Páginas

domingo, 29 de junho de 2014

Resenha Toda Sua

Título: Toda sua
Autora: Sylvia Day
Editora: Paralela
Série Crossfire, Livro 1

Este livro é indicado para quem:

- Gosta de livros Hot;
- Gosta de personagens masculinos dominadores;
- Quer se distrair.

Resumo:

Eva Tramell mudou-se para Manhattan e conseguiu o emprego dos sonhos numa agência de publicidade. A última coisa que ela queria era um envolvimento amoroso, mas o encontro com Gideon Cross mudou suas convicções e abalou sua estrutura. Ele era rico, poderoso, lindo e muito, muito persistente, e não ia deixar que Eva fugisse. Duas pessoas machucadas por traumas dos passado e atordoadas por desejos incontroláveis conseguiriam manter uma relação saudável? Seria possível, enfim, ter a merecida felicidade?

Resenha:

Estou surpresa com o fato de ter gostado tanto deste livro a ponto de tê-lo lido tão rapidamente (em 01 dia). 
Não censuro quem gosta de livros Hot, alguns são mesmo bons para passar o tempo, mas este é realmente bem escrito. 
Os personagens são bons, bem construídos, inclusive os secundários. Cary Taylor é um fofo, e totalmente possível. Quer dizer, a relação entre ele e Eva é crível. Ele não vive por ela, é uma relação de ajuda mútua, com brigas normais em uma amizade e uma boa dose de realismo. 
Na verdade, acho que o que mais me cativou neste livro é que ele é possível. 
A Eva é uma pessoa estudada, vem de família rica, se veste bem, tem classe e está acostumada a circular pelas altas rodas sociais. É bem mais fácil de acreditar que uma pessoa assim chamaria a atenção de um dos 25 homens mais ricos do mundo do que uma gata borralheira qualquer. 
Ela também não é pudica, cheia de moralismo, apenas não quer complicação para sua vida devido aos seus traumas do passado. O bacana é que Gideon também tem traumas e tudo vai sendo revelado pouco a pouco para o leitor, gradualmente. 
Gideon Cross, apesar de fazer parte daquele tipo de homem clichê nos fetiches femininos - bonito, poderoso, rico, exigente -, também possui certa dose de originalidade. Possui muitas fraquezas, assume sua dependência pela Eva, não é tããããooo mega experiente nos assuntos sexuais, isto é, não é uma relação onde ele é o professor da jovem inocente. Eles aprendem juntos, curtem juntos. Isso achei bacana. 
As cenas de sexo são bem descritas. Claro, com sua dose de palavrões típicos e um desejo sexual alucinante e inacreditável, mas sem tantos exageros como estamos acostumados a ver. Nada parecia forçado, "uma desculpa para o sexo". Outra coisa legal é que a autora não precisou inventar malabarismos nem excentricidades para que as cenas sensuais fossem interessantes e quentes, apenas uma boa dose de desejo, sensualidade e criatividade. 
As únicas coisas que me deixaram desconfortável foi o fato dos diálogos estarem marcados entre aspas e não com o tradicional travessão, mas deu para acostumar. E também o final, porque acabou sem nenhuma grande chamada para o próximo livro, sem nenhum suspense. Mas o livro realmente se provou muito bom, porque mesmo assim estou numa vontade louca de continuar lendo a série. Um ponto para Crossfire. 

Pg. 37 e 38

“Não é mentira. E daí que me sinto atraída por você? A maioria das mulheres deve se sentir." (…) "Mas não estou interessada em levar isso adiante".
Então ele se virou para mim, lentamente, com um esboço de sorriso percorrendo sua boca tentadora. Sua tranquilidade e impassibilidade me deixaram ainda mais descontrolada. "Atração é uma palavra civilizada demais para…", ele percorreu com a mão o espaço entre nós, "isto.”

domingo, 22 de junho de 2014

Resenha Gone


Título: Gone: o mundo termina aqui
Autor: Michael Grant
Editora: Galera Record
Série Gone, Livro 01

Este livro é indicado para quem:
- Gosta de ficção científica;
- Gosta de aventura, mistério e suspense;
- Gosta de X-Man.

