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domingo, 31 de agosto de 2014

Resenha Quando o lobo tem fome


Título: Quando o lobo tem fome
Autora: Christine Naumann-Villemin
Editora: Berlendis & Vertecchia Editores

Resumo:

Edmundo Bigfuça é um lobo que vive solitário em sua cabana na floresta, até que um dia acorda com vontade de comer um coelho urbano. Então ele pega sua bicicleta e vai até a cidade tentar saborear um. Chegando lá, Edmundo Bigfuça percebe que se um coelho é urbano, ele possui vizinhos, e que matar sua fome vai ser muito mais difícil do que ele imagina.  

Resenha:

Ao mesmo tempo em que este livro remete às histórias clássicas de animais mais fortes tentando saborear animais mais fracos (Lobo x coelho / Lobo x porquinhos / Etc. ), traz elementos mais inovadores, como o fato dos animais serem urbanizados. Urbanizados até demais, eu diria, pois moram em prédios, pegam elevador e andam de bicicleta. Acho que isso tirou um pouco da magia que a história poderia ter e, por outro lado, trouxe um caráter mais irreverente. Deste modo, consigo imaginar que o livro agradaria crianças entre o 3º e 4º ano, que se familiarizariam melhor com uma história que traz personagens comuns a contos de fadas, mas em situações mais inusitadas.

Pg. 03

No domingo de manhã, Edmundo Bigfuça, estado civil: solitário, deixa sua cabana no meio do bosque de faca na mão: ele está com uma vontade louca de comer coelho. Oh, mas não pensem que ele quer um coelho caipira qualquer, não, não, não, ele quer um coelhinho tratado com cereais, de pelo macio e com aroma de ervilhas, ele quer comer um coelhinho urbano! 


domingo, 24 de agosto de 2014

Resenha Desejada

Título: Desejada
Autora: Sylvia Day
Editora: Universo dos livros

Este livro é indicado para quem:
-Gosta de livros Hot;
-Gosta de romances históricos;
-Quer se distrair.

Resumo:

Christopher St. John é um pirata de sangue frio, recentemente libertado com a missão de investigar e ajudar a prender Lady Winter, a viúva invernal.  Investigada pela morte de seus dois últimos maridos e dona de uma beleza exótica, a viúva foi incumbida de arrancar os segredos do pirata. Um dos dois irá para a forca enquanto o outro obterá sucesso. Ambos não conseguem resistir a imensa atração que sentem um pelo outro.

Resenha:

Fiquei um pouquinho decepcionada com este livro. Eu esperava muito mais, talvez por ser Sylvia Day, talvez por envolver espiões e piratas, que são personagens que eu adoro. Enfim, não consegui me sentir tão envolvida pela história. 
Eu acho que faltou aprofundar mais algumas questões, como a questão da pirataria ou da história de vida dos personagens principais. Para mim ficou tudo muito vago, não conseguia ver o St. John como um pirata de verdade. A autora poderia ter colocado mais trejeitos ou características de um homem do mar. Quanto à Maria, gostei dela: autossuficiente, moderna, corajosa, inteligente. E o amor dela pela irmã, então? Muito lindo. 
As cenas de sexo foram a la Sylvia Day, ou seja, com palavrão e direto ao ponto. Também muito intensas e muito frequentes, o que, às vezes, me parece meio exagerado. Acho que talvez eu esteja exigindo demais de um livro Hot...Será? 
É que para mim, mesmo o livro picante, deve ter uma história bem amarrada por trás, para que as cenas de sexo apareçam naturalmente e façam sentido. O que eu sinto que acontece com alguns livros do gênero é que o foco é unicamente o sexo, por isso a história é mero pano de fundo e meio bobinha. 
Este foi o primeiro livro histórico que eu li dessa autora, então não sei se eu não me senti envolvida porque a autora não manda muito bem nesse estilo literário. Gostei dos outros livros da autora e fiquei muito mais ligada na história, por isso estou dizendo isso. 
Os outros personagens que se destacaram foram, sem dúvida, o Simon, sempre astuto e fiel, e a Amélia. Apesar da história dela ser mais inocente, eu sempre ficava imaginando o que estava se passando com ela quando o foco narrativo mudava. 
O final da história foi resolvido de forma inteligente e o resultado disso foi lindo. Claro, como é uma coleção, sempre ficam coisas a serem resolvidas nos próximos livros, afinal, foram deixados ganchos enormes para uma continuação que, infelizmente, ainda estou decidindo se irei acompanhar.  

