Algo nele faz com que Lanore queira finalmente dividir com alguém sua assustadora e incrível história. Algo nela faz com que Luke acredite em tudo, mesmo que isso contrarie toda a lógica com a qual ele lida em sua profissão. 

Resenha: 

O estilo de escrita de Alma Katsu é comparado aquelas bonequinhas russas, que você vai abrindo e encontra outra boneca dentro, depois mais outra e mais outra. Só que em vez de bonecas são histórias dentro de outras histórias. 
Em alguns momentos até esqueci que a Lanore estava sentada diante do Luke contando a história da sua vida. E não há desconforto, apenas a certeza de que você está sendo totalmente absorvido pela história, que fica indo e voltando no tempo e mesmo assim não fica confusa. 
Lanore é uma imortal, bem como o seu "mestre", Adair, e seus outros súditos. Mas esqueça os bebedores de sangue, porque não há vampiros nessa história. Estamos falando de Alquimia, ou magia, se preferir. 
Após ser encontrada vagando na floresta em estado de choque, Lanny é enviada ao pronto socorro onde encontra com o Dr. Luke, para quem narra sua história fantástica. 
Numa típica família puritana do século XIX, Lanore é a mais velha das filhas mulheres. Isso deveria pressioná-la a casar logo, formar uma família e dar exemplo para suas outras irmãs, mas o amor obsessivo que sente por Jonathan, o filho do fundador de sua pequena cidade - St. Andrew - não permite que ela pense em mais nada. 
Embora Jonathan encoraje o amor de Lanny, não o retribui, e o relacionamento de ambos não passa de uma sólida amizade, enquanto Jonathan se distrai saindo com todas as mulheres da cidadezinha (inclusive as casadas!). 
Até que um acontecimento desencadeia uma sucessão de eventos que faz Lanny ir parar em Boston. É lá que ela conhece Adair, e, na minha opinião, quando as coisas começam a ficar realmente interessantes. Não é que eu tenha um fraco por vilões, mas é que geralmente são os personagens mais complexos. Adair me causou todo tipo de sentimentos ao longo das páginas: medo, repulsa, piedade, amor, ódio... Por isso me solidarizei com cada ação e reação de Lanny em relação a ele. Na verdade também me solidarizei com os sentimentos dela em relação ao Jonathan, e embora ele seja um personagem bem menos excêntrico, também foi muito bem construído. Um libertino que se apaixona demais e ao mesmo tempo por ninguém, acostumado desde criança a receber o amor das mulheres e a inveja dos homens. 
Já Lanore, ou Lanny, é uma mulher a frente de seu tempo: Se importa mais com a realização dos seus desejos do que com a opinião da sociedade. Isso a leva tanto a aprender mais que as outras pessoas em geral quanto a cometer atitudes condenáveis. 
Embora a temática do livro seja sobrenatural, devido aos personagens imortais da trama, eu diria que isso não chama tanto a atenção quanto os sentimentos obsessivos pelos quais os personagens se deixam levar. O amor obsessivo da Lanny pelo Jonathan conduziu quase todas as ações e levaram a história tanto ao ápice quanto ao desfecho. A obsessão de Adair por poder e depois por Lanore transformaram a vida de todas as pessoas com as quais ele cruzou. 
Se me perguntarem sobre o que trata a história, não diria que é sobre amores imortais, mas de amores intensos o bastante para mais de uma vida. 


Pg. 262-263



(...) Adair não foi meu único torturador; ele também convocou Dona, ainda que fosse contra o desejo do italiano. Foi minha pitada do demônio, sobre a qual Jude me alertara, uma lição de que provocar o amor de um demônio é um grande risco. Esse amor, se é que pode ser chamado assim, nunca é doce. Um dia irá experimentá-lo da maneira que realmente é. É corrosivo. É venenoso. É como ácido derramado dentro da garganta

domingo, 5 de janeiro de 2014

A importância da leitura para bebês



A importância da leitura para bebês

Vários especialistas afirmam que é fundamental estimular as crianças desde cedo para garantir seu interesse por livros na vida adulta. Mas este “cedo” pode ser bem mais cedo do que a maioria das pessoas imagina. Nos anos 40, a famosa escritora Tatiana Belinky perguntou ao pediatra de seu filho, então com três meses de idade, quando deveria começar a educar seu filho e obteve como resposta: “Você já está atrasada”.

Mesmo que o bebê não possa entender todo o enredo da história, a leitura em voz alta o coloca em contato com outras formas das linguagens oral e escrita, facilitando o seu desenvolvimento. Além disso, quando o estimulo à leitura começa cedo, encurta o caminho para a formação desse futuro leitor, conforme afirma Fraulein Vidigal de Paula, doutora em Psicologia Escolar: "Manuseando um livro, eles são capazes de identificar a existência da grafia e passam a estabelecer uma relação direta com a linguagem escrita".

A leitura para bebês, além de prepará-los para serem futuros leitores, atua como ótimo estímulo, acelerando o desenvolvimento do cérebro. Dentre os benefícios, podemos citar: aprendizado da comunicação básica; introdução aos números, letras, cores e formas; construção do vocabulário e estímulo da memória. O mais importante, contundo, é que incentiva a conexão emocional criando um elo entre os pais e os filhos. E os livros, sua voz, seu carinho e o seu colo, demonstrarão o quanto a leitura é importante.

Para quem se interessou, mas precisa de um incentivo, pode começar conhecendo os vários projetos voltados à leitura para bebês na cidade de São Paulo como, por exemplo, o projeto Bebelê, da Biblioteca de São Paulo. O Bebelê faz parte do programa permanente da biblioteca e ocorre aos sábados, das 15h às 15h45, no piso térreo. É um programa de iniciação e estímulo às potências cognitivas de crianças em fase pré-escolar, com idades entre seis meses e três anos, por meio de experiências lúdicas com livros. 

As inscrições podem ser feitas por e-mail (agenda@bsp.org.br) ou no balcão de atendimento da biblioteca (de terça a sexta-feira, das 9h30 às 17h30).
Parque da Juventude
Av. Cruzeiro do Sul, 2.630, Santana (ao lado da Estação Carandiru do Metrô). Tel.: 11 2089 0800