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domingo, 30 de novembro de 2014

Resenha Extraordinário

Título: Extraordinário
Autor: R. J. Palácio
Editora: Intrínseca

Livro indicado para quem:

- Gosta de livros infanto-juvenis;
- Precisa trabalhar as diferenças, bullying;
- Quer se emocionar.

Resumo:

Começar em uma escola nova é difícil para todo mundo. Imagina então se você nunca tivesse estudado em uma escola normal antes? August Pullman está numa fase complicada de sua vida. Ah, vamos ser sinceros, a vida de Auggie é complicada desde que ele nasceu. Portador de uma síndrome rara, cuja sequela é a deformidade facial, Auggie passou por diversas provações desde que nasceu. E só espera que a entrada no Fundamental II não seja a mais difícil delas.

Resenha:

Eu comecei a ler este livro sem muitas pretensões, não esperava que fosse muito bom ou que fosse me tocar, porque, afinal, o que mais tem aparecido nos últimos tempos são histórias sobre adolescentes passando por traumas ou histórias tristes, e tudo demais enjoa, certo? Errado. Neste caso, pelo menos. 
Meu primeiro erro foi achar que esta fosse uma história triste. Concordo, deformidade facial, bullying... parece meio pesado, e é. Mas a autora escreveu personagens incríveis que lidam com tudo isso da melhor maneira possível. O livro não é sobre um garotinho triste por ser deformado e zoado na nova escola, é sobre como a síndrome do Auggie influenciou a vida de todos ao redor dele: família, vizinhos, amigos, colegas de escola, professores... 
Essa influência na vida de todos ao redor já podia ser prevista, mas quando lemos o ponto de vista de tantos outros personagens é que ela de fato pode ser medida. 
Devo dizer que o meu ponto de vista favorito foi mesmo o do August, não só por ele ser o personagem principal e estar por dentro de tudo, mas pela forma como ele enxerga o mundo. Ele sente, sofre, mas não fica se lamuriando. Ele apenas vê as coisas como elas são, sem drama. Até com cerca ironia, e isso deixa as coisas bem interessantes. Essa é uma característica marcante do livro, as pessoas vão descrevendo tudo com muita verdade, sem frescuras politicamente corretas. Demonstra bem como, às vezes, as crianças podem ser bem cruéis. Como pessoas boas podem ser, às vezes, pessoas bem cruéis. E esse caráter realista do livro, que não poupa o leitor, me cativou. As coisas só não são mais duras porque com a mesma frequência com que vemos as cenas cruéis, vemos as cenas de amor, solidariedade, gentileza. 
A família do Auggie é um caso à parte... são os pais que todos queriam ter, como um peso equilibrando a balança do universo. 
A escrita de Palácio é muito poética, memorável, eu diria. Comecei a marcar as passagens que mais me agradaram ou me tocaram e, quando vi, o livro todo estava marcado com post-its. Tentei colocar abaixo só alguns destes trechos.

Pg. 11
Mamãe e papai também não me acham comum. Eles me acham extraordinário. Talvez a única pessoa no mundo que percebe o quanto sou comum seja eu. Aliás, o meu nome é August. Não vou descrever minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, porque provavelmente é pior. 

Pg. 72
Seus feitos são seus monumentos.
(...)
Esse preceito significa que deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais do que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós. São como os monumentos que as pessoas erguem em honra dos heróis depois que eles morrem. Como as pirâmides que os egípcios construíram para homenagear os faraós. Só que, em vez de pedra, são feitas de lembranças que as pessoas têm de você. Por isso nossos feitos são nossos monumentos. Construídos com memórias em vez de pedra.

Pg. 80
Para mim, o Halloween é a melhor festa do mundo. Melhor até do que o Natal. Posso usar fantasia. Usar máscara. Posso andar por aí como qualquer outra criança fantasiada e ninguém me acha estranho. Ninguém olha para mim duas vezes. Ninguém me nota. Ninguém me reconhece. 
Eu gostaria que todos os dias fossem Halloween. Poderíamos ficar mascarados o tempo todo. Então andaríamos por aí e conheceríamos as pessoas antes de saber como elas são sem a máscara. 

domingo, 23 de novembro de 2014

Resenha A avó adormecida

Título: A avó adormecida
Autor: Roberto Parmegianni
Editora: DSOP

Este livro é indicado para quem:

- Precisa trabalhar sobre a perda;
- Gosta de histórias melancólicas;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Este livro fala de um menino e de sua avó. Fala de esquecer e de lembrar, de estar e de partir. Fala de pães, pipas, sopa de flores, convite para ir à lua. É também uma história de amor. Um amor tão imenso que é capaz de fazer uma criança desaparecer dentro dele!