Pg. 39
Ele tomou a boca dela como se tivessem todo o tempo do mundo. Como se houvesse uma cama próxima e ele pudesse cumprir as promessas feitas por seu beijo. Havia algo sobre a maneira como ele a agarrava, com força e suavidade ao mesmo tempo, que a afetava profundamente. Ele tomou o que queria à força, mas com uma gentileza oposta à sua atitude.

domingo, 17 de agosto de 2014

Resenha Tem um cabelo na minha terra


Título: Tem um cabelo na minha terra!
Autora: Gary Larson
Editora: Companhia das Letrinhas

Resumo:

Minhoquinho, um filhote de minhoca, encontra um cabelo em seu prato de terra durante um jantar normal com seus pais. Ele fica tão chateado que começa a questionar tudo em sua horrorosa vida de minhoca. Seu pai, então, decide lhe contar uma história sobre uma donzela em uma floresta repleta de magia. O que será que essa história tem a ver com Minhoquinho? Será que ele muda de ideia em relação a própria vida?   

Resenha:

Prepare-se para ler um livro repleto de ilustrações engraçadíssimas e extremamente realistas. Na verdade, a palavra que melhor define este livro é essa mesmo: realista. Isso levando em consideração que o pontapé inicial da história é dado por uma família de minhocas enfrentando um drama familiar na mesa de jantar (onde terra é servida).
Quando o pai Minhoco resolve contar uma história para convencer o filho a aceitar a sua condição, passamos a ler uma série de referências irônicas sobre as histórias clássicas de princesas que romantizam tudo, neste caso, especialmente a natureza.  Isso é legal porque o leitor, ao mesmo tempo em que ri reconhecendo atitudes comuns que as pessoas tem em relação a natureza, passa a conhecer um pouco mais sobre os processos naturais que a regem.
O livro faz referência levemente a ecologia, principalmente nas ilustrações, repletas de detalhes, razão pela qual talve o livro seja mais indicado para leitores a partir do 5º ano. 
Um livro para entender a natureza e rir das nossas próprias concepções erradas sobre ela.

Pg. 54

Benedita amava a natureza. Mas amar a natureza não é o mesmo que entender a natureza. E Benedita não só não entendia as coisas que via – rebaixando alguns animais e romantizando outros – como também não entendia sua própria conexão com elas.   


domingo, 10 de agosto de 2014

Resenha Onde a lua não está

Título: Onde a lua não está
Autora: Nathan Filer
Editora: Rocco

Este livro é indicado para quem:

-Gosta de narrativas criativas;
-Gosta de personagens complexos;
-Não se importa com narrativas lineares.


Resumo:

Já fazem 10 anos que Matthew perdeu o irmão, mas isso ainda o assombra. Eles eram crianças quando ele e seu irmão mais velho, portador de síndrome de Down, saíram para uma aventura noturna da qual seu irmão jamais voltou. Consumido pela perda e pela culpa, Matthew luta para entender o que aconteceu naquela noite, além de tentar conviver com a esquizofrenia que o abate.

Resenha:

Este é um livro para ser lido com calma, pois cada trecho pode dizer muito mais do que realmente está escrito. Não é apenas a batalha de um jovem de 19 anos contra a esquizofrenia, mas sua busca por redenção num episódio que mudou sua vida e a vida de sua família para sempre. 
Apesar de ser uma ficção, você esquece completamente disso tal o envolvimento que a história proporciona. Talvez essa veracidade se deva ao fato do autor, sendo um enfermeiro da área de saúde mental, saber exatamente do que está falando.
A dor do Matthew é tão palpável que me senti em seu lugar: lutando para entender minha doença, tentando acreditar que o que eu vejo e ouço realmente não está ali e buscando o perdão de uma pessoa que nunca poderá me perdoar.
O autor abordou muito bem essas questões psicológicas, sobre como é estar dentro de uma mente tão conturbada, e isso não só pelo fato de escrever com tanta profundidade, mas pelo modo como o fez.
O tempo inteiro somos surpreendidos pelo modo de escrever de Filer. As idas e vindas no tempo são uma constante, bem como as mudanças de formatação no texto: ora datilografado, ora em letra de imprensa, ora esquematizado a fim de dar ênfase a um pensamento. Isso sem contar as ilustrações e os títulos dos capítulos, que impulsionam a uma reflexão à parte.
Bem, o que mais dizer de um livro realista, mas com uma carga poética tão intensa ao ponto de fazer chorar? É perfeito, lindo. Diria que é um livro sobre o amor e sobre a redenção. E também sobre uma doença esperta como uma serpente.

Pg. 17
Enterrei  a cabeça nas mãos, para que mamãe ou papai, caso se virassem, pensassem que eu estava chorando com eles.
Eles não se viraram. Nunca senti o apertão tranquilizador da mão de alguém na minha perna, eles nunca disseram que tudo ia ficar bem. Ninguém cochichou, Shhhh, shhhh. Então eu entendi – eu estava completamente sozinho.

Pg. 19
Também ainda não consigo falar no assunto. Tenho uma chance de fazer isso direito. Preciso ter cuidado. Para desdobrar tudo corretamente, para eu saber como dobrar de novo, se ficar complicado demais. E todo mundo sabe que a melhor maneira de dobrar bem uma coisa é seguir as dobras que já estão ali. 

Pg. 22
Não é o tipo de coisa que você ache que vai lhe fazer falta. Talvez você nem mesmo perceba isso naqueles milhares de vezes , sentado entre sua mãe e seu pai no sofá grande e verde, com o irmão mais novo no carpete atrapalhando a visão da TV. Talvez você nem mesmo tenha notado.
Mas nota quando ele não está mais ali. Nota muitos lugares onde ele não está maise ouve muitas coisas que ele não diz mais. Eu ouço. Ouço o tempo todo.

Pg. 26
É como se cada um de nós tivesse um muro que separa nossos sonhos da realidade, mas o meu tinha rachaduras. Os sonhos podem se espremer e passar por ali até ficar difícil saber a diferença.
Às vezes o muro se rompe completamente. É quando os pesadelos aparecem.

Pg. 67
Eu tenho uma doença, uma doença com a forma e o som de uma serpente. Sempre que aprendo alguma coisa nova, ela aprende também.

Pg. 190
É o que fazem os rótulos. Eles grudam.
Se as pessoas pensam que você é LOUCO, então tudo o que fizer, tudo o que pensar, terá LOUCO estampado.


domingo, 3 de agosto de 2014

Resenha A ponte

Título: A ponte
Autora: Eliandro Rocha
Ilustrações: Paulo Thumé
Editora: Callis

Resumo:

Nestor não poderia ser mais feliz, afinal, sua casa fica em um belo lugar, com um lindo jardim de margaridas, horta, um rio de água cristalina correndo ao lado, enfim, um local muito tranquilo, até que um dia um estranho vizinho começa a construir uma casa do outro lado do rio, deixando Nestor nervoso.

Resenha:

Sabe aquela pessoa que gosta de silêncio e tranquilidade? Este é o Nestor. Ele vive em um local que parece o paraíso, até que um vizinho resolve construir uma casa do outro lado do rio, acabando com a sua “paz”. Ele já não consegue ter o silêncio necessário para fazer as suas leituras e acha as atitudes do estranho vizinho muito suspeitas. Mas o que o deixou preocupado de verdade foi que o vizinho construiu uma ponte! Na verdade, meia ponte. E este é o detalhe crucial para entender o real significado da história.
O destaque das ilustrações ficam por conta dos pequenos passarinhos, companheiros do protagonista, que estão em praticamente todas as páginas, replicando as atitudes de Nestor.
Este é um conto que trata sobre a amizade e o quanto precisamos nos doar para que ela aconteça. Ninguém constrói uma amizade sozinho, ninguém atravessa uma ponte se os dois lados não estiverem devidamente edificados.
  
Pg. 08

Ao chegar perto do rio, o novo vizinho acenava da outra margem. Nestor nem respondeu, encheu o regador e voltou para o jardim.