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domingo, 27 de abril de 2014

Resenha Tentação ao pôr do sol

Título:  Tentação ao pôr do sol
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Série Os Hathaways, Vol. 3


Livro indicado para quem:
- Gosta de romances históricos
- Gosta de mocinhos que são, na verdade, vilões implacáveis
- Gosta de histórias leves


Resumo:


Quando Poppy Hathaway cruza o caminho de Harry Rutledge - dono do hotel onde sua família se hospeda - não imagina que ele era o homem a quem vinha procurando pela terceira temporada seguida. Mesmo apaixonada por Michael Bayning, ela não consegue negar a atração que sentiu pelo misterioso e soturno hoteleiro. Harry, por sua vez, tem certeza de que Poppy é exatamente aquilo de que precisava para aquecer sua vida e não medirá esforços para ter o que deseja, mesmo que tenha de utilizar artifícios condenáveis, que colocarão em risco o amor dos dois para sempre. 

Resenha: 

Lisa Kleypas conseguiu me surpreender. Terminei a leitura desse livro totalmente bestificada com a grata surpresa desta história e contente por saber que, provavelmente, outras boas histórias virão. 
Comecei a leitura desta série pelo meu interesse nos personagens ciganos - quase nunca retratados em outros livros com dignidade - e acabou que o livro que eu mais gostei da série, até o momento, não tem um cigano no papel principal. Claro que meus queridos Cam e Merripen aparecem, mas dão o ar da graça muito pouco, e quem roubou meu coração para valer foi um gadje: Harry Rutledge. 
Harry é um homem solitário, possessivo, frio, cruel, manipulador...e - o principal para conquistar definitivamente meu coração - com sérios problemas psicológicos. Mas claro que ele não é um vilão, também tem qualidades: inteligente ao extremo, justo, trabalhador.
A Poppy, por sua vez, sempre achei a personagem mais apagada da família Hathaway, e por isso não esperava muito do volume dedicado a ela, mas a personagem de revelou muito forte, justa, humana e inteligente. Longe de ser uma mocinha romântica e passiva, Poppy é objetiva, só quer "ter uma vida com paz e tranquilidade para me dedicar às minhas leituras". Pg. 84. 
Enfim, é uma mocinha atípica num romance completamente atípico. 
Primeiro que ela não morre de amores pelo Harry quando o vê pela primeira vez, pelo contrário, ela é apaixonada por outro homem. A história de Harry e Poppy não termina com um casamento e "viveram felizes para sempre", em vez disso, a história começa de verdade com o casamento dos dois, e com muita mágoa e raiva, por sinal. Os embates entres os dois são maravilhosos: engraçados, quentes, inteligentes... Ri muito enquanto lia madrugada adentro, pois não consegui interromper a leitura até chegar na última página. A cena do primeiro café da manhã dos dois, por exemplo, é sensual, mas ao mesmo tempo hilária!
Neste livro pude perceber também uma melhora da autora em relação a fidelidade histórica, ela foca mais nisso nesse livro: o terror de ser flagrada em situação constrangedora, o embotamento da inteligência feminina para facilitar a conquista e as condições sufocantes da mulher na sociedade da época. É estarrecedor! 
Outra coisa que me chamou atenção foi a amizade das irmãs Hathaway, o companheirismo delas, a forma como elas se protegem e se aconselham... muito lindo! A Bea, inclusive, teve uma melhora fantástica... apesar de continuar com sua fixação pela vida animal em geral, cada vez fica mais amadurecida, e chega a roubar a cena com sua sabedoria simples!
Neste livro, também, adentramos um pouco mais na história da Srta. Marks - preceptora das meninas - e do Leo, casal de protagonistas do próximo volume. 
Juro que tentei achar algo negativo para falar sobre a história, mas a única coisa ruim neste livro, que eu consiga me lembrar, é que ele acabou! 

Pg. 233

Finalmente ficava claro para ela que amor não tinha a ver com encontrar alguém perfeito para casar. Amor era enxergar a verdade da pessoa e aceitar todas as suas nuances, o bom e o ruim. Amar era uma habilidade. 

