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sexta-feira, 13 de março de 2015

Bibliotecando: Dia do Bibliotecário e Incentivo à leitura, por Sérgio Vaz.


Ontem foi dia do bibliotecário e, como todos os anos, pipocaram nas redes mensagens de parabéns e valorização do profissional, principalmente entre os colegas da própria categoria. Mais um ano que eu passei a comemorar este dia e mais um ano que eu observo que o discurso continua o mesmo. Aliás, eu poderia falar que nada mudou desde 2008, quando iniciei na profissão, mas estaria mentindo, pois, quando eu ainda era estagiária ou auxiliar havia ofertas de emprego em profusão. Parece que toda empresa descobria que precisava de um estudante de biblioteconomia, ainda que algumas nem conseguissem pronunciar o nome do curso. Infelizmente, para os formados as empresas não conseguem encontrar função.
Acompanho as discussões na área e sei que a quantidade de pessoas procurando uma colocação profissional ou uma melhora de cargo é enorme. Muitos, para não ficarem desempregados, recorrem a rebaixar cargos e salários. Ter altivez ou orgulho nessa hora é luxo para poucos. Reflexo da economia atual? Pode ser. Mas a certeza é que os primeiros cargos a serem cortados nas empresas são os considerados supérfluos e me entristece imaginar que alguém considere um profissional ligado a Cultura e a Informação como uma “gordurinha a ser cortada”, como eu já ouvi um gestor falar.
Em meio a tanto desalento, fui comemorar o Dia do Bibliotecário com o CRB8, no Teatro FECAP. Eu já sabia que iríamos ouvir o Sérgio Vaz, então me preparei com antecedência para a pancada. Mas é impossível não se impactar e, no meu caso, não se emocionar com a forma como o Sérgio lida com o Incentivo à leitura. Ele ficava lá no palco, entre gírias e palavrões, contando das suas práticas e de como tudo aconteceu tão naturalmente e eu ficava pensando: “É isso!”.  Entre tantas histórias, o que mais marcou foi a ideia de tirar a literatura do pedestal e aproximar dos leitores. “No sarau, a comunidade achava que estava em uma festa, mas estava fazendo literatura sem saber”, disse ele.
Sem demagogia. Sem se colocar na posição de “Ajudador” que oprime o “Ajudado”. Sem sacralizar o livro ou a leitura. Poxa, a Cooperifa ocorre em um bar... Quer coisa mais autenticamente brasileira do que isso? Como Sérgio nos informou “Nossa estratégia é a mesma dos traficantes: damos a primeira dose, depois o viciado vem atrás de mais.”. Essa frase me remeteu também ao “traficante de livros”, de Recife, que montou uma biblioteca comunitária onde antes era uma das “bocas do tráfico”. Cansado de receber batidas da polícia no local, ele se autodenominou como “traficante de livros” e escreveu em letras garrafais na entrada de sua biblioteca uma frase de Oscar Wilde: “Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas.”. Eu diria que tanto o traficante de livros da biblioteca comunitária de Recife quanto o poeta Sérgio Vaz, fundador da Cooperifa, são bibliotecários por intuição e que tem muito a ensinar aos bibliotecários de formação. Resta a nós, bibliotecários, termos a humildade de enxergar nestes esforços uma oportunidade de aprendizado. 

"A leitura liberta e os bibliotecários emprestam as asas." (Sérgio Vaz)

Eu não escolhi ser bibliotecária aleatoriamente. Não foi algo que surgiu do nada na minha cabeça ou na minha vida. Não foi algo que alguém disse que era legal. Não foi o primeiro emprego que eu encontrei ou a primeira página que eu saquei do Guia de Profissões. A Biblioteconomia surgiu naturalmente, como uma resposta a tudo que eu sempre acreditei e que nunca conseguia exprimir. Desistir da minha área não é uma opção, não por teimosia ou orgulho, mas porque eu teria que desistir do que eu acredito e de quem eu sou.
Se eu acredito no poder da leitura?


Emergência

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada, 
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

                                         (Mário Quintana)

Francisco Aguiar (Vice-presidente CRB8), Wandi Doratiotto e Carli Cordeiro (Presidente CRB8)


Sérgio Vaz, Francisco Aguiar (Vice-presidente CRB8) e Carli Cordeiro (Presidente CRB8)



4 comentários:

Anônimo disse...

APLAUSOS!! Como sempre arrasa com as palavras....não desista precisamos de mais profissionais como vc!! bjs...Val

Cíntia Mendes disse...

Obrigada, Val!!!!

Bárbara Bruna disse...

Acho que estamos juntas nessa. Apesar de não ter o mesmo interesse na minha área, já fiz projeto de incentivo à leitura e sei das dificuldades. Eu tinha 4 aluninhos...a turma da tarde teve de apelar pro funk! É triste saber que temos de ser os atores de circo certas vezes, tudo "entra no pacote".
Continue firme, não te vejo fazendo outra coisa, honestamente. é vc, é quem vc é!
Beijo :*

Cíntia Mendes disse...

É, Bárbara... Resumindo, é isso mesmo. Triste as condições da leitura neste país, na verdade as condições da Educação em geral. Obrigada pela visita! Bjs

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