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domingo, 29 de março de 2015

Resenha: Este livro comeu o meu cão!


Título: Este livro comeu o meu cão!
Autor: Richard Byrne
Editora: Panda Books


Este livro é indicado para quem:

- Gosta de livros interativos;
- Gosta de histórias malucas;
- Gosta de livros infantis.

Resumo:

Bella precisa de nossa ajuda para mostrarmos a este livro "quem manda". Assim quem sabe este livro deixa de ser tão atrevido e comer o que não deve?

Resenha:

Este livro é indicado para todas as turmas da Educação Infantil e 1º ano devido as características que descreverei abaixo. 
O tipo de letra (letra bastão ou caixa alta) favorece os leitores que estão em processo de alfabetização pela facilidade de decodificação do texto que, além isso, é bastante enxuto. As ilustrações são vivas, marcadas e se integram totalmente ao texto, pois o autor também é o ilustrador. Gostei dos traços dele, pois são limpos e econômicos!
A história começa quando Bella resolve levar seu cachorro - Bolota - para passear. Detalhe que a Bella leva seu cachorro para passear pela "página" e não pela rua...rs. De repente, o cachorro de Bella desaparece, ou seja, é claramente engolido pela dobra do livro. Começa então um desfile de personagens que tentam ajudar Bella a resgatar Bolota. Todas tentativas são em vão, atá que o leitor é convidado a ajudá-la. Esta característica interativa do livro que me fascinou, pois mostra que um livro não precisa ser cheio de luzinhas e sons para fazer com que o leitor se sinta participante de sua própria leitura. 

Pg. 3,4 e 5

"Bella estava passeando com o seu cão pela página quando algo muito esquisito aconteceu..."

sexta-feira, 13 de março de 2015

Bibliotecando: Dia do Bibliotecário e Incentivo à leitura, por Sérgio Vaz.


Ontem foi dia do bibliotecário e, como todos os anos, pipocaram nas redes mensagens de parabéns e valorização do profissional, principalmente entre os colegas da própria categoria. Mais um ano que eu passei a comemorar este dia e mais um ano que eu observo que o discurso continua o mesmo. Aliás, eu poderia falar que nada mudou desde 2008, quando iniciei na profissão, mas estaria mentindo, pois, quando eu ainda era estagiária ou auxiliar havia ofertas de emprego em profusão. Parece que toda empresa descobria que precisava de um estudante de biblioteconomia, ainda que algumas nem conseguissem pronunciar o nome do curso. Infelizmente, para os formados as empresas não conseguem encontrar função.
Acompanho as discussões na área e sei que a quantidade de pessoas procurando uma colocação profissional ou uma melhora de cargo é enorme. Muitos, para não ficarem desempregados, recorrem a rebaixar cargos e salários. Ter altivez ou orgulho nessa hora é luxo para poucos. Reflexo da economia atual? Pode ser. Mas a certeza é que os primeiros cargos a serem cortados nas empresas são os considerados supérfluos e me entristece imaginar que alguém considere um profissional ligado a Cultura e a Informação como uma “gordurinha a ser cortada”, como eu já ouvi um gestor falar.
Em meio a tanto desalento, fui comemorar o Dia do Bibliotecário com o CRB8, no Teatro FECAP. Eu já sabia que iríamos ouvir o Sérgio Vaz, então me preparei com antecedência para a pancada. Mas é impossível não se impactar e, no meu caso, não se emocionar com a forma como o Sérgio lida com o Incentivo à leitura. Ele ficava lá no palco, entre gírias e palavrões, contando das suas práticas e de como tudo aconteceu tão naturalmente e eu ficava pensando: “É isso!”.  Entre tantas histórias, o que mais marcou foi a ideia de tirar a literatura do pedestal e aproximar dos leitores. “No sarau, a comunidade achava que estava em uma festa, mas estava fazendo literatura sem saber”, disse ele.
Sem demagogia. Sem se colocar na posição de “Ajudador” que oprime o “Ajudado”. Sem sacralizar o livro ou a leitura. Poxa, a Cooperifa ocorre em um bar... Quer coisa mais autenticamente brasileira do que isso? Como Sérgio nos informou “Nossa estratégia é a mesma dos traficantes: damos a primeira dose, depois o viciado vem atrás de mais.”. Essa frase me remeteu também ao “traficante de livros”, de Recife, que montou uma biblioteca comunitária onde antes era uma das “bocas do tráfico”. Cansado de receber batidas da polícia no local, ele se autodenominou como “traficante de livros” e escreveu em letras garrafais na entrada de sua biblioteca uma frase de Oscar Wilde: “Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas.”. Eu diria que tanto o traficante de livros da biblioteca comunitária de Recife quanto o poeta Sérgio Vaz, fundador da Cooperifa, são bibliotecários por intuição e que tem muito a ensinar aos bibliotecários de formação. Resta a nós, bibliotecários, termos a humildade de enxergar nestes esforços uma oportunidade de aprendizado. 

"A leitura liberta e os bibliotecários emprestam as asas." (Sérgio Vaz)

Eu não escolhi ser bibliotecária aleatoriamente. Não foi algo que surgiu do nada na minha cabeça ou na minha vida. Não foi algo que alguém disse que era legal. Não foi o primeiro emprego que eu encontrei ou a primeira página que eu saquei do Guia de Profissões. A Biblioteconomia surgiu naturalmente, como uma resposta a tudo que eu sempre acreditei e que nunca conseguia exprimir. Desistir da minha área não é uma opção, não por teimosia ou orgulho, mas porque eu teria que desistir do que eu acredito e de quem eu sou.
Se eu acredito no poder da leitura?


Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada, 
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

                                         (Mário Quintana)

Francisco Aguiar (Vice-presidente CRB8), Wandi Doratiotto e Carli Cordeiro (Presidente CRB8)


Sérgio Vaz, Francisco Aguiar (Vice-presidente CRB8) e Carli Cordeiro (Presidente CRB8)