Resumo:

Crianças e adolescentes até 14 anos se veem em uma sociedade totalmente nova após o sumiço inexplicável de todos os adultos. Não é possível pedir ajuda ou fugir, apenas enfrentar os estranhos fenômenos que os cercam e a ameaça da fome, do caos e do medo do desconhecido. Como fazer essa sociedade dar certo? Quem cuidaria dos bebês e das crianças menores? E dos doentes? E dos incêndios? E quem lutaria contra a violência imposta pelos mais fortes? 


Resenha:

Este livro me fisgou demais, desde a primeira resenha lida até a última página. 
Se tem coisa que eu gosto é de história inovadora, interessante e loooonga. Não sei se há outros livros parecidos com este, eu, pelo menos, nunca havia lido nada assim. E amei!
Imagine uma cidade em que todos os adultos sumiram de uma hora para a outra, deixando apenas crianças e adolescentes até 14 anos. Imagine como seria uma sociedade formada por essas crianças e adolescentes. Agora, imagine, que não há como fugir dessa cidade ou pedir ajuda, e que animais estão sofrendo mutações horrorosas e as crianças e os adolescentes estão adquirindo habilidades especiais. Ah! Esqueci de dizer que nesta cidade há uma usina nuclear aonde anos atrás houve um misterioso incidente e que tudo isso pode estar interligado. 
Além de toda essa mistura maluca, a parte que mais me encantou foram as hipóteses científicas por trás dos fatos, que vão desde universos paralelos (multiverso) a conceitos de física quântica... Calma, nada introduzido de forma chata ou complicada, é que numa situação assim faz total sentido que as pessoas comecem a formular hipóteses, então tudo surge de forma bem espontânea. 
As hipóteses sociológicas também são interessantes. É totalmente crível que em um uma situação extrema as pessoas reajam da forma retratada no livro, isto é, os mais fracos buscam alguém para seguir, alguém que os proteja. Os valentões surgem aos montes, querendo impor sua vontade num momento de crise. Os juízos de valores sofrem mudanças bruscas e todo o tipo de especulação religiosa aparece. 
um ponto forte são os personagens, bem diversificados, para todos os gostos. Mesmo os que eram fúteis ou fracos vão amadurecendo ao longo da trama e ficando mais complexos, até mesmo os valentões, que eram bem clichês, melhoraram. 
Não consegui definir qual meu personagem favorito, são muitos: Edílio, com toda a sua coragem; Astrid, com sua inteligência; Lana, com a habilidade que mais me fascinou; Sam, com sua simplicidade; o misterioso Pete; a compaixão da Maria; a força da Dahra... Para falar a verdade, até os vilões são bacanas, no sentido de serem bem construídos. O único que me incomodou de verdade da primeira a última página foi o Quinn: sempre fraco, medroso, reclamão... Afe! Que saco! 
É um livro que te deixa com vontade de virar páginas e mais páginas, porque cada hora é uma novidade que aparece, um mistério que se revela e mais outras 10 perguntas sem respostas que surgem! Uma loucura. Não vejo a hora de ter em mãos a continuação, pois a tendência é que tudo fique muito mais difícil e fascinante! 