Pg. 243

- Eu amo você, Poppy. - falou ele com a voz embargada. - Amo tanto que isso é um inferno. 
- Por que um inferno?
- Porque agora eu tenho muito a perder. Mas vou amá-la mesmo assim, porque não creio que haja algum jeito de não amá-la. Tenho tanto amor por você que poderia encher quartos inteiros com ele. Prédios. Você está cercada por esse amor aonde quer que você esteja, você caminha por ele, respira... está nos seus pulmões, em sua língua, entre os dedos das mãos e dos pés...
A boca se moveu ardente sobre a dela, entreabrindo os lábios. Foi um beijo capaz de fazer ruir montanhas e derrubar estrelas do céu. Um beijo de fazer anjos desmaiarem e demônios chorarem... Um beijo apaixonado, exigente, ardente, um beijo quase capaz de deslocar a Terra de seu eixo. 


domingo, 20 de abril de 2014

Resenha Os 13 porquês

Título:  Os 13 porquês
Autora: Jay Asher
Editora: Ática

Livro indicado para quem:

- Gosta de histórias tristes
- Gosta de livros com formatos originais
- Precisa repensar suas próprias atitudes

Resumo:

Hannah Baker se suicidou. E ela fez mais do que deixar um bilhete. Ela gravou 7 fitas aonde conta os 13 motivos que a levaram a tirar a própria vida. Cada pessoa deu a ela um motivo. Clay Jensen é uma dessas pessoas e está prestes a saber o porquê. Aperte o play, se tiver coragem. 

Resenha:

Desde que eu li a sinopse deste livro pela primeira vez fiquei fascinada. Como assim cada pessoa deu um motivo para esta garota se matar? Como assim cada um deles está recebendo fitas para descobrir o motivo?!? É genial, eu quero saber os 13 porquês!
Eu sei, é mórbido, é sombrio, é inquietante, é depressivo... é tudo isso mesmo, mas eu gosto de histórias assim, fazer o quê?!
A história é genial e o formato do livro é original, porque temos dois narradores simultâneos - e sem essa de alternar capítulos, eles alternam parágrafos - o que me deixou um pouquinho confusa no começo, mas logo me acostumei. 
Clay Jensen é nossa ligação com o presente. É com ele que descobri qual a sensação de ser um dos motivos para alguém ter se suicidado. Foi ele que fez com que eu sentisse que recebi o pacote de fitas na minha casa e que estava andando pela cidade e ouvindo um ultrapassado walkman com uma gravação maldita. 
A segunda narradora, claro, é Hannah Baker. O tempo inteiro estamos ouvindo sua voz: raivosa, triste e quase sempre irônica. Ela vai e volta no tempo contando os motivos que a levaram a fazer o que fez. É estranho, porque antes mesmo de abrir o livro você sabe que a personagem principal está morta e que não adianta torcer ou chorar, nada vai mudar isso. Só resta acompanhar com aflição e tristeza os desdobramentos dos acontecimentos e "é como uma bola de neve", como diz Hannah. 
E as coisas que Hannah conta poderiam ter acontecido com qualquer um, na verdade, acontece com quase todo mundo ao longo da vida: fofoca, bullying, agressão...
Os próprios sentimentos dela são tão recorrentes nos seres humanos, principalmente na adolescência: solidão, sentimento de inadequação, a indiferença das pessoas ao redor...
Então, o que faz algumas pessoas optarem por um caminho e outras não?
Acho que este livro mostra um pouco isso: às vezes, não é o quê acontece com você, mas como acontece e como você lida com isso. 
No caso da Hannah, uma coisa leva a outra, que toma uma proporção cada vez maior com o tempo e culmina numa decisão lamentável, que ninguém conseguiu impedir por não ter visto os sinais ou por não querer ter visto. 
Alguns motivos são bem barra pesada, mas outros podem parecer fracos ou forçados demais para alguém decidir se matar, mas quando uma pessoa já está mal e sem esperanças, tudo conta: Qualquer ação ou a falta dela. É isso, cada ação sua, por menor que seja, conta para outra pessoa e a influencia de maneiras imprevisíveis. Mais ou menos como no filme "Efeito borboleta". 
No final do livro, o autor responde a 13 perguntas de forma bem interessante e completa sobre como teve a ideia para o livro, qual a mensagem que ele quis passar, como escolheu o título e o nome da personagem principal, etc. É bem legal. 
Hannah Baker dá às 13 pessoas escolhidas um mapa - disponível na contracapa do livro - para seguir os passos dela e tentar sentir o que ela sentiu, andando pela cidade enquanto ouve as gravações dela. Aos corajosos, só resta apertar o play. 