Resenha:

Como explicar o quanto este livro é tocante? Tudo nele é adorável: a avó com cabelos de bola de algodão, a explicação da mãe do garoto em relação à doença da avó, o amor dos dois, o final... É um livro melancólico, como só os livros verdadeiros podem ser. Nos traz aquele sentimento de finitude, mas ao mesmo tempo nos faz querer aproveitar cada vez mais a vida e o amor daqueles que nos cercam. 
As ilustrações de João Vaz de Carvalho são simples e muito doces, combinando muito bem com o texto. 
O autor - Roberto Parmegianni - é o mesmo do livro A lição das árvores, ganhador do prêmio "Os 30 melhores livros infantis da Crescer 2014". E se a referência não for boa o suficiente, basta saber que ele escreveu este livro para a sua avó e baseado na infância dele, o que explica a carga de sensibilidade que o texto carrega: "Este texto fala dela e fala de mim, de quem eu era, de quem eu sou e de quem eu quero ser."

Pg. 21

Minha avó dorme o dia todo, e eu sinto muita falta dela. Para que não se sinta sozinha, todas as tardes, eu vou me sentar em seu quarto . Leio para ela o seu livro preferido. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Resenha A lição das árvores


Título: A lição das árvores
Autor: Roberto Parmegianni
Editora: DSOP

Este livro é indicado para quem:

- É educador;
- Quer ou precisa conversar sobre as diferenças;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Enrico tem sempre alguma pergunta pra fazer e fala mais do que a boca. Paola, sua colega de classe, não fala nada. Buscando entender a amiga, Enrico questiona seu professor Dino que, para responder ao garoto, nos mostra uma importante lição vinda das árvores.   

Resenha:

Este livro é mais do que uma história sobre inclusão. É um livro sobre o respeito às diferenças - toda e qualquer diferença - não só as físicas. Como fazer uma criança entender que cada um é único? Como fazê-la entender que cada pessoa tem suas particularidades, mas, que ainda assim, todos devem ser tratados com igualdade? 
O professor Dino possui o desafio de responder essas questões quando o seu aluno Enrico quer uma explicação sobre as diferenças entre as crianças - especialmente entre Paola e ele - e busca a ajuda das árvores para dar as respostas. 
Quando o professor começa sua explicação, parece que está recitando uma poesia, de tão sensível que é o texto. São comparações simples, sucintas e muito belas, amparadas sempre por ilustrações um pouco abstratas do lado oposto da página. 
De uma forma elegante e clara, Roberto Parmegianni nos faz entender porque recebeu o prêmio "30 melhores livros infantis do ano pela Crescer 2014". Tocante. 

Pg. 22
As crianças são como as árvores.
Algumas são distraídas, esquecidas e sonhadoras como os álamos: com seus pólen, que percorre o ar, soprado pelo vento, até que encontra um lugar para se fixar. 
Outras são como os carvalhos: fortes, corajosas, mas com um coração tenro dentro de si. 

domingo, 9 de novembro de 2014

Resenha Dividida

Título: Dividida
Autor: Amanda Hocking
Editora: Rocco
Série Trylle, Livro 2

Este livro é indicado para quem:

- Gosta de fantasia
- Se sente um desajustado no mundo
- Gosta de amores impossíveis

Resumo:


Wendy achava que finalmente havia encontrado o seu lugar no mundo. Um lugar aonde poderia ser ela mesma e, quem sabe, ter uma mãe amorosa e amigos fiéis. Só que tudo parece diferente do esperado e a política e os costumes dos Trylle parecem interferir para sempre naquilo que ela acredita ser a sua verdadeira felicidade. Como escolher entre seu amor e seu povo?

Resenha:

Ah, agora as coisas ficaram mais interessantes! No caldeirão aonde já havia magia e romance, há agora muitas intrigas políticas e traições e Wendy terá que escolher em quem confiar, principalmente depois que algo grandioso lhe é revelado. Na verdade, vários segredos são revelados e todos parecem interferir nos sentimentos de Wendy, que está mais confusa do que nunca. 
Eu não curti muito a protagonista no primeiro livro, mas agora ela se mostrou muito mais madura e consciente dos seus deveres, o que me fez pensar que talvez Amanda Hocking tenha escrito uma protagonista bem imatura no primeiro livro para que a transformação ficasse mais evidente neste livro. Boa jogada...
Wendy nem está usando a coroa de rainha do povo Trylle e já parece que o cargo está pesando. Este livro está muito mais recheado de surpresas e reviravoltas do que o anterior, com direito à batalha de poderes psíquicos e sequestro. 
E não posso deixar de falar do Loki que, como esperado desde o primeiro livro, desperta a atenção da Wendy com todo o seu charme vilanesco. Acontece que ele não é um vilão dos melhores, pois vive contrariando as ordens dos seus superiores para ajudar a Wendy...rs.
Finn continua deixando claro os seus sentimentos em relação à Wendy... e se negando a aceitá-los! Enfim, amores impossíveis, famílias rivais, mocinha em perigo, dramas familiares e tudo o mais que uma novela mexicana poderia oferecer, mas com um toque sobrenatural e fantasioso (no melhor sentido da palavra). 
Os personagens secundários continuam dando um tempero bacana à narrativa, com destaque para Willa e Matt. 

