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domingo, 18 de maio de 2014

Resenha A república dos Argonautas

Título: A república dos Argonautas
Autor: Anna Flora
Editora: Cia das Letras

Este livro é indicado para quem:
- Gosta de mitologia grega;
- Quer saber um pouco mais sobre a época da ditadura;
- Quer conhecer um pouco da história do bairro da Vila Madalena (São Paulo).

Resumo:

Estamos no ano de 1979, no bairro da Vila Madalena, São Paulo. Os militares estão no poder e embora já seja possível vislumbrar um fim para a ditadura no Brasil, ainda há restrições o suficiente para incomodar a vida da menina de 14 anos, por meio da qual enxergamos o quanto aquela época era difícil. Viver no Brasil em 1979 era como encarar a difícil missão dos Argonautas em busca do velocino de ouro. 

Resenha:

A República dos Argonautas retrata uma triste fase da história do nosso país: a época da ditadura. Este tema duro e amargo é abordado por Anna Flora de uma forma sensível e delicada, uma vez que temos um vislumbre a partir da visão de uma garota de 14 anos, moradora do bairro paulistano da Vila Madalena, que, na época, não tinha nada de badalado e moderno, como é hoje. Lembrava mais uma cidade do interior: onde todos se conhecem e se ajudam.
É em meio a casinhas portuguesas, costureiras viúvas e senhores aposentados jogando dominó que percebemos o quanto a ditadura influenciou a vida das pessoas, mesmo as mais comuns, "não politizadas". E quando se instalou na Vila Madalena uma república de estudantes - "A República dos Argonautas" -, a vida desses pacatos moradores nunca mais foi a mesma. Os meninos, vistos com desconfiança no começo, eram artistas, pensadores liberais e "politizados" e, ao seu modo, lutavam contra a ditadura. Faziam passeata, abaixo-assinado, jornais nanicos, mutirão, arrecadação de alimentos, música, poesia (Que na época também eram considerados atos subversivos). Aos olhos da menina de 14 anos, eles eram verdadeiros heróis, tal qual os argonautas da lenda grega, a qual a autora recorre em todos os capítulos, fazendo um paralelo.
No começo do livro, a separação entre o que é a lenda dos argonautas e o que é a história da ditadura é bastante marcada, mas depois, a linha divisória vai ficando bastante tênue.
Embora eu goste muito de mitologia grega, achei um pouco chato quando o livro permeava por esses caminhos gregos. Não sei se é porque a busca pelo velocino de ouro nunca foi um dos meus mitos favoritos, ou porque realmente não casou com o que eu esperava do livro. Enquanto eu lia sobre os estudantes argonautas da Vila Madalena, ficava curiosa para ver onde ia dar, querendo ler mais... Mas quando voltava para os argonautas gregos, eu já pensava "Afe, ah, não!". Mesmo que as passagens mitológicas tenham sido sempre retratadas com certo ar de humor.
O livro recorre a muitas notícias e depoimentos reais da época, sem ser maçante nesse aspecto e, embora sirva apenas como complemento para o que foi a época da ditadura em nosso país, serve como ótima introdução ao tema, principalmente para adolescentes a partir dos 11 anos, eu diria.

Pg. 48

Pois bem. As musas eram o contrário disso. Entre esses dois extremos, elas me acenavam com a "terceira margem do rio": ser boa de briga sem ser briguenta, ter inspiração própria sem deixar de ser musa.

Pg. 101

(Medeia) se achava muito segura, pois dominava o sentido oculto das coisas. No entanto, desde aquele dia em que viu Jasão entrar no palácio, passou a sentir o coração quente, a cabeça fria e começou a desconfiar que existia mais coisa entre o céu e a terra do que supunha sua vã feitiçaria.

Pg. 155

(...) eu estava lendo uma entrevista com um argonauta tcheco que tinha ficado muitos anos na cadeia. No país dele existia também uma ditadura que acabou caindo. Na entrevista, ele dizia que a esperança não era a gente investir em alguma coisa por causa do sucesso garantido que ela teria: esperança era acreditar que aquela coisa fazia sentido, sem pensar no resultado.


2 comentários:

Fernanda Oliveira disse...

Obrigada! Muito bom esse post, me ajudou bastante no meu trabalho escolar. Adorei seu blog '3' Já leu o livro "A Espada de Kuromori" ? É um livro que trata a mitologia japonesa! Eu estou adorando, super recomendo. Tchauzinho!

-Mafe

Cíntia Mendes disse...

Oi, Mafe! Tudo bem contigo? Obrigada pela visita e que bom que pude ajudá-la! Ainda não li "A espada de Kuromori", mas já ouvi falar e, com sua recomendação, pretendo ler, sim! Bjks

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