Pg. 135
Acho que essa é a questão central. Ninguém sabe ao certo quanto impacto tem nada vida dos outros. Muitas vezes não temos noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito. 

Pg. 150
Às vezes temos pensamentos que nem mesmo a gente entende. Pensamentos que nem são tão verdadeiros - que não são realmente como nos sentimos -, mas que ficam rondando nossa cabeça porque são interessantes de pensar. 

Pg. 153
Pensando no que aconteceu, parei de escrever no meu caderno quando parei de querer conhecer a mim mesma. (...)
Se você escuta uma canção que te faz chorar quando você já está cansado de lágrimas, não a escuta mais. 
Mas não dá para fugir de si mesmo. Não dá para tomar a decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá para tomar a decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça. 

Resenha Sedução ao amanhecer

Título:  Sedução ao amanhecer
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Série Os Hathaways, Vol. 2

Livro indicado para quem:
- Gosta de romances históricos
- Gosta de ciganos
- Gosta de histórias leves

Resumo:

Kev Merripen estava à beira da morte quando a família Hathaway o salvou. Na época, era apenas um menino cigano e arredio, mas resolveu ficar protegendo a família ao conhecer Win, uma das filhas do casal Hathaway, e se apaixonar. Desde então, Kev luta para esconder seus sentimentos, mesmo quando ele descobre que seu amor é recíproco. Por causa de sua saúde fragilizada, Win vai para a França se tratar, e quando retorna mais bonita e acompanhada de seu médico, fica cada vez mais difícil para Kev fugir de seus sentimentos. 

Resenha: 

Venho curtindo o casal Win e Kev Merripen desde Desejo à meia-noite, bem, na verdade, venho curtindo mesmo é Kev Merripen..rs..Acho que o tipo mau-humorado e rabugento me atrai, vai entender!?!
Este livro me fez rir, principalmente as cenas de ciúmes protagonizadas por Kev, especialmente a cena em que ele vê Win em trajes de ginástica. 
É muito bacana também a autora ter explorado mais o passado de Kev e Cam Rohan, pois eu sentia uma lacuna grande em relação a isso, e foi bem interessante o resultado. 
Um ponto positivo é que apesar do casal central ser Win e Kev, ela não nos deixou com saudades do casal Amelia e Rohan. A autora consegue dar destaque para alguns personagens sem apagar os outros e isso é genial, porque chama para ler o livro anterior e o posterior, logo que ela sempre deixa antever também um pouco do romance que virá. 
Claro que por ser romance e ainda mais com personagens da mesma família, é um pouquinho repetitivo: os rompantes de paixão, as cenas eróticas, os ciúmes... Vai ver é porque tanto Cam quanto Kev são ciganos. Ou o estilo da autora mesmo, não sei. No próximo livro, Tentação ao pôr do sol, o personagem masculino não será cigano, pelo que eu li, então, possivelmente seja um pouco mais criativo. Já estou curiosa para tirar a prova dos nove. 
Apesar de não ter gostado tanto de Win, tenho que reconhecer que no final ela foi ficando mais interessante até demonstrar sua força de caráter e genialidade. Bacana esse crescimento da personagem, que também tem a ver com sua recuperação física. Achei bem convincente. 
Livro ótimo para quem não espera grandes conflitos existenciais ou filosóficos e quer relaxar a mente lendo algo mais leve e divertido, para se distrair. 

Pg. 130 - Kev, sobre o que sente. 

- Todos os fogos do inferno poderiam arder por mil anos e não se igualariam ao ardor do que sinto por você em um minuto do dia. Eu a amo tanto que não há prazer nisso. Nada além de tormento. Porque se eu pudesse diluir o que sinto por você a uma milionésima parte, o resultado ainda seria suficiente para matá-la. E, mesmo que isso me leve à loucura, prefiro vê-la viva nos braços daquele canalha frio e sem alma do que morta nos meus braços. 

Pg. 204 - Leo, sobre conselhos. 

- Eu nunca sigo um conselho, seja bom ou mau. Isso só atrairia mais conselhos. 

domingo, 13 de abril de 2014

Resenha Desejo à meia-noite

Título:  Desejo à meia-noite
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Série Os Hathaways, Vol. 1

Livro indicado para quem:
- Gosta de romances históricos
- Gosta de ciganos
- Gosta de histórias leves

Resumo:

Após a morte dos pais, Amelia Hathaway tomou para si a tarefa de cuidar dos quatro irmãos. Isso, e o fato de ter sofrido uma desilusão amorosa, afastaram a ideia de casamento de suas perspectivas. Até conhecer Cam Rohan. Meio cigano e meio irlandês, Cam é um homem exótico e sedutor e a atração entre eles é imediata. Mas como ambos tem apreço demais pela liberdade, tentam lutar contra esse amor com todas as forças. Será que o orgulho deixará com que eles vivam esse prazeroso e merecido amor?


Resenha: 

Difícil falar da série Os Hathaways sem remeter aos romances de banca, e isso não é de forma alguma uma crítica, pelo contrário. Eu mesma já li muitos e conheço gerações de mulheres que se tornaram ávidas leitoras por causa dos romances Júlia, Sabrina, etc. 
Desejo à meia-noite lembra esse tipo de livro, mas com uma roupagem mais moderno/luxuosa. 
O que me chamou a atenção neste livro foi que justamente eu vinha procurando uma história com ciganos, mas que fosse bem construída. Quando eu soube que era uma série, então, fiquei mais empolgada ainda!
Cada livro coloca um dos membros da família Hathaway em destaque e, em Desejo à meia-noite, o foco é Amelia Hathaway, uma independente e forte jovem que ficou responsável por sua família desde que seus pais morreram. Ela até tem um irmão mais velho, mas que vive bêbado e torrando o dinheiro da herança, então, numa das noites em que Amelia vai procurar por Leo, acaba conhecendo Cam Rohan - um meio cigano - e se apaixonam quase que imediatamente. Como ambos dão muito valor a própria independência, relutam em assumir o que sentem um pelo outro, principalmente Amelia, que além de tudo sofreu uma grande decepção amorosa. 
A história tem uma pequena face sobrenatural, envolvendo Leo, o tal irmão que vive bêbado, mas achei essa parte meio forçada e desnecessária. 
No final acontece apenas uma coisa surpreendente, mas em geral nada foge muito do esperado. 
A química do casal é boa, sobretudo quando eles estão discutindo, porque aí os diálogos ficam ainda mais interessantes. 
Os personagens secundários deram show: as tiradas irônicas de Leo, os bichinhos de Beatrix e suas confusões, além do enigmático Merripen, que é tão mau humorado que chega a ser engraçado. Já neste livro ele demonstra o quanto o seu amor por Win é grande, dando um gostinho do que será o próximo livro. 

Pg. 30 - Primeiros momentos. 
(...) Cam Rohan não pedira seu consentimento nem lhe dera chance de protestar. Ela se enrijeceu e levou as mãos ao peito dele. Ele pareceu não notar sua objeção. Sua boca era suave e insistente. Passou um dos braços em volta dela, levantando-a ligeiramente enquanto a apertava contra o seu corpo rígido. 

Pg. 462 - Rohan tentando convencer Amelia. 
- Os rons acreditam que se deve seguir o chamado da estrada e nunca voltar atrás. Pois nunca se sabe das aventuras que estão por vir.
(...)
- Então vamos seguir essa estrada e ver aonde ela nos levará. 


terça-feira, 8 de abril de 2014

Inquietudes: Meu tempo




Meu tempo

Meu tempo não é meu
É deles
E eles fazem o que quiserem
Com meu tempo
Com os meus dias, com as minhas horas
Com meus 30 dias trabalhados
Com minhas 44 horas semanais
Meu tempo é deles
Mas os minutos são meus
Não abro mão deles
E isso é o que eles não sabem:
Do minuto dedicado à criança
Do minuto passado olhando o sol pela janela
Do minuto rindo da boba piada
Do minuto em que escrevo estas linhas
Do minuto apaixonante de uma recordação
A vida são estes minutos todos...
Não as horas, muito menos os dias
Descritos em cinzento holerite
Eles têm meu tempo, mas
Não terão meus minutos jamais. 


                                                                                                                         C.M.




domingo, 6 de abril de 2014

Resenha As três cartas de Marco

Título: As três cartas de Marco
Autora: Elizabeth Silance Ballard
Editora: FTD
Tradutora: Heloísa Prieto
Ilustradora: Marie Flusin Simon


Este livro é indicado para quem:
- É educador;
- Quer se emocionar;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Marco era considerado um aluno "péssimo": não tirava boas notas, aprendia com lentidão e não tinha interação com os outros alunos. A educadora Dalva fazia o possível para não tratá-lo diferente dos outros alunos e assistia impassível enquanto ele se encaminhava para uma reprovação escolar. Até que recebe de Marco um presente muito especial. E passa a entender o papel que tem na vida de seus alunos. 

Resenha:

Tenho que confessar que esse livro me emocionou bastante porque, como todo bom livro infantil, é uma obra profunda, mas que também pode ser lida para crianças, porque a linguagem é simples. 
Para um livro "infantil", há bastante texto, embora haja quase a mesma proporção de ilustrações, que são ótimas por sinal. 
Este conto é baseado em uma  história real e é muito utilizado em congressos, conferências e palestras para educadores, dado o seu teor, que faz refletir sobre o papel do educador. 
A autora deste conto aborda de forma bastante realista a relação entre professor-aluno, uma relação nem sempre recheada de afeto e de entrosamento, como muitos fazem transparecer. 
Coloca o professor como o ser humano que é, sujeito aos seus próprios preconceitos e sentimentos. 
A professora Dalva reconhece que se esforçava para tratar Marco como os outros alunos, mas que acaba deixando transparecer em sala de aula que ele não era tão querido como os outros e, que essa atitude, catapultou os atos de exclusão das outras crianças em relação a Marco. Aliás, o próprio Marco sabia que não era muito querido por todos.
Essa admissão de culpa, por si só, já é algo interessante, porque logo de cara, passamos nós, leitores, a antipatizar com a narradora, que claramente se coloca como "vilã" do conto (inicialmente), embora sua própria posição humilde e sincera ajude a trazer a compreensão de suas atitudes. 
Outro ponto interessante destacado pela narradora é o fato das correções das provas e trabalhos trazerem destacados em vermelho os erros, com comentários na borda que, claramente, só desestimulam ainda mais o aprendizado. Pois, se o que a narradora diz que aprendeu no curso de pedagogia for verdade "Sucesso conduz a mais sucesso", então o contrário também é verdadeiro "Fracasso conduz a mais fracasso", completando, se for destacado como tal. 
Mesmo observando o arquivo do aluno que dava pistas esclarecedoras sobre o seu declínio escolar, a professora só notou verdadeiramente Marco pela primeira vez ao receber do garoto um presente, símbolo máximo do que ele estava sentindo, e que lhe mostrou o papel e a importância que ela tinha na vida de Marco, algo confirmado anos depois em uma de suas cartas. 
As três cartas, aliás, são enviadas por Marco para Dalva a medida que ele vai crescendo e progredindo, e cada vez fica mais claro o importante papel que o educador tem na vida de seus alunos. 
Na verdade, o livro mostra não só a importância dos educadores olharem ao seu redor, mas do ser humano em geral enxergar verdadeiramente a sua volta, para saber lidar com as dificuldades e limitações do outro, pois cada um tem seus problemas e que, às vezes, um pequeno ato de atenção, afeto e/ou gentileza, pode mudar para sempre o rumo da vida de alguém. 


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Inquietudes: Casa de bonecas




Casa de bonecas

Quando encontrar meu olhar
Perdido num ponto remoto
Talvez pense que estou sofrendo
E assim em meu peito choro

Acontece nesse vão momento
Que respostas procuro em mim
Encontrar-me é meu tormento
Insana busca essa, enfim

Com minha bíblia cheia de pó
Oro em sombras de espiritualidade
E então me sinto mais só
Nesse caminho triste de eternidade

Procuro algo que a dor arranque
Como nos punhos a faca
Repousaria no chão de sangue

Ah... Falo mais quando estou calada!...