Pg. 322 - Astrid tentando explicar o que está acontecendo. 
- O universo tem certas regras. Como o sistema operacional de um computador. Nada do que estamos vendo poderia acontecer a partir do programa do nosso universo.(...) Essas coisas não são simplesmente mutações: são violações das leis da natureza. Pelo menos das leis da natureza que conhecemos. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Inquietudes: Extras



Extras

   Quando cheguei em casa dei com minha mulher, Maria Clara, chorando muito. Após rápida verificação de que não havia sinal de cebola ou filme triste na TV, corri para abraçá-la enquanto repassava mentalmente toda e qualquer palavra dita a ela por mim nas últimas 24 horas. Nada. Nada que pudesse me fazer culpado de tal choradeira. Ufa!
   Após infrutífero interrogatório mental e sem qualquer sinal de que minha mulher fosse falar ou fazer algo que não inundar nossa sala com suas lágrimas, parti para o plano B: comecei a repassar mentalmente toda e qualquer palavra não dita. Isto é, qual data eu esqueci dessa vez? Dia dos namorados? Aniversário? Aniversário de casamento? Primeiro beijo? Namoro? Dia das mulheres? Não. Há tempos resolvi este assunto pagando um extra para a secretária me lembrar e enviar para a Maria Clara cartão, flores e algo mais. Então, o quê?
   Bem devagar, para que ela não percebesse, afastei a cabeça para verificar os cabelos... Isto é... Cortou? Pintou? Fez botox capilar? Alisou? Fez hidratação? Parece que está sempre igual, meu Deus! E as unhas... Pintou? Colocou adesivo ou pedrinha? É de porcelana ou francesinha? Malditas manicures! Espera, há alguns meses ela morreu de chorar porque fez designer de sobrancelhas e eu não reparei, então comecei a depositar quantias mensais para que a cabeleireira informasse as novidades no visual...
    Neste momento, ela começou a dar sinais de que ia parar de chorar, pois começou a dar discretas fungadinhas no meu ombro. Aproveitei para abraçá-la mais apertado e conferir se houve alguma perda significativa de peso, mas já sabia que não havia mudança desde os 2 kg perdidos no mês passado, pois a personal dela era outra que se valia  dos meus extras para informar esse tipo de alteração. 
   Quando as possibilidades estavam quase se esgotando e eu comecei a pensar em tragédias familiares mais sérias, foi então que eu vi: em cima da mesa do telefone, meus extratos bancários abertos. Mal deu tempo de pensar F-U-D-E-U e minha mulher começou a falar, então eu tive que segurar a onda quietinho. 
   - Eu vi seus extratos bancários. Não, me deixa falar. Eu vi também a enorme quantia que você transfere para beneficiárias mulheres. Eu descobri quem elas são. Eu sei que a soma ali é bem maior que a que você paga pelos serviços que elas prestam. Eu também sei que essa diferença de valores são os extras para que elas te lembrem de datas ou te deem toques sobre minhas mudanças no visual. É, Luis Armando, eu descobri toda a sua jogada. E eu sei disso porque eu liguei para cada uma delas e elas me disseram que você queria ser o "marido perfeito". Você conseguiu, Luis Armando, você é o marido perfeito, porque essa é a coisa mais bonita que você já fez por mim. Fiquei emocionada!
   Neste momento, ela começou a chorar baixinho e discretamente, então comecei a ficar mais aliviado. Mas ela levantou a cabeça e disse:
   - Estou vendo que você está aliviado. Também queria me sentir assim, sabe? Então vou aproveitar para confessar algumas coisas... Eu também só sei as datas porque a sua secretária me lembra, enviando os cartões e as flores. Como você ainda está em horário de trabalho, então sempre consigo sair e preparar algo para você. Inclusive no seu aniversário que, ainda bem, é no mesmo dia do nosso aniversário de primeiro beijo. Sabe os 2 kg que eu perdi mês passado? Então, era mentira. Eu dei um extra para minha personal te contar isso. Há semanas não vou treinar... Ando com muita preguiça. Na minha cabeleireira não vou desde que ela fez aquela merda nas minhas sobrancelhas, há uns meses atrás. Então, nem sei porque você está pagando para ela falar de mudanças no visual... Luis Armando? Luis Armando? Por que você está chorando?


C.M.

Resenha O amor nos tempos do blog

Título: O amor nos tempos do blog
Autor: Vinicius Campos
Editora: Cia das Letras

Livro indicado para:
- Quem está vivendo ou quer relembrar o primeiro amor;
- Quem conhece ou quer conhecer a blogosfera;
- Quem gosta de literatura infantojuvenil.

Resumo:

Bernardo muda de escola e logo no primeiro dia de aula se depara com a menina mais linda que ele já viu, sentada e lendo na biblioteca. Inspirado por esse encontro e pelas sensações que ele provoca, Bernardo cria o blog “Ariza em silêncio”, em referência ao romance de García Márquez que mais admira: “O amor nos tempos do cólera”. Com o nickname Ariza – personagem de Márquez – ele desabafa sobre seus receios amorosos e a difícil separação de seus pais. Quando Ariza consegue um encontro com sua tão sonhada “menina da biblioteca”, tem uma decepção e percebe que o amor idealizado só acontece mesmo nos romances literários. Será?

Resenha:

Este livro é lindo! Sou suspeita a comentar sobre porque tenho certa queda por livros que possuem personagens que amam ler e amam bibliotecas, afinal, sou bibliotecária, hêhê. Ah! E uma bibliotecária faz inclusive uma pequena participação como cupido do casal... Mas, vamos por partes.
Bernardo é um garoto de 13 anos que está mudando de escola porque, segundo ele, “fica mais perto da minha casa e porque eu não gostava da anterior. Eu não me dava bem com os colegas e nem depois de um ano inteiro consegui fazer amigos.” Mas, essa nova escola parece ser mais promissora, afinal, logo no primeiro mês ele “conhece” a menina mais linda que ele já viu, na biblioteca. Ele cria então um blog – Ariza em silêncio – para falar sobre o que sente por ela e sobre tudo o que está vivendo. Inspirado pelo romance de Márquez – O amor nos tempos do cólera -, ele decide enviar uma carta, contando sobre seus sentimentos e a chamando para sair. Tudo poderia ser uma típica história de adolescentes conhecendo o amor... e é! Mas o que encanta é que não é só isso! Na verdade, toda a história é contada para os leitores por meio dos posts dos personagens em seus blogs: Ariza em Silêncio, Deusa Cibernética e Cinderela Virtual. Cada qual com seu estilo, mas ambos representando os diferente tipos de adolescentes atuais (ou não). Por meio dos seus posts é possível sentir suas principais inseguranças, seus medos, seus desejos e o que motiva suas vidas. Vamos passando de um blog a outro de forma suave, natural. Por vezes a história fica divertida, as vezes mais dramática. Mas sempre emocionante.
É o tipo de livro que te remete ao seu próprio passado, o que você sentia quando era adolescente, o que sonhava, do que tinha medo. Com certeza o autor deve ter feito um bom trabalho de resgate à sua própria memória afetiva, pois dá para sentir que os sentimentos são bem verdadeiros. Um livro com personagens fofos, sem pretensões, mas muito bem escrito.

Pg. 17
Silêncio é costume, necessidade, maneira de viver. Eu não escolhi o silêncio, mas o aceitei e gosto dele. O silêncio está longe de ser algo horrível, pelo menos para mim. O silêncio só me incomoda quando aparece para substituir alguma coisa que deveria estar lá.      

Importante:
Uma coisa legal é que o Vinicius Campos criou um blog sobre o livro, adivinha o nome? Isso mesmo, O amor nos tempos do blog, que é bacana porque você consegue se comunicar com o autor sobre o que achou da história e lá, também, ele dá algumas dicas sobre como escrever um livro! 



domingo, 15 de junho de 2014

Resenha A incrível fuga da cebola

Título: A incrível fuga da cebola
Autora: Sara Fanelli
Editora: Ática

Este livro é indicado para quem:
- Quem gosta de livros infantis;
- Quem gosta de filosofia;
- Quem tem bom humor.

Resumo:


Essa é a história de uma cebola esperta e animada, que tem um único medo na vida: a grande fritura. Ao longo das páginas, o leitor pode ajudar essa pobre cebola a escapar da frigideira, por meio de questionamentos filosóficos e ações que a cebola pede para o leitor cumprir. 

Resenha:

Este livro não deve ser enxergado apenas como um livro, mas como uma peça artística. Sara Finelli, além de escritora e ilustradora, é também uma designer, que expõe na galeria de arte moderna mais importante do Reino Unido: Tate Modern. Dito isso, vamos ao livro. 
De início pode parecer que a história da fuga de uma cebola é uma coisa boba, mas é só quando lemos de fato o livro que podemos perceber a profundidade dos questionamentos que a autora propõe. 
Não apenas quem é você e quantos anos tem, mas: Quantos anos você sente que tem? O que é real? O que são lembranças? O que é a felicidade e a verdade?  O que é ser bom ou mau? O tempo é relativo?
Logo de cara, pede para que o leitor reflita e responda as questões pensando naquilo que sabe e não nas coisas que teve que ouvir. Cada reflexão e questionamento respondido permite que o leitor vá destacando pouco a pouco a cebola das páginas, até que, por fim, ela possa "escapar" da frigideira e do livro completamente. 
Este é muito mais do que um livro para "destacar" com "abas engraçadas", é uma lição de que até o mais simples dos seres, usando sua esperteza e criatividade, pode escapar do que o destino lhe impôs. 
É um grito para que possamos aprender a nos avaliar profundamente, destacando cada camada que nos cobre e prende. É um grito de liberdade. 




domingo, 8 de junho de 2014

Inquietudes: Caminhar no abismo




Caminhar no abismo

Amar é o décimo terceiro trabalho,
pois, amar, implica várias coisas:
Perdoar, o que você nunca antes 
achou capaz ser perdoado.
É perder-se num ser abstrato e íntimo.
É fazer do amor sua religião,
pois, sem ter provas para acreditar,
encontra no dia-a-dia pequenos motivos.
É querer encontrar no outro seu reflexo
e descobrir que é um ser único, irrefletido.
É caminhar no abismo de outra pessoa.
É viver o que Cassandras jamais diriam.
É percorrer atalhos, vendado e, ao retirar a venda,
saber que não pode fazer mais nada 
a não ser ir mais e mais além.

                                                               C.M.

Resenha O urso rabugento

Título: O urso rabugento
Autor: Nick Bland
Editora: Brinque-Book

Este livro é indicado para quem:
- Quem gosta de livros infantis;
- Quem quer contar uma linda história;
- Quem precisa falar sobre solidariedade e auto-estima.

Resumo:

Na Floresta Encantada estava chovendo sem parar e quatro amigos - um alce, um leão, uma zebra e uma ovelha - foram se abrigar na gruta de um urso rabugento que os expulsou de lá. A zebra, o alce e o leão tiveram a ideia de ajudar o urso a acabar com o seu mau humor, mas a ovelha achou que não podia ajudar com nada. Será?

Resenha:

Fooooofo! Como todos os livros da Brinque-Book, eu diria, mas este é particularmente fofo. Me fez lembrar o livro "Orelha de limão", da mesma editora, por causa da ovelhinha e do reforço à auto-estima, mas tem sua própria originalidade. 
As ilustrações são hilárias, mas de um jeito inocente, cálido. 
O texto é curto, ideal para crianças pequenas, principalmente porque na tradução de Gilda de Aquino ele ganhou rimas e cadência. Não sei se no texto original de Nick Bland também acontece isso, mas o resultado em português ficou maravilhoso. 
Uma coisa legal é que há disponível no livro um código QR para ser escaneado com smartphone, que permite que a criança ouça a história. Ideal para crianças que não sabem ler ainda e para pais muito ocupados ou que não tem intimidade com a arte de contar histórias. Funciona assim, após escanear o código, uma voz feminina começa a narrar a história e quando é para a criança mudar de página, aparece um som de "página virando". Muito interessante!
Ideal para ler para as crianças em casa, em dias de chuva, ou para a leitura compartilhada, na escola. 


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Resenha Feita de fumaça e osso

Título:  Feita de fumaça e osso
Autora: Laini Taylor
Editora: Intrínseca
Série Feita de fumaça e osso, Vol. 1


Livro indicado para quem:

- Gosta de romances proibidos
- Gosta de anjos e demônios
- Aprecia histórias exóticas 


Resumo:

Karou não sabe o porquê, mas foi acolhida no covil de demônios quando ainda era um bebê e criada com muito amor por eles, os quais considera sua verdadeira família. Desta forma, os ajuda do jeito que pode, em missões que podem envolver coisas como negociar com pessoas tenebrosas, recolher dentes variados ao redor do mundo e participar de exóticos leilões. Karou tenta conciliar essa vida paralela com sua pacata vida como estudante de arte, em Praga, e sua desastrosa vida amorosa. Quando marcas de mãos gravadas a fogo começam a aparecer em portas pelo mundo afora, Karou sabe que algo estranho está acontecendo, o que ela não sabe que isso mudará para sempre o seu mundo. 

Resenha: 

Confesso que a capa deste livro nunca me chamou a atenção. Ela só foi fazer algum sentido para mim quase no final do livro, e mesmo assim ainda continuo achando sem justificativa representar um livro inteiro por causa de apenas uma cena. Mas, enfim... Tem a sinopse, Cíntia... Que também não me chamou a atenção! Diriam alguns "Então por que você comprou o livro, criatura?" E eu responderia: "Por causa de uma incrível promoção de livros por R$15,00!" Muquirana, eu sei. Mas eu dei uma sorte inimaginável! É muito bom!
No começo, este livro me pareceu bem despretensioso, para passar o tempo mesmo, mas depois... Ah, depois...! Fica ótimo.  
A forma como Laini Taylor escreve é muito bacana. Ela me deixou várias vezes pensativa, me sentindo no lugar da personagem mesmo. Me identifiquei muito com a Karou... O mais engraçado é que como vemos os dois lados da questão, ficamos sem saber para quem torcer... Quem é o vilão? Os anjos são sempre bons? Os demônios são sempre maus? São muitos questionamentos para um "simples livro de romance sobrenatural" - sendo irônica. 
E não parece, mas os mistérios são muitos. Alguns só descobrimos bem nos últimos capítulos, outros, nem assim, porque o livro tem continuação. (Obaaa!)
Achei os elementos que a autora utilizou bem diferentes, pois não é apenas uma guerra entre anjos e demônios, como fica parecendo pela sinopse original, é muito mais que isso! O universo quimera é muito vasto, com suas próprias hierarquias, raças, lendas, história, costumes. E a Laini Taylor costurou tudo tão direitinho que não fica um texto chato, descritivo demais ou com pretensões mirabolantes. 
A única coisa que eu achei ruim é que demora muito para o livro chegar no ápice, quando Karou finalmente começa a descobrir sua origem e verdadeira história. Mas nem sei se isso pode ser contado como ponto negativo do livro, uma vez que por esse motivo ficamos vidrados para descobrir logo a verdade. Senti uma vontade incontrolável de não largar o livro quando chegou lá pela página 280 (o livro tem 382 páginas).
Agora, sobre os personagens: O Akiva é um ser muito fofo e meio torturado, o que é bom, porque se ele fosse só fofo eu não teria paciência. Karou, como eu já falei, me fez entrar na história, porque compartilhei muitos pensamentos com ela. Zuzana, amiga de Karou, é encantadora, pois a personalidade dela aliada a da Karou renderam ótimos diálogos, ri muito com as duas. Mas o personagem que eu cai da cadeira quando conheci foi o Brimstone. Gente, abram suas mentes e seus corações, porque este personagem merece o nosso respeito. Desde a aparência até a personalidade soturna, passando pela coragem que esse quimera tem, tudo nele é muito original. Nunca via nada assim antes! 
Acho que nem preciso dizer que o livro acaba de forma eletrizante e nos deixa com vontade de correr como o Usain Bolt até a livraria mais próxima, rumo ao volume 2. 

Pg. 27

Isso, pensou ela, não é só por hoje. É por tudo. Pela mágoa, que ainda doía como um soco no estômago toda vez que se lembrava, forte como se fosse recente, nos momentos mais imprevisíveis; pelas vezes em que ele mentiu sorrindo e pelas imagens mentais das quais ela não conseguia se livrar; pela vergonha de ter sido tão ingênua. Pela solidão, que é pior quando se volta para ela depois de um tempo - como a versão para a alma da sensação de se vestir uma roupa de banho molhada: desagradável e deprimente.  

Pg. 48

Ela foi inocente um dia, uma garotinha no covil de um demônio brincando com penas espalhadas pelo chão. Mas a inocência acabou, e ela não sabia o que fazer. Esta era a sua vida: magia e vergonha e segredos e dentes e um vazio profundo e perturbador, onde alguma coisa certamente estava faltando. 

Pg. 72

Não precisava disso. Bem. Não queria precisar disso. Ansiar por amor a fazia se sentir como um gato sempre passando pelos tornozelos, miando: Por favor, me faça um carinho, olhe pra mim, me ame. Melhor ser o tipo de gato que olha tudo friamente do alto de um muro, a expressão inescrutável. O gato que foge de afagos, que não precisa de ninguém. Por que ela não podia ser esse gato?

Pg. 117

- Um homem disse uma vez: "Aquele que luta com monstros deve tomar cuidado para não se tornar um monstro também, e quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você." Nietzsche, sabia? Bigode excepcional. 




domingo, 1 de junho de 2014

Resenha Bárbaro

Título: Bárbaro
Autor: Renato Moriconi
Editora: Companhia das Letrinhas

Este livro é indicado para:
- Quem gosta de livro-imagem;
- Quem tem imaginação;
- Quem lembra de como é ser criança.

Resumo:

Este livro é sobre as aventuras de um guerreiro destemido, que enfrenta todo tipo de ameaças e perigos sem se abalar, até que em certo momento acontece algo que o faz chorar. Mas o que faria chorar tão bravo guerreiro?

Resenha:

Como diria uma colega "tô pasma" com este livro. Ele é perfeito - da capa à última página!
Que criança nunca sonhou em ser um guerreiro destemido, que viaja por terras distantes vivendo mil aventuras? Pois bem, este livro é sobre isso. Conhecemos um bárbaro que enfrenta todo tipo de perigos, sempre montado em seu cavalo negro. O livro não possui texto, toda a sua força está nas ilustrações, que transmitem com exatidão a mensagem do autor, talvez até melhor do que qualquer texto fizesse. 
No final há uma grande revelação - que eu não posso contar para não estragar a história -, mas folheando o livro novamente, percebi que havia dicas dessa "grande revelação" por todas as páginas, até mesmo na capa, o que é mais fantástico ainda!
Apesar de amar o poder das palavras, também me sinto muito atraída por livros apenas ilustrados - analiso casa detalhe - e esse é de alta qualidade. Cada desenho parece totalmente natural na página, mas tudo foi pensado e repensado pelo autor: a posição do cavalo do guerreiro, sempre correndo, que só para de verdade no final da história; a expressão de indiferença no rosto do bárbaro, que só muda quando o cavalo para; as mãos do personagem, cuja posição sugere que ele precisa ter sempre uma mão segurando na parte da frente; etc. 
Eu não conhecia Renato Moriconi, mas vou ficar atenta ao seu trabalho de agora em diante, Muito bom!