Pg.  223

Eu me sentia um pouco aérea, e o meu pulso estava disparado. Os olhos caramelo dele estavam quase me hipnotizando, e o meu estômago estava revirando. A única vez em que tinha sentido algo do tipo foi perto de Finn, e eu não queria acreditar que eu talvez sentisse algo assim por Loki, que talvez estivesse atraída por ele.  

domingo, 2 de novembro de 2014

Resenha Trocada

Título: Trocada
Autor: Amanda Hocking
Editora: Rocco
Série Trylle, Livro 1

Este livro é indicado para quem:

- Gosta de fantasia
- Se sente um desajustado no mundo
- Gosta de amores impossíveis

Resumo:


Wendy se encanta pelo charme de Finn Holmes, que parece sempre observá-la. O que ela não imagina é que Finn irá mudar para sempre o rumo de sua vida e fazê-la entender que o motivo dela se sentir uma pessoa desajustada não tem nada a ver com rebeldia adolescente. Finn irá lhe mostrar um mundo totalmente mágico e assustador, aonde Wendy desempenha um papel fundamental. 

Resenha:

Sabe aquele sentimento de que não fazemos parte de determinado lugar? Podemos sentir isso em relação à escola, à nossa família, aos nossos amigos ou até mesmo em relação ao próprio mundo. Wendy sente-se assim o tempo todo. Sua infância foi traumática, pois seu pai faleceu prematuramente e sua mãe tentou matá-la quando ela tinha seis anos. 
Embora Wendy tenha sido criada com amor por seu irmão mais velho e sua tia, ainda assim ela se sente uma estranha no ninho e tem dificuldade para fazer amizades ou namorar. Quando ela percebe que um garoto - Finn Holmes -  está sempre a observá-la, parece que finalmente isso vai mudar. Às vezes ele é meigo e atencioso, outras vezes frio e até mesmo grosseiro, o que a deixa confusa. Até que ele faz revelações surpreendentes, mas que estranhamente a fazem se sentir aliviada. Diversas de suas características mais esquisitas parecem ter finalmente uma explicação, ufa, que alívio! Quem não gostaria de viver uma experiência assim? Parece um conto de fadas e, ao mesmo tempo, O Diário da Princesa ou Harry Potter. O fato é que Amanda Hocking já te conquista nos primeiros capítulos, pois mexe justamente com este sentimento de "não pertencimento" que a maioria das pessoas parecem sentir e, como sabemos, empatia é fundamental para adentrarmos numa história. 
Depois, a história segue por rumos próprios, com a descoberta dos costumes do povo Trylle e suas características, e ganha contornos mais misteriosos e surpreendentes. 
A protagonista não me cativou 100%, porque às vezes ela insiste em batalhas perdidas e isso não me parece determinação, mas sim teimosia, o que me irritou um pouco.
Finn Holmes despertou minha simpatia no começo, mas depois perdi o respeito por tê-lo achado muito fraco. Sabe aquele tipo de pessoa conformada, que sempre segue o que está predeterminado? Esse é Finn Holmes. Se Wendy me irritou por insistir demais em batalhas perdidas, Finn me irritou por desistir muito fácil de batalhas imprevisíveis. 
Maaassss... Os personagens secundários salvaram a história: 
Tove é muito bacana, não só pelos poderes dele serem os mais fortes, mas pela forma como ele tem que lidar com seu "dom". Fiquei tentando entender o sofrimento pelo qual ele tem que passar para viver uma vida normal e os reflexos disso em sua personalidade, como o fato de ser tão distraído. Complexo e cativante. 
Loki... Ah, Loki... Este sim me parece um personagem digno de ser protagonista e até par romântico da Wendy (que é o que eu acho que irá acontecer). Ele é forte, irreverente, misterioso... Acho que um possível triângulo amoroso irá dar pano pra manga no próximo volume da trilogia e estou ansiosas por isso. 

Pg. 262

Eu poderia ter ido atrás dele , mas não tinha mais argumentos. O beijo dele tinha me deixado confusa e desarmada, e fiquei imaginando vagamente se esse não teria sido o plano dele desde o princípio. Ele sabia que o beijo me deixaria fraca demais para segui-lo e confusa demais para discutir. 
Depois que ele partiu, sentei-me na cama, que ainda tinha o cheiro dele, e cai em